segunda-feira, 10 de outubro de 2016

SOM IMAGINÁRIO (HISTÓRIAS DO ROCK NACIONAL)




























Som Imaginário foi uma banda brasileira formada no princípio da década de 1970. Criada primeiramente para acompanhar o cantor Milton Nascimento no show "Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário". Contou com a participação do músico Wagner Tiso antes de sua carreira solo. O músico Frederyko (ou Fredera), também pintor, escultor e jornalista, era o guitarrista. Tavito (violão), Robertinho Silva (bateria), Luiz Alves (baixo), Naná Vasconcelos (percussão) e Zé Rodrix (vocais e piano) foram outros músicos que mais tarde ganharam notoriedade que também passaram pela banda.






























O grupo passou por várias mudanças de formação e lançou no total três discos. Matança do Porco, provavelmente o mais progressivo, contou com os vocais de Milton Nascimento. Além deste artista, o Som Imaginário acompanhou em gravações MPB-4, Taiguara, Marcos Valle, Gal Costa, Odair José, Carlinhos Vergueiro, Sueli Costa e Simone, dentre outros.





























Em 2012, depois de quase 40 anos depois da última apresentação do grupo, a reunião de Wagner Tiso , Luiz Alves, Robertinho Silva , Tavito e Nivaldo Ornelas no projeto “Wagner Tiso e o Som Imaginário" , tornou-se um momento histórico para a MPB e para a memória das raízes da nossa música instrumental. Com apoio do Sesc, o grupo fez 3 apresentações na unidade do Belenzinho e depois não parou mais.























Cidades como São Paulo, Brasília, Sorocaba e Araraquara lotaram seus teatros e aplaudiram a volta do grupo ao circuito musical.

Em Belo Horizonte, o show levou mais de 5 mil pessoas à Praça do Papa.

No início de 2013, o maestro Wagner Tiso, preocupado em buscar uma sonoridade ainda mais autêntica e “progressiva”, como era nos anos 70, convidou o guitarrista Victor Biglione para ser o sexto integrante do grupo.





























Em sexteto, o show do “Som Imaginário” fechou a Virada Cultural de São Paulo com um show memorável no Theatro Municipal e também estreou no Rio de Janeiro, na casa de shows “Circo Voador”, onde consagrou-se definitivamente como um dos mais importantes grupos musicais do Brasil e está em atividade até hoje.




Wagner Tiso e Som Imaginário


























Depois de 40 anos do primeiro LP do "Som Imaginário" , Wagner Tiso convida Nivaldo Ornelas, Robertinho Silva , Luiz Alves Tavito e Victor Biglione para relembrarem  arranjos e canções  do grupo, que é considerado "seminal" da Música Instrumental Brasileira .

Criado , inicialmente, para acompanhar Milton Nascimento no show "Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário", sua formação inicial incluia Wagner Tiso, Luiz Alves Robertinho Silva e Zé Rodrix.




























Depois, o grupo teve muitos outros participantes nas suas diversas  fases:  Tavito e Fredera, no auge do sucesso do grupo ; depois  chegaram Nivaldo Ornelas, Toninho Horta , Nana Vasconcelos, Jamil Joanes e Paulo Braga, na última fase mais instrumental.

A fusão entre o erudito, o jazz, o regional e o rock progressivo, poderia classificar o "Som Imaginário" , que abriu um novo conceito musical no Brasil e deu características peculiares a discos importantes  do Milton Nascimento como "Clube da Esquina" e "Milagre dos Peixes".

A penúltima apresentação do "Som Imaginário" foi em 1974, no show ao vivo “Milagre dos Peixes”, com Milton Nascimento. Depois, o grupo se reuniu em 1976 antes do maestro Wagner Tiso ir morar em Los Angeles.






























A Cronologia da Volta 




























Em 2012, a reunião de Wagner Tiso , Luiz Alves, Robertinho Silva , Tavito e Nivaldo  Ornelas no projeto “Wagner Tiso e o Som Imaginário" , tornou-se um momento histórico para a MPB e para a memória das raízes da nossa música instrumental.


























Com apoio do Sesc, o grupo fez 3 apresentações na unidade do Belenzinho, em São Paulo, para o projeto Álbum,  e depois não parou mais.

O Som Imaginário já esteve em cidades como Brasília , Sorocaba, Araraquara e Belo Horizonte, onde o grupo reuniu 5 mil pessoas na praça do Papa.





























O encontro com Lô Borges foi no Sesc Itaquera.

No início de 2013, o projeto Wagner Tiso e Som Imaginário fechou a Virada Cultural de São Paulo com um show memorável no Theatro Municipal, recriando o LP "Matança do Porco".






























A partir do show do Theatro Municipal de São Paulo, Wagner Tiso, quis aproximar a sonoridade do grupo ainda mais ao estilo "progressivo" do som que era feito na década de 70 e, assim,  convidou o guitarrista Victor Biglione para ser o novo integrante do Som Imaginário.

No dia 15 de Agosto de 2013, com o show na casa "Circo Voador", no Rio de Janeiro, o grupo se consagrou definitivamente com uma apresentação histórica, que arrancou mais de 8 minutos de aplausos no final e a certeza de que a obra do Som Imaginário continua viva e atual.


(...) Impressionado com o talento de Lô, Milton começou a fazer algumas músicas junto com ele e a gravá-las em seus discos. Foi assim que, hoje, clássicas canções como "Para Lennon e McCartney", "Alunar" e "Clube da Esquina" foram registradas no disco Milton, que ele lançou em 1970, sempre com o parceiro Márcio Borges fazendo as letras e participando de uma maneira ativa dessas composições.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, surgia um grupo que, num futuro bem próximo, se tornaria o embrião musical do disco Clube da Esquina, o Som Imaginário. Formado pelo núcleo Robertinho Silva (bateria), Wagner Tiso (teclados), Luíz Alves (baixo), Tavito (violão), Laudir de Oliveira (percussão) e Zé Rodrix (teclados, voz e flauta), o Som Imaginário era essencialmente um grupo de rock progressivo, mas com influências jazzísticas e de bossa nova.

A banda havia sido formada no ano de 1970 para o espetáculo Milton Nascimento e Ah! O Som Imaginário, que fez um enorme sucesso, dando um impulso à carreira de Milton e resultando no disco Milton, gravado no final daquele ano. Antes disso, o show ? inicialmente planejado apenas para o Rio de Janeiro ? passou por São Paulo e Belo Horizonte. O sucesso dessa empreitada animou a chamada "turma de Minas" a tentar alguma sorte no Rio de Janeiro. Vários músicos se mudaram para a cidade em busca da tal efervescência cultural. "O Som Imaginário se tornou uma espécie de porto seguro para o pessoal novo, que estava chegando de Minas", lembra Wagner Tiso. E todos eles viam  Milton Nascimento como o elemento aglutinador de tudo isso." Extraído do Livro "Coração Americano" - de Rodrigo James/ publicitário e jornalista, graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).  

Formações

Atual: 
Wagner Tiso - piano Nivaldo Ornelas - sax / flautas Robertinho Silva - bateria Luiz Alves - baixo Tavito - violão Victor Biglione - guitarra

Formação clássica

Wagner Tiso - piano e órgão
Tavito - violão
Luiz Alves - baixo
Robertinho Silva - bateria
Frederyko atualmente mais conhecido como Fredera - guitarra
Zé Rodrix - órgão, percussão voz e flautas

Outros integrantes

Laudir de Oliveira - percussão
Naná Vasconcelos - percussão
Nivaldo Ornelas - saxofone e flauta
Toninho Horta - guitarra
Paulinho Braga - bateria
Jamil Joanes - baixo
Fontes: Wikipédia, a enciclopédia livre, google e somimaginario-oficial.blogspot.com.br

Discografia

Som Imaginário (1970)
























Som Imaginário (Nova Estrela) (1971)
























Matança do Porco (1973)
























Com Milton Nascimento em Milagre dos Peixes ao Vivo (1974)














sexta-feira, 7 de outubro de 2016

OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS (DICA DE CINEMA)






































A dica de hoje vai para um filme que quando cheguei ao final pensei: como não tinha visto este filme antes!, trata-se de The Royal Tenenbaums (br: Os Excêntricos Tenenbaums; pt: Os Tenenbaums – Uma Comédia Genial) é um filme norte-americano de 2001, do gênero comédia, dirigido por Wes Anderson. A história da família Tenenbaum é narrada pela voz de Alec Baldwin, que dá o tom exato entre fábula e comédia de costumes à sua estranha trajetória.














Conheci o trabalho de Wes Anderson pelo ótimo "O Grande Hotel Budapeste" de 2014, realmente este é um diretor que pensa fora da caixinha, impressionante como estes dois filmes são atemporais, a fotografia dos dois são bem parecidas, uma característica que me parece ser a assinatura do diretor. O que mais gostei em "The Royal Tenenbaums" foi a forma que o diretor consegue tratar assuntos pesados e espinhosos com uma leveza e um humor tão peculiar, além é claro da ótima trilha sonora, que contou com clássicos do rock britânico como Beatles, Clash e Stones. Com um elenco estrelado que só o fato de conter nele o ator Gene Hackman, já valeria a pena assistir, sou fã deste cara, mas além dele o filme conta com ótimas interpretações de Bill Murray, Owen Wilson, Gwyneth Paltrow, Luke Wilson, Ben Stiller, Anjelica Huston e etc. Uma curiosidade do filme é que ele foi narrado pelo ator Alec Baldwin.  Encontrei este filme pesquisando na net dicas de títulos para assistir na Netflix, e ao ler as críticas, constatei que realmente o filme faz jus a todas estrelinhas que ganhou. Abaixo deixei uma ótima resenha do site Omelete sobre o filme da data de seu lançamento, escrito por Ederli Fortunato:

OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS









Royal Tenenbaum é um advogado de sucesso, que compra uma casa com jeito de castelo - incluindo bandeirolas nas torres - para alojar a família. Como num desenho animado, cada uma das crianças tem seu quarto num andar diferente, e todos são gênios. Chas, um rei das finanças que investe em imóveis aos onze anos; Ritchie, um fenômeno do tênis; e Margot, uma dramaturga que escreve a primeira peça aos nove anos.












Royal é um canalha, a mulher, Ethel, coloca-o porta afora e, mais tarde, o filho o processa e cassa seu registro de advogado. Ele vai à falência, mas como é um malandro de deixar brasileiro com orgulho - apesar de gringo - continua morando num hotel com todo conforto até ser enxotado de lá também. Se apenas com esse pequeno resumo, você já se sente em meio a um hospício, amarre os cintos porque a coisa ainda não terminou.











A princípio, a história não é nada original. Arrependido de suas sacanagens passadas, como dizer a todos e, a cada instante, que Margot é adotada, Royal (Gene Hackman) tenta se reconciliar com a família. A diferença está na realização.
















Os filhos, adultos, parecem congelados em seu momento de glória, apesar de já não serem os gênios maravilhosos de antes. Margot (Gwyneth Paltrow) continua usando os mesmos vestidos e o mesmo rosto inexpressivo. Ritchie (Luke Wilson), apesar de ter afundado sua carreira, continua com seu uniforme de tenista. Chas (Ben Stiller) trocou o terno por agasalhos, mas isso não é um elogio. Para sua volta ao lar, Royal inventa que está morrendo, e Ethel (Anjelica Houston) acredita não uma, mas duas vezes na mesma cena. Tudo isso apimentado pelo amigo de infância chapado Ely Cash (Owen Wilson), que sempre quis ser um Tenenbaum, Danny Glover, como o contador de Ethel, e seu pretendente, e Bill Murray como o analista e marido (traído) de Margot.


















A sensação de uma realidade um tanto doida continua com os capítulos de um livro que aparecem introduzindo as cenas numa Nova York sem táxis amarelos e superpovoada de camundongos dálmatas. Com tudo isso, dizer que o filme tem um final feliz parece estranho, ainda mais que uma das personagens morre, mas não é isso que interessa. O grande barato dos Tenenbaums é a viagem de conhecê-los.    
Fonte: https://omelete.uol.com.br








SURTO CONTEMPORÂNEO

I

O Intelectual Brasileiro

Intelectual brasileiro
destila seu veneno
tudo o que valha ao próprio ego
é parasitário
esquerdista partidário
compõem bossa na praia para passarinhos
saraus são tão monótonos
como a substância do seu pensamento
intelectual brasileiro
vampiros da vanguarda
querem que cobrem meia
mas querem receber inteiro
passeiam na Paulista de sandália
coque samurai no cabelo
de barba cheia e muito bem aparada
adoram qualquer música que tenham batucada
intelectual brasileiro
é vegano, feminista, marxista e LGBT
um pouco de tudo e muito de nada
intelectual brasileiro
consegue num discurso inteiro
o que talvez se resuma numa palavra
arrogantes
cagam regras
narcisistas sem espelhos
apedeutos diplomados
fazem passeata
adoram uma mamata
e fazem vista grossa
e choram se a cerveja artesanal
do botequim da moda não estiver gelada
se julgam rebeldes
são tão infantis
revolucionários com mesada
Intelectual brasileiro 
Fala mau da globo mas não dispensa o cachê
faz ponta em novela estereotipada
escrevem sobre realidades não vividas
de dores nunca sentidas
e te olham de cima para baixo
com ar de superioridade
já perdi meu tempo com estas linhas
obrigado pela inspiração!
vê se não se meta na minha
vá caçar coquinhos
e leve com você seu banquinho
e seu enfadonho violão
e não me encha o saco!

II

O Lar dos Covardes

Eles abandonaram a maturidade 
e preferiram a inocência 
largaram o nosso rock
por uma malemolência 
tão endêmica
que tornou tudo, tudo, tudo
muito mais careta
eles foram manipulados 
mas não largaram a soberba
tornaram-se aquilo
que combatiam,
recusavam e enfrentavam
fizeram "oposição" a favor
só se for 
mesmo
neste canto verde febril do planeta
o poeta pediu
Brasil
mostre a sua cara!
mas você
preferiu
se esconder atrás de uma máscara
de uma falsa "anarquia"
importada do primeiro mundo
e ainda reclama quando a mesada atrasa!
enquanto o verdadeiro povo 
continua a pagar sua conta
isso mesmo, vá e se esconda
procure abrigo no lar dos covardes!

III

O Amigo

Olha o amigo aí
"amigo dos pobres"
amigo do inimigo
inimigo do povo
amigo imaginário!

Olha o amigo lá no alto
avoando no jato
olhando pra baixo
lavando dinheiro
sorriso amarelado
"amigo da África"
amigo de Cuba!

Olha o amigo lá
na folha de pagamento
contando dinheiro
convencendo convertidos
apenas um grupinho 
tão pequeno que já foi tão grande!
traindo um país inteiro

sobraram apenas os míopes
classe média vermelha
e abaixo à hipocrisia
quem diria que o amigo aí
seria o pai do desemprego, 
do desamparo, da volta da inflação
será que ele não entendeu o que o povo mais anseia

contar com um amigo de verdade,
daqueles que dividimos os dias
amigo no trabalho, na escola ou na feira
amigo que se queira!
olha o "amigo" do pai aí
capitalizando o capital alheio
em nome da filantropia
Quem diria, Marx também queria
cuba libre já!

IV

A hipocrisia é um ateu que reza em segredo
é o moralista novo do politicamente correto
é o socialista que acumula riqueza
e o rico blasé que tem crises de consciência.

É o líder que se diz porta voz do povo
que ele mesmo nunca ouve.
É o crítico do sucesso alheio pela inveja
e a inveja disfarçada de indignação.

A hipocrisia realmente é um político nato.
É o promíscuo que não gosta de palavrão
e o virtuoso da boca pra fora
é aquele cristão só da porta da igreja pra dentro.

É o pastor avarento!
A hipocrisia é um odioso
que vive cobrando amor
do outro. 

V

A supervalorização do prazer
chegou em seu ápice na modernidade
um surto generalizado de hedonismo 
como se o prazer fosse o único bem 
intrínseco da vida

A nossa busca pela felicidade não tem nada a ver com isso,
a ela servimos cada dia de nossa luta individual
em busca do esperado sentimento do dever cumprido,
da realização completa de nossos valores mais íntimos

servimos melhor a qualquer coletividade 
respeitando a individualidade de cada um
e nos sentimos mais livres quando aprendemos isso,
e o efêmero uso de recursos artificiais para alimentar nossos egos,
de prazeres enlatados, só resultaram em grandes frustrações

A depressão será tão certa quanto as horas dos dias,
nenhuma maquiagem dura na cara por tanto tempo
e alteradores de consciência são muletas feitas de madeira fraca,
um dia te levará ao chão e então terá que se apoiar na realidade a força,
e essa busca louca por prazer a todo custo não valerá a escravidão eterna do próprio vício 
é o que eu tenho dito!

VI

Faça uma coreografia sem sentido, 
recite um texto desconexo,
crie um cenário disfuncional
toque um instrumento desafinado
seja irritante!
batuque incessantemente uma mesma batida
faça performances escatológicas
dê aquele toque retal
e as chame de "transformação subjetiva do corpo".
diga que o feio é belo
cante semitonado  
faça colagens infantis 
modele uma escultura disforme
rabisque qualquer coisa de tinta e o intitule de abstrato
justifique tudo com a soberba do seu nada
escreva poesia sem rima
invente novas palavras
faça um monólogo polissilábico sobre um mesmo tema
chame um amontoado de som e imagens de "cinema"
"invente" uma dança disrítmica
fique desnudo gratuitamente 
saia fora de qualquer contexto
chame isso tudo de nova arte
e ganhe a opinião da crítica acéfala!

VII

A verdade sempre foi uma "Persona non grata" no vocabulário de um hipócrita!

VIII

Nenhum Romance (Nova Canção)

As drogas que te fazem a cabeça
te aprisionam e escravizam
Anulam qualquer resquício
da personalidade que já teve um dia
Você se tornou figura do próprio clichê
um fantoche do próprio vício
E não há nenhum romance 
neste seu suicídio!

Ninguém mais te levará a sério
Ninguém mais lhe dará ouvidos
Olhe bem para o espelho
e eu te apresento o teu inimigo
E não há nenhum romance
neste seu suicídio!

A realidade pode ser difícil 
as vezes precisamos de uma boa dose de alienação
mas prazeres artificiais cobram um preço caro
use melhor sua imaginação
busque a arte, o trabalho, a amizade
e a real liberdade lhe dará atenção

Pense alto eleva seu espírito 
assumir erros é a tua porta 
para própria evolução
sempre podemos escrever uma nova canção
Olhe bem para o espelho
e reconheça o teu inimigo
porquê não há nenhum romance
neste seu suicídio! 



Igor Motta
2016











quarta-feira, 5 de outubro de 2016

EL CUERPO (DICA DE CINEMA)






































Minha dica de cinema hoje vai para "El Cuerpo", um Thriller policial espanhol dirigido por Oriol Paulo de 2012, estrelado por José Coronado, Hugo Silva, Belén Rueda e grande elenco, disponível na Netflix. Sou um grande fã do gênero suspense de filmes, e de um tempo para cá tenho encontrado no cinema estrangeiro, principalmente as de língua espanhola, ótimos títulos.   












Foi o que aconteceu com o "El Cuerpo", um suspense daqueles que nos prendem a atenção, uma história muito bem contada e costurada, onde a morte é um fio condutor para uma trama intrigante e com ótimas interpretações. Um detetive veterano e traumatizado, um necrotério, um corpo desaparecido, um suspeito e um final cheio de reviravoltas e inesperado. Por isso hoje indico este ótimo filme para os fãs de cinema. 














Sinopse


O detetive Jaime Peña (José Coronado) esta investigando o caso de um corpo desaparecido do necrotério, após um guarda-noturno do local ser atropelado. O corpo é de uma poderosa mulher, Mayka Villaverde (Belén Rueda). Há muitas questões sem resposta e ninguém parece ser quem diz, ao mesmo tempo que escondem algo sobre o passado de Mayka. Ele conta com a ajuda do marido dela, mas uma intrincada rede de interesses surge no meio da investigação.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

JOE STRUMMER: O FUTURO ESTÁ PARA SER ESCRITO (DICA DE CINEMA)






































Desde que vi este filme disponível na Netflix me cobrei a reservar um tempo para vê-lo. Trata-se de "Joe Strummer: O Futuro está para Ser Escrito", lançado em 18 de maio de 2007 (Irlanda). Há tempos que gostaria de tê-lo assistido, mas os anos foram se passando e outros títulos que surgiram foram tomando minha atenção, porém como o próprio protagonista do documentário diz no filme: "As pessoas podem mudar o que eles querem, e isso significa que você pode mudar qualquer coisa no mundo".

Reservei este tempo e enfim conferi mais um grande documentário musical, de uma lenda, figura importantíssima do cenário punk rock e da cultura pop mundial. O filme em grande parte é narrado pelo próprio músico, desde sua infância, mudando-se de um canto a outro por conta do trabalho de diplomata do pai, sua vida escolar, os primeiros contatos com a música e a arte, o trauma da perda precoce de seu irmão que se suicidou, as primeiras bandas até chegar ao auge com o The Clash. 

Julgo o valor de um filme por sua capacidade de me fazer pensar, além de uma boa narrativa e de um bom acabamento visual e no caso de documentários, a riqueza de arquivos e de depoimentos apresentados. Posso adiantar que o filme cumpre muito bem estes papeis. Joe Strummer em si já era uma figura comunicativa, verborrágico, contraditório, apaixonado, um pensador sagaz e um músico explosivo e de muito feeling, além de um letrista muito talentoso.  Por isso e muito mais é que indico este filme hoje, se você leitor fã de música, de história e cinema ainda não viu  "Joe Strummer: O Futuro está para Ser Escrito", não perca seu tempo e procure assistir, como eu disse antes o filme está disponível no serviço de Streaming da Netflix. Abaixo uma ótima resenha de um site especializado que resolvi transcrever aqui. 
























JOE STRUMMER: O FUTURO ESTÁ PARA SER ESCRITO

O Futuro Está para Ser Escrito é um filme documentário de 2007 dirigido por Julien Temple sobre Joe Strummer, o vocalista dos britânicos do punk rock banda The Clash. "The Future Is Unwritten" ganhou o British Independent Film Awards como Melhor Documentário britânico 2007. O filme estreou 20 de janeiro de 2007 no Sundance Film Festival 2007.

Joe Strummer mudou a vida das pessoas para sempre, depois de sua morte, sua influência se estende ao redor do mundo, com mais força do que nunca. Em "The Future Is Unwritten", do diretor de cinema britânico Julien Temple, Joe Strummer é revelado não apenas como uma lenda ou músico, mas como um verdadeiro comunicador dos nossos tempos.

Baseando-se em ambos a história do punk compartilhado e a estreita amizade pessoal que se desenvolveu ao longo dos últimos anos da vida de Joe, o filme de Julien Temple é uma celebração de Joe Strummer antes, durante e após o Clash. Julien Temple dirigiu muitos videoclipes para nomes como David Bowie e Rolling Stones, e documentários sobre o universo da música, principalmente sobre a banda punk Sex Pistols.

Sex Pistols Number I (1977) foi uma de seus primeiros filmes sobre a banda ícone do punk rock dos anos 70. Três anos depois, filmou The Great Rock’n’ Roll Swindle e em 2000 o filme O lixo e a Fúria, que ganhou o prêmio de melhor documentário pela Chicago Film Critics Association. O filme carrega um teor autobiográfico. Julien Temple viveu na mesma época de Joe Strummer, passou pelas mesmas transformações, desde os anos 60 e o movimento hippie passando pelo movimento Punk.

Dessa forma, o diretor sentiu uma facilidade maior em retratar Joe e o cenário que o rodeava, já que havia sido o de sua juventude. A trilha sonora oficial foi produzida por Ian Neil, Julien Temple, e Alan Moloney. É uma mistura de clipes de palavras faladas a partir de entrevistas com Joe Strummer e outros, faixas de suas várias bandas (incluindo várias faixas raras ou inéditas de The Clash).Seleções ecléticas de outros músicos que Strummer jogados em seu BBC World programa de rádio London Calling de 1999-2002 (alguns dos quais incluem a introdução falada), mostrava a sua musicalidade de forma eclética .



























The Clash trouxe para a música britânica e internacional muitas inovações. Misturando punk, blues, reggaes, ska e composições mais acessíveis, o grupo surgiu em 1976 e lançou sucessos como “London Calling” e “Should I Stay or Should I go”, com Joe nos vocais, Mick Jones na guitarra, Paul Simonon no baixo e Nicky Headon na bateria. O grupo foi um dos primeiros de Punk Rock a sair da Inglaterra e fazer sucesso fora do país, realizando uma turnê nos Estados Unidos.

Strummer nasceu em Ankara na Turquia. Sua mãe, Anna Mackenzie, era enfermeira de origem escocesa. Seu pai, Ronald Mellor, um indiano que trabalhava como diplomata de serviços estrangeiros nas ilhas britânicas. Sua família gastava muito tempo se mudando de um lugar para outro, e Joe passou partes de sua infância em Cairo, Cidade do México e Bonn.

Aos 9 anos, junto com seu irmão David (10 anos), começou a estudar na "City of London Freemen's School" em Surrey. Joe poucas vezes viu seus pais durante os sete anos seguintes à sua entrada na escola. Ele desenvolveu seu amor por Rock ouvindo gravações de Little Richard, Beach Boys e Woody Guthrie (Joe inclusive assumiu o apelido "Woody" por alguns anos).

Apesar de terem tido pouco impacto nas paradas dos EUA, a canção de The Who, do disco Quadrophenia do The Who 1973. É um álbum duplo e segundo do grupo ópera rock. A história segue um jovem “mod” chamado Jimmy e sua busca de autoestima e importância, definir em Londres e Brighton em 1965. É o único álbum do The Who para ser inteiramente composto pelo  líder do grupo Pete Townshend que pressagiava uma ferocidade musical e postura rebelde que caracterizou grande parte do primeiro punk rock britânico.



























Em 1970 seu irmão, David, se afastou da família entrou para o British National Front. Seu suicídio em julho do mesmo ano afetou profundamente Joe, que precisou identificar o corpo após 3 dias de desaparecimento. British National Front (BNF) (em português: Frente Nacional Britânica) é um partido político britânico de extrema-direita cuja atividade política atingiu o pico durante as décadas de 1970 e 1980.

Nas eleições gerais de 1979, obteve mais de 190 mil votos, terminando em sexto lugar, com mais votos do que o Partido Unionista Democrático. É considerada uma agremiação racista por aceitar apenas membros de cor branca. O sistema prisional e policial britânico proíbem a filiação tanto de seus empregados ao partido.

Um ataque cardíaco roubou-nos a mais emblemática figura do punk pôs fim à vida de uma das mentes mais brilhantes e combativas do rock inglês.Quando Joe Strummer foi encontrado sem vida, poucos meses depois de cumprir 50 anos, houve quem arriscasse que havia sido vítima de overdose. Principalmente, para os que não seguiam este gênero musical, ele é sinônimo de niilismo violento com a destruição da sociedade como meta.



























Joe Strummer, o vocalista dos The Clash foi um dos protagonistas do resgate político que vários grupos encetaram para derrubar os muros que separavam os jovens punks da capacidade de sonhar, deu sentido à violência antissistema como resposta a problemas sociais e com a visão de um futuro melhor.

Os palcos onde tocavam os The Clash não eram mais do que a continuação da revolta por outros meios. Isto nos tempos de Margaret Thatcher. O fenômeno teve repercussão mundial. Dos subúrbios de Londres às montanhas da Nicarágua e dos confrontos no País Basco aos guetos norte-americanos, ninguém ficou indiferente à mensagem dos The Clash.

A única vez que tocaram em Lisboa foi, em 1981, em Cascais. Estavam dez mil pessoas e, por esses dias, o álbum Sandinista andava pelos tops das rádios portuguesas. O jornalista António Duarte foi, dias depois, foi ao País Basco, entrevistá-lo em Donostia. À revista Sete, Joe Strummer assumiu o direito da ETA de lutar pela independência, criticou severamente as Brigadas Vermelhas e revelou-se simpatizante do IRA.

Durante a grave situação de Bobby Sands, em greve de fome, responde que o governo britânico é constituído por fascistas. Horas depois, morre o comandante do IRA na prisão de Maze. As letras dos The Clash revelaram-se hinos autênticos de uma juventude amordaçada. Cantaram aos trabalhadores, aos imigrantes, aos que lutavam contra o fascismo e o imperialismo.































O grupo de Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon e ‘Topper’ não durou muito. Mas os dez anos de atividade dos The Clash foram o suficiente para incendiar um rastilho que ainda hoje perdura. Não são poucos os músicos que assumem as influências que Joe Strummer deixou. Billy Bragg destaca Joe como o “motor político dos The Clash”. Bono Vox define o grupo inglês como a “mais importante banda de rock and roll” e como o “guia dos U2”. Outros, como Manic Street Preachers, Green Day, Public Enemy, Fatboy Slim, John Squire, afirmaram a sua orfandade ante a morte de Joe Strummer.

Joe Strummer era filho de um diplomata, motivo que o levou a nascer em Ancara, assumia que havia sido principalmente, Woody Guthrie a empurrá-lo para a música. Quando a notícia da sua morte estava a preparando um concerto, na África do Sul, em homenagem a Nelson Mandela. Estava para ser lançado o terceiro álbum dos The Mescaleros.

Depois do fim dos The Clash, Joe Strummer fizera parte da banda The Latino Rockabilly War e cantou ao lado dos míticos The Pogues. Hoje, anos depois da sua morte, Joe Strummer, deixou uma herança musical que persiste que é bem maior do que tudo o que criou. Punk já não é apenas dos que só querem a destruição desta sociedade. Dos que dizem não haver futuro. (Texto de Geraldo Costa)
Fonte: http://obviousmag.org/

Sinopse

Vocalista da banda The Clash,nos anos 70, Joe Strummer influencia até hoje gerações com sua personalidade e suas músicas. Sem medo de dizer o que pensava, foi um dos grandes nomes do Punk Rock. O documentário de Julien Temple reune imagens de arquivo nunca vistas e cenas inéditas do cantor, desvendando sua intimidade nas relações com os amigos e família, e a sua participação no cenário Punk. O filme é uma homenagem à um dos ícones da música britânica em suas fases antes, durante e depois do The Clash. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

LANÇAMENTOS DO ANO 2 - O ROCK INDEPENDENTE BRASILEIRO (PARTE 23) - THE BAGGIOS - BRUTOWN





Vou indicar aqui mais um lançamento de mais uma banda que acompanho já algum tempo. Já os indiquei nesta série sobre rock independente, e após ouvir seu mais novo trabalho, ficou notória a evolução, que essa galera do underground vem alcançando no cenário nacional. 

The Baggios - Brutown (2016)




















Em “Brutown”, seu terceiro álbum de estúdio, o The Baggios traz como conceito uma cidade que beira o caos e aborda temas que dialogam com o cotidiano do Brasil e do mundo. Com referências de sua cidade natal, o clima denso do disco é anunciado por “Estigma” e “Brutown”, que falam sobre violência e tempos sombrios, já em “Sangue e Lama” a banda retrata a tragédia de Mariana (Minas Gerais) e o massacre no Bataclan, em Paris. Produzido por Felipe Rodarte e pela própria banda no lendário Estúdio Toca do Bandido (RJ), é notável uma sonoridade ainda mais madura, novas experimentações e elementos. Com a necessidade de seguir novas direções e ampliar as possibilidades nos arranjos, saindo da zona de conforto da “guitarra/bateria”, a banda convidou o músico Rafael Ramos (teclas e baixo) para somar nas gravações do disco, dando mais peso e novas texturas.
















O The Baggios também convidou artistas que são influências para eles de alguma maneira; Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), canta em “Saruê”, Fernando Catatau (Cidadão Instigado), toca guitarra em “Soledad”, Emmily Barreto (Far From Alaska), empresta sua voz para “Estigma”, Gabriel Thomaz e Erika Martins (Autoramas) fazem backing vocal em “Desapracatado”. Além deles, Felipe Ventura (Baleia) toca violino e fez arranjo de cordas em “Soledad” e “Miquim”. (Texto site oficial)

Fonte: http://www.thebaggios.com.br/













Vou falar agora sobre faixa a faixa de "Brutown", tentando com clareza dizer minhas impressões sobre o álbum.  Começando com "Estigma", um forte riff inicial com um groove soul de metais, pesado e empolgante, a letra pessimista retratando os nossos tempos atuais, direto e reto sem rodeios, com Julio Andrade (guitarra e voz) dividindo os vocais com Emmily Barreto do Far From Alaska; foi interessante ouvir  Emmily cantando em português, mas confesso que senti a falta de seus drives característicos. Entra a segunda faixa que dá o título ao álbum, "Brutown", o órgão em especial traz todo um clima do rock setentista de bandas como o Deep Purple e Uriah Heep, ótimos riffs e solos de guitarra, letra reflexiva e refrão estilo grito de ordem, deixando claro "Luta ou Caos", o que devemos escolher?.  A terceira "Desapracatado" com Gabriel Thomaz e Erika Martins do Autoramas fazendo os backing vocals, voltam aos anos 60, influências da Surf Music, como se os Beach Boys apertassem os pedais de distorção de suas guitarras, letra irônica que nos remete os The Baggios do inicio de carreira. A quarta "Sangue e Lama" é um blues rock sessentista pesado, uma balada triste retratando a tragédia de Mariana (Minas Gerais) e o massacre no Bataclan, em Paris. Na quinta faixa, "Alex San Drino", me lembrou o Mod da banda paulistana Ira!, são bem claras as influências dos anos 60 e 70, uma tendência cada vez mais forte no cenário nacional, que é voltar ao passado, aos melhores tempos do rock. Entra a sexta faixa, "Saruê", o baixo marcante da introdução nos remete ao maracatu atômico da Manguebeat, e a participação de Jorge Du Peixe da Nação Zumbi só acentua a clara influência do estilo na música. "Miquin" a sétima, uma ótima balada roqueira, as cordas de Felipe Ventura (Baleia), fazem dueto com o slide da guitarra de Julio Andrade na introdução, os arranjos de cordas são muito bonitos de se ouvir, um ótimo solo um pouco psicodélico de guitarra no meio, e uma letra sobre o sofrimento que as dúvidas do amor e da vida nos impõem, uma solidão de um provavelmente amigo do autor. "Como um tiro de Bacamarte" oitava faixa, uma súplica de amor por um desafeto que se foi, o som lembra bastante os trabalhos anteriores do duo, guitarra e bateria numa levada mais Stoner rock. A nona faixa "Medo" volta com a levada hard setentista com órgão, misturado com o baião nordestino, a letra nos remete ao velho Raul Seixas não só no sotaque, só que bem mais pesado. A décima faixa "Vivo pra mim" é a mais swingada e bem funkeada, voltando com os metais da primeira, ótima para se dançar. "Padece ser" começa com violão, mais logo se eletrifica e mantem o groove pesado, já bem característico da banda. "Soledad" fecha o álbum, completamente diferente do restante, com a participação novamente de Felipe Ventura no piano e nos arranjos de cordas e sopros, letra triste e melodia melancólica, com os solos dobrados da guitarra de Fernando Catatau (Cidadão Instigado), fechando assim esse ótimo disco. Gostei bastante do que vi e ouvi, as músicas são curtas, pesadas e diretas, como um bom álbum de rock deve ser hoje em dia, mantendo a qualidade dos outros álbuns da banda, mas com uma leve sofisticação nos arranjos e na produção.