quarta-feira, 3 de agosto de 2016

SECOS & MOLHADOS - ARTES CÊNICAS E POESIA A FAVOR DA MÚSICA (HISTÓRIAS DO ROCK NACIONAL)




























Nesta semana, especificamente no dia 1 de agosto, o músico, cantor, interprete, ator e produtor Ney Matogrosso completou 75 anos de vida, esbanjando saúde e boa forma, incrível como ele envelheceu bem. Para mim, Ney é o maior interprete masculino da música brasileira de todos os tempos, um artista completo e até hoje o maior performer da nossa música. Sua discografia é rica e extensa, uma obra que beira a perfeição e que daria uma série de posts só para esmiuçar-la.













Criei essa série para falar um pouco de bandas e músicos que fizeram história no cenário nacional e principalmente no rock. Aproveitando o gancho do aniversário de Ney Matogrosso, resolvi aqui falar deste grupo, que sou muito fã, que me influenciou muito, como músico, letrista e poeta. Trata-se de Secos & Molhados, que fez nos anos 70 uma mistura riquíssima de teatro, música brasileira, rock, folclore português, poesia e androginia.













Secos & Molhados foi uma banda brasileira, criada pelo compositor João Ricardo em 1971. Canções do folclore português, como "O Vira", misturadas com a poesia de Cassiano Ricardo, João Apolinário, Vinícius de Moraes e Fernando Pessoa, entre outros, fizeram do grupo um dos maiores fenômenos musicais do Brasil.
Índice

A formação inicial do grupo era composta por: João Ricardo (violão de doze cordas e gaita), Fred (bongô) e Antônio Carlos, ou Pitoco, como é mais conhecido.

O som completamente diferente à época, fez com que o Kurtisso Negro de propriedade de Peter Thomas, Oswaldo Spiritus e Luiz Antonio Machado no bairro do Bixiga, em São Paulo, local onde o grupo se apresentava, fosse visitado por muitas pessoas, interessadas em conhecer o grupo. Entre os ?curiosos? estava a cantora e compositora Luli, com quem João Ricardo fez alguns dos maiores sucessos já gravados no Brasil ("O Vira" e "Fala").

Fred e Pitoco, em julho de 1971, resolvem seguir carreira solo e João Ricardo sai à procura de um vocalista. Por indicação de Luli, conhece Ney Matogrosso, que muda-se do Rio de Janeiro para São Paulo. Depois de alguns meses, Gerson Conrad, vizinho de João Ricardo, é incorporado ao grupo. O Secos & Molhados começa a ensaiar e depois de um ano se apresenta no teatro do Meio, do Ruth Escobar, que virou um misto de bar-restaurante chamado "Casa de Badalação e Tédio".
















No dia 23 de maio de 1973, o grupo entra no estúdio "Prova" para gravar ? em sessões de seis horas ao dia, por quinze dias, em quatro canais ? seu primeiro disco, que vendeu mais de 300 mil cópias em apenas dois meses, atingindo um milhão de cópias em pouco tempo. Os Secos & Molhados se tornaram um dos maiores fenômenos da música popular brasileira, batendo todos os recordes de vendagens de discos e público. O disco era formado por treze canções que ao ver da crítica, parecem atuais até os dias de hoje. As canções mais executadas foram "Sangue Latino", "O Vira", e "Rosa de Hiroshima". O disco também destaca inúmeras críticas a ditadura militar que estava implantada no Brasil, em canções como o blues alternativo "Primavera nos Dentes" e o rock progressivo "Assim Assado" ? esta de forma mais explícita em versos que personificam uma disputa entre socialismo e capitalismo. Até mesmo a capa do disco foi eleita pela Folha de São Paulo como a melhor de todos os tempos de discos brasileiros.

O sucesso do grupo atraiu a atenção da mídia, que convidou-os para várias participações na televisão. As mais relevantes foram os especiais do programa Fantástico, da Rede Globo. Sempre apareciam com maquiagens inusitadas, roupas diferentes sendo uma das primeiras e poucas bandas brasileiras a aderirem o glam rock.

Em fevereiro de 1974, fizeram um concerto no Maracanãzinho que bateu todos os índices de público jamais visto no Brasil - enquanto o estádio comportava 30 mil pessoas, outras 90 mil ficaram do lado de fora. Também em 1974 o grupo sai em turnê internacional, que segundo Ney Matogrosso, gerou oportunidades de criar uma carreira internacional sólida.

Em agosto do mesmo ano, é lançado o segundo disco de estúdio da banda, que tinha em destaque "Flores Astrais", único hit do disco. O lançamento do disco foi pouco antes do fim da formação clássica da banda, que ocorreu por brigas internas entre os membros. Talvez por este motivo o segundo álbum ? que veio sem título, e com uma capa preta ? não tenha feito tanto sucesso comercial como o primeiro.
















Após o fim do grupo Secos e Molhados, os três membros seguiram em carreira solo. Ney Matogrosso lançou no ano seguinte, em 1975, seu primeiro disco com o nome de "Água do Céu-Pássaro" (recheado de experimentalismos musicais) e com o sucesso "América do Sul". João Ricardo lançou também em 1975 seu disco homônimo, mais conhecido por Pink Record. Gerson Conrad juntou-se a Zezé Motta e lançou um disco também em 1975.
















João Ricardo adquiriu os direitos autorais sob o nome Secos e Molhados, após algumas brigas na justiça, e saiu a procura de novos músicos para que a banda tivesse novas formações.

A primeira formação após o fim do grupo em 1974 surgiu em maio de 1978, João Ricardo lança o terceiro disco dos Secos e Molhados com Lili Rodrigues, Wander Taffo, Gel Fernandes e João Ascensão. O terceiro disco foi lançado, e mais um sucesso do grupo ? o que seria o último de reconhecimento nacional, e único fora da formação original ? "Que Fim Levaram Todas as Flores?", uma das canções mais executada no Brasil naquele ano, o que trouxe o novo grupo de João Ricardo às apresentações televisivas.
















No mês de Agosto de 1980, junto com os irmãos Lempé ? César e Roberto ? o Secos & Molhados lança o quinto disco, que não teve sucesso comercial. A quinta formação do grupo nasce no dia 30 de junho de 1987, com o enigmático Totô Braxil, em um concerto no Palace, em São Paulo. Em maio de 1988 sai o álbum "A Volta do Gato Preto", que foi o último da década. Simplesmente sozinho, em 1999, João Ricardo lança "Teatro?" mostrando definitivamente a marca do criador dos Secos e Molhados.
Fonte: http://www.letras.com.br











O nome foi criado por João Ricardo quando, nas proximidades de Ubatuba, em um dia chuvoso, viu uma placa de armazém balançando anunciando "Secos e Molhados". Isto lhe chamou a atenção; antes mesmo do surgimento da banda, surgiu a ideia do nome e alguns outros conceitos foram se formando. Passaram uma grande temporada em Crixás.

A canção "O Vira" é passada para frente de geração à geração, e até hoje, trinta anos depois do fim da formação original do grupo, rádios e programas de televisão a executam.

Em 2003 foi lançado o disco "Assim Assado: Tributo aos Secos & Molhados", que contavam com versões das músicas do disco de 1973 na voz de outros artistas. Entre eles, Nando Reis, Arnaldo Antunes, Pitty, Tony Garrido, Ritchie e outros.

Secos & Molhados: Solta os pavões














O show havia sido marcado apenas alguns dias antes. Entretanto, naquela noite, 25 mil fãs faziam o ginásio do maracanãzinho literalmente tremer, ansiosos pela presença do Secos & Molhados, o maior e mais meteórico fenômeno da década de 70.

Nos bastidores, os integrantes da banda se entreolhavam, atônitos e trêmulos – afinal, era uma recepção inesperada para um conjunto formado meses antes.

O público estimado – 25 mil pessoas, sem contar as centenas do lado de fora do ginásio – quebrou o recorde do local e os dados não deixavam dúvidas. A histórica apresentação no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, foi a consagração da meteórica e fabulosa carreira do Secos & Molhados. Aquele 23 de fevereiro de 1974 coroou uma trajetória que, apesar de fugaz, produziu um dos capítulos mais importantes da música brasileira.















Surgido em plena era repressiva do governo Médici, em meio a um marasmo musical, o trio paulista utilizava linguagens cênicas e musicais nunca vistas, agregando teatro, música brasileira, rock, folclore português, poesia e androginia. Rebolando afrontosamente e cantando coisas como “vira homem, vira, vira, vira lobisomem”, aqueles pavões maquiados se tornaram a maior manifestação da estética “glitter” no país e causaram furor entre público e crítica.
















Ganharam capas de revistas e clipes na TV, enquanto “O Vira”, “Sangue Latino” e “Rosa de Hiroshima” dominavam as ondas radiofônicas. O sucesso se traduziu em números impressionantes na vendagem de seu primeiro álbum, sem título: 900 mil cópias em poucos meses, quando o maior vendedor da época, Roberto Carlos, vendia em média 600 mil cópias. A revolução artística e comportamental se completou como fenômeno mercadológico, e o Brasil viveu uma febre musical sem igual.

O embrião do Secos & Molhados foi gerado em 1970, quando os vizinhos João Ricardo e Gerson Conrad ensaiavam descompromissadamente no bairo da Bela Vista. Criaram um grupo chamado Eric Expedição, cuja glória máxima foi uma nota no jornal Última Hora.

O compositor e jornalista português João Ricardo, natural de Ponte do Lima, Minho, chegara a São Paulo ainda adolescente com seu pai, o poeta e crítico teatral João Apolinário. A aproximação com o violonista paulistano Gerson se deu por afinidades musicais, sobretudo Beatles e Crosby, Stills, Nash & Young.

Enquanto Conrad se dedicava aos estudos para o vestibular, João Ricardo investiu, apoiado por uma dupla de formação variável, numa pequena série de shows no bar Kurtisso Negro, onde se aproximou do “conceito Secos & Molhados”, utilizando violas, gaita e percussão. Por intermédio da cantora Luli (da dupla folk Luli & Lucina), ficaram sabendo da existência de um cantor mato-grossense radicado no Rio de Janeiro possuidor de um timbre incomum. João e Gerson foram de trem até o Rio conhecer o tal cantor. A empatia foi imediata.

Ex-funcionário de hospital, ex-artesão hippie, ator bissexto e cerca de dez anos mais velho que os outros dois músicos, Ney de Souza Pereira desembarcou em São Paulo em novembro de 1971. Ainda custaria um ano de ensaios até que a banda ganhasse um nome definitivo. A estréia ocorreu em um bar-restaurante do teatro Ruth Escobar chamado Casa de Badalação e Tédio, com a participação do flautista carioca Sérgio Rosadas e dois músicos convidados.

Máscara

















A maquiagem pesada, que se tornaria uma marca registrada da banda, surgiu logo no primeiro show, por obra do acaso. “O Ney, que interpretava um marinheiro na peça A Viagem, no próprio Ruth Escobar, chegou atrasado para o show usando a maquiagem do espetáculo”, lembra Gerson Conrad. “Luli, inspirada por uma peça em cartaz no Rio ( Jardim das Borboletas), gostou e complementou com purpurina. Dez minutos antes de entrar, todos assumimos a maquiagem.” Não foi à toa que o produtor da tal peça carioca, Paulinho Mendonça, tornou-se um colaborador da banda, assinando o hit “Sangue Latino”.

O impacto na platéia foi instantâneo. O corpo desnudo, os trejeitos e a voz de contratenor de Ney, o aparato visual e a música, simples, porém sofisticada, causaram efeito arrasador nos presentes e a banda foi aplaudida de pé. Um dos espectadores, o jornalista e produtor Moracy do Val, registrou suas impressões sobre o show num artigo no Jornal da Tarde, o que reverteu em ainda mais público.


Impressionados também ficaram os excelentes músicos que acompanhavam Ney em A Viagem – o baixista Willie Verdaguer, o baterista Marcelo Frias (ambos ex-Beat Boys) e o guitarrista John Flavin –, que logo seriam convidados para ingressar no time (completado mais tarde pelo tecladista Emilio Carrera). Os shows no Ruth Escobar foram um êxito e se estenderam por mais uma temporada. Visionário, Moracy se tornou empresário do grupo. Tudo parecia se encaixar e o primeiro passo para o Secos & Molhados conquistar o Brasil estava dado.

O grupo já era um sucesso underground em São Paulo quando Moracy conseguiu um contrato com a gravadora Continental, em maio de 1973. Secos & Molhados, o disco, foi gravado em apenas 15 dias, em quatro canais, com produção e arranjos realizados pelos próprios músicos, cruzando pós-tropicalismo, rock progressivo, folk e fado. Tratando de temas sociais, as letras, muitas vezes, poemas musicados de escritores como Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa e Manuel Bandeira, ficavam a cargo de João Ricardo e de alguns parceiros, entre eles, seu pai, João Apolinário.

Curiosamente, a capa, com a foto clássica das cabeças sobre a mesa, apresentava Marcelo Frias como um quarto elemento. “Convidamos os músicos para se tornarem membros oficiais do grupo, mas só o Marcelo aceitou. Depois, receoso, ele preferiu seguir como músico contratado, mas a foto já havia sido feita”, explica Conrad.

O show da vida
















Em 9 de setembro de 1973, pouco mais de um mês após lançado o LP, o grupo é destaque em uma das primeiras edições do programa Fantástico, da Rede Globo. Com enorme apelo visual e transmissão nacional em cores, o impacto foi monstruoso. “O Vira”, com seu ritmo alegre e letra calcada no folclore brasileiro, causou sensação entre as crianças. Na seqüência, vieram hits mais adultos, como “Sangue Latino” ou a pungente “Rosa de Hiroshima”. Sem nenhum single para promover o álbum, foram vendidas 50 mil cópias em apenas um mês. Noticiou-se que 21 das 25 prensas da Continental trabalhavam exclusivamente para a produção do LP, representando assim 90% das vendas da gravadora. Em números não-oficiais, falava-se na venda de 1 milhão de discos.

A crítica relacionou a chamada “onda andrógina” de grupos como o teatral Dzi Croquettes e à estética glitter que ocorria na Inglaterra e nos Estados Unidos. “Nós sabíamos sobre Alice Cooper e David Bowie, por exemplo, mas no nosso caso o uso da purpurina foi espontâneo”, assegura Gerson. “Acho que foi o inconsciente coletivo, um movimento paralelo ao que ocorria naquele momento no exterior.”


Seguiram-se mais shows com ingressos esgotados em São Paulo e uma curta turnê nacional. A fama era tanta que não era incomum encontrarem clones de Ney na platéia. Mas a fama também trazia os seus percalços, como num show em Brasília interrompido por ordem de um militar. “Um general ordenou que as luzes fossem apagadas enquanto Ney não cobrisse o corpo”, conta Gerson.

No Rio, no começo de 1974, realizaram uma concorrida temporada no Teatro Tereza Rachel com direito a cordões de isolamento e presença da polícia para conter o povo. Com os ingressos constantemente esgotados, Moracy do Val deu sua cartada mais ambiciosa, agendando uma data no Maracanãzinho. Outro êxito extraordinário, que marcou não só a carreira da banda como o amadorístico cenário pop brasileiro. O trio de pirilampos interplanetários parecia pronto para saltos ainda maiores.

Ascensão e queda















Àquela altura, a fama do grupo já era notícia em outros países. Matéria na revista americana Billboard, sucesso no México (onde venderam 250 mil discos), enquanto os jornais davam conta de shows programados para a América do Norte, Europa (incluindo a Copa da Alemanha) e Japão.

Contudo, ao mesmo tempo em que experimentava um brilho até então raramente direcionado a artistas brasileiros, o Secos & Molhados dava os primeiros sinais de desgaste. João Ricardo (líder, principal compositor, mentor e controlador assumido) não escondia o ciúme do sucesso de “Rosa de Hiroshima” (música de Gerson Conrad) e teria mesmo chegado a agredir o colega nos bastidores de um show. Ao mesmo tempo, o empresário Moracy do Val foi detido pela Polícia Federal nas escadas do avião que levaria o grupo ao exterior, acusado de desvio de documentação. Sentindo-se alienado de seus poderes, magoado, rompeu todos os contratos. Foi a deixa para que João Ricardo criasse a S&M, administrada pelo próprio músico e por seu pai.


Nesse ínterim, embarcaram para a turnê mexicana, agenciados pelo poderoso empresário Marcos Lázaro, que cuidava da carreira de Roberto Carlos e Elis Regina, entre outros. Apesar do clima tenso entre a banda, a turnê foi um enorme sucesso, com um dos shows sendo televisionado para os Estados Unidos. Alguns produtores americanos chegaram a sondar o grupo para shows em Nova York e, segundo Conrad, um deles até teria sugerido que a banda se transformasse numa espécie de “novos Monkees”, com produtos licenciados e merchandising.















Vem dessa época também o divertido boato de que teriam influenciado o grupo americano Kiss. Ney Matogrosso declarou anos depois: “Um produtor americano nos propôs uma carreira com um som ‘mais pesado’, então não fomos. Não deu nem cinco meses, e o Kiss apareceu com o tal som pesado.”














Em junho de 1974, eles gravaram o segundo álbum em absoluto pé de guerra, lutando por maior participação artística e divisões mais justas. Menos roqueiro, superproduzido, o disco seguia de forma menos inspirada a fórmula do disco anterior. Durante as gravações, Ney e Gerson receberam o contrato da S&M para que dela fossem funcionários. “Foi a gota d’água”, segundo Conrad.














Quando o novo disco (de novo batizado de Secos & Molhados) seria lançado em aparição em rede nacional no Fantástico, Ney e Gerson anunciam que estão deixando o grupo. Era agosto de 1974 e, apesar do sucesso de faixas como “Flores Astrais” (regravada anos depois pelo RPM), e das boas vendas iniciais, o disco foi tido como natimorto pela própria gravadora. Todos os três partiram para carreiras-solo, todas com momentos brilhantes. Como já era esperado, a mais bem-sucedida foi a de Ney Matogrosso, que construiu trajetória como o maior showman do Brasil.

















Depois de dois álbuns de repercussão velada, João Ricardo voltou a usar o nome Secos & Molhados no final de 1977, com Lili Rodrigues (de timbre vocal bastante próximo ao de Ney), Wander Taffo (guitarra), João Ascensão (baixo) e Gel Fernandes (bateria). A despeito do esquema promocional e de uma música incluída em trilha de novela global (a interrogativa “Que Fim Levaram Todas as Flores?”), o projeto não vingou. O violonista tentou por diversas vezes ressuscitar o grupo ao longo dos anos seguintes, mas o impacto nunca se repetiu.

















Decerto, o Secos & Molhados criado por João em 1970 tinha muito a fazer. Mas deixou, de qualquer forma, uma marca musical e libertária sem precedentes na cultura brasileira. O brilho foi fugaz, mas intenso.

Glitter tropical





















Assim como o americano, o glitter rock brasileiro tem profundas ligações com o teatro – a começar pelas ligações de Ney Matogrosso com as artes cênicas. A purpurina e as plumas que adornavam o figurino da banda já eram famosas no show biz brasileiro graças à escrachada trupe de atores-bailarinos Dzi Croquettes (de Lennie Dale, Paulette e Ciro Barcellos). Com a fama do Secos & Molhados, então, surgiu toda uma confraria de pavões misteriosos.

A cópia mais deslavada foi a banda Assim Assado. Com o nome retirado de uma música do Secos & Molhados, o grupo usava maquiagem brilhante e foi formado pelo guitarrista Miguel de Deus, egresso do grupo tropicalista os Brazões. “Isso foi uma criação da nossa gravadora”, trata de justificar o guitarrista, tirando o corpo fora.

Na mesma época, e igualmente abusando da purpurina, veio o Achados & Perdidos, com ex-integrantes dos Diagonais. Outro padrinho glitter foi o vocalista Cornélius, do Made in Brazil, que foi ainda mais fundo no laquê com seu grupo posterior, Santa Fé.

Mas o mais cultuado dessa turma é o baiano Edy Star, lançado por Raul Seixas no disco coletivo da Sociedade da Grã-Ordem Kavernista, de 1971. Três anos depois, Edy lançou o álbum Sweet Edy, reivindicando a invenção da moda glam: “Eu já usava essas roupas e essa maquiagem nos anos 60!” (Texto Sérgio Barbo)
Fonte: http://super.abril.com.br/ (POR Redação Super ATUALIZADO EM 23/05/2015)


SÉRIE "DOIS MOMENTOS" DE CHARLES GAVIN RESGATOU OS DOIS PRIMEIROS ÁLBUNS EM 1999



















Tipo de iniciativa que é cada vez mais rara no Brasil de hoje, a série "Dois Momentos", da WEA/Continental, recuperou no final dos anos 90, em 12 CDs de "preço econômico", 22 álbuns dos anos 70 e 80 que andavam esquecidos nos sebos de discos de vinil.

O pacote (leia quadro nesta página) abrange discos de Paulinho da Viola, Walter Franco, Novos Baianos, Belchior, A Barca do Sol, Carlos Dafé, Branca di Neve, Pepeu Gomes, A Cor do Som, Zezé Motta, Guilherme Arantes, Olivia Byington. Promete continuar, em muito breve, com quatro títulos de Tom Zé em dois CDs.

A série dá continuidade a um projeto que relançou em um CD,  os dois LPs dos Secos & Molhados, que foram remixados diretamente das fitas originais. É conduzido por Charles Gavin, ex membro dos Titãs.

Repete-se um caso já comum nesse tipo de relançamento: a condensação de dois LPs em um único CD faz sofrerem os colecionadores, pelas limitações de projeto gráfico, pela feiúra das novas capas, pelo desprezo aos projetos originais, pela reunião de trabalhos que não necessariamente têm maiores conexões.

Gavin tenta contornar tais defeitos, com edições quase decentes, o que não apaga o vinco de subdesenvolvimento que ancora essas séries "econômicas" das gravadoras de cá -podiam fazer melhor, e por preços ainda baixos, se quisessem realmente; lá fora, os exemplos são abundantes e constantes.

Isso posto, há um bocado de coisas importantes no pacote -algumas das reedições são inquestionáveis.

Walter Franco, por exemplo, tem seus dois LPs essenciais colocados de novo na praça (eles já haviam sido relançados em edições melhores, mas tudo bem): os neoconcretistas "Ou Não" (o famoso disco da mosca, que inclui a perdedora de festival "Cabeça") e "Revolver".

Dos Novos Baianos, entram o terceiro e o quarto LPs, que encerravam a fase mais apegada ao samba-rock à baiana do grupo. "Novos Baianos F.C.", em especial, é um clássico.

Belchior é daqueles que têm reeditados dois momentos bem diversos de carreira. Se o LP de 79 é de sucessos comerciais como "Medo de Avião", o "Belchior" de 74, seu primeiro álbum até hoje inédito em CD, é história marginal da MPB. Concretista e altamente indigesto a padrões comerciais (apesar da presença de "A Palo Seco"), mostra o artista no auge de seu radicalismo, para o bem e para o mal. Viva a reedição.

De Paulinho da Viola, os dois títulos dos 80 não estão entre os mais marcantes de sua carreira -a WEA prometia o relançamento há anos, mas nunca disse que seria assim. E "Prisma Luminoso" (83), um tanto mais inspirado que os dois escolhidos, ficou de fora.

Um segundo setor engloba relançamentos curiosos e de qualidade mais variável. O grupo progressivo/regionalista de rock/ MPB dos 70 A Barca do Sol tem como curiosidades a produção de Egberto Gismonti e a participação, entre os membros, do futuro maestro diluidor Jaques Morelenbaum.

Guilherme Arantes, egresso também da cultura progressiva, exibe em dois LPs solo sua "popificação", que deu em resultados bem conhecidos.

A black music nacional é de novo pesquisada nos volumes de Carlos Dafé e de Branca di Neve. O primeiro é o soulman/sambista de fibra que cravou o hit "Pra Que Vou Recordar o Que Chorei" (hoje se converteu em pagodeiro alternativo).

Branca di Neve, morto durante as gravações do aqui presente "Branca Mete Bronca! Vol. 2" (89), pertencia à estirpe de samba-rock fundada por Jorge Ben e reproduzida com brilho por nomes injustiçados como Bebeto (e ele próprio).

Também em parte ligada a essa tendência (mas mais próxima ao samba-soul de Luiz Melodia que ao samba-rock de Jorge Ben) era a cantora-atriz Zezé Motta, de carreira musical inconstante desde o início.

O pacote de Gavin, mais uma vez, se esquece de um estranho e pouco conhecido disco de Zezé Motta em parceria com o ex-Secos & Molhados Gerson Conrad. Lançado em 75, o LP é uma das senhas para a interligação das várias modalidades musicais nacionais dos 70 (samba-rock, cultura hippie, rock pesado). Ficou para uma próxima.

Entre os títulos de Pepeu Gomes e A Cor de Som reaparecem as consequências da cultura hippie dos Novos Baianos -A Cor do Som veio de dentro dos NB; Pepeu Gomes, por sua vez, veio de dentro da Cor do Som.

Por fim, a cantora Olivia Byington aparece também em dois momentos bem distintos, o primeiro deles (de 78) anterior a sua identificação como cantora da era decadente dos festivais (participou do "MPB Shell 81" da Globo; aliás, participou também do festival de agora).

Está aí um naco do baú ainda cheio das gravadoras WEA e Continental. Há muito a fazer por eles ainda (e muito a fazer com mais capricho e investimento, também). Mas é um começo. (Texto de Pedro Alexandre Sanches)
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/

Discografia Secos & Molhados

1973 - Secos & Molhados

















1974 - Secos & Molhados (II)

















1978 - Secos & Molhados (III)













1980 - Secos e Molhados (IV)

















1980 - Secos & Molhados ao vivo no Maracanãzinho (1974)

















1988 - A Volta do Gato Preto

















1999 - Teatro?
















2000 - Memória Velha

















2011 - Chato-Boy





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