terça-feira, 7 de junho de 2016

CONVERSAÇÕES COM JIM MORRISON (ABRINDO AS PORTAS DA PERCEPÇÃO)














Eu sou um grande fã da banda The Doors desde minha adolescência. Conheci a banda por intermédio de um amigo de escola, ainda no ginásio, ele tinha uma foto de Jim Morrison em seu caderno, fiquei curioso em saber de qual banda tratava-se aquela figura. Foi assim pela minha curiosidade e minha cara de pau que fiz amizade com este colega, após isto ele me emprestou o álbum duplo The Best of The Doors, daí em diante fui fisgado pelo som psicodélico dos anos sessenta. Até então eu ouvia muito rock pauleira, heavy metal, hard rock e não sabia quase nada da própria história do rock, do blues e etc.

Ainda não me interessava em literatura, poesia, em outros tipos de arte a não ser quadrinhos e desenhar, já curtia bandas nacionais, principalmente seus textos, mas posso afirmar que foram os Doors que abriram minha mente para a leitura, para outros tipos de som, até para a música brasileira, que e eu até ouvia, mas não me importava tanto, não a toa o nome da banda são: "As Portas".

Fui colecionando seus discos, vídeos, matérias de revistas, alguns livros e então assisti ao filme de Oliver Stone de 1991, que conta a história da banda e principalmente a de Morrison, interpretado por Val Kilmer. Já escrevi sobre o filme por aqui, na época em que vi a primeira vez nos anos 90 até que gostei, mas hoje acho o Morrison de Oliver Stone uma caricatura de mau gosto do verdadeiro.  

Depois de ler o suficiente sobre o cantor, conhecer sua forma de pensar e agir, seus escritos e entrevistas, sua biografia, depois de assistir ao grande documentário sobre a banda "When You're Strange" de 2009 dirigido por Tom DiCillo, tomei conhecimento de um Morrison diferente, certo que sim, ele era uma pessoa polêmica, que muitas vezes teve atitudes inconsequentes, mas também um artista inspirado, sensível, extremamente inteligente e culto. Sabia muito bem vender sua imagem, seus movimentos e suas performances de palco muitas vezes eram muito bem calculados, sabia muito bem a mensagem que queria passar para o seu público. A tragédia em sua vida foi justamente por conta de padrões de comportamento, típico do cenário artístico, da combinação perigosa do uso de substâncias químicas e o alcoolismo, que fizeram além dele, muitas outras vítimas no cenário da música pop, entrando na lista do conhecido clube dos 27.    

E foi justamente por isso, que resolvi aqui, transcrever um pouco do pensamento de Morrison, alguns trechos de livros, poesias e entrevistas, retirados do meu próprio acervo pessoal.

"Eu acho que mais do que escrever e fazer música, meu maior talento é que eu tenho uma habilidade instintiva de propaganda da própria-imagem. Eu era muito bom em manipular a publicidade com algumas frases do tipo 'políticos eróticos'. Tendo crescido com TV e revistas de massa, eu sabia instintivamente o que as pessoas iriam pegar, então eu soltava estas pequenas jóias aqui e ali, parecendo muito inocente; é claro, eu estava apenas chamando os avisos." - Jim Morrison, 1969


















AUTO-ENTREVISTA

Penso que a entrevista é a nova forma de arte. Penso que entrevistarmo-nos a nós próprios é a essência da criatividade. Colocarmo-nos perguntas e tentar encontrar respostas. Um escritor está apenas a responder a perguntas que não foram expressas.

É parecido com responder a perguntas na posição da testemunha. É este lugar estranho em que se tenta agarrar o que aconteceu no passado e lembrar com honestidade o que se estava a tentar fazer. É um exercício mental crucial.

Uma entrevista dá-nos muitas vezes oportunidade de confrontar o nosso espírito com questões, que para mim são tudo aquilo que a arte é. Uma entrevista também nos dá a oportunidade de eliminar o mero preenchimento de espaços em branco... devemos tentar ser explícitos, precisos, ir ao cerne da questão... nada de tretas. A entrevista tem antecedentes no confessionário, no debate, no interrogatório. A partir do momento em que se diga uma coisa não se pode voltar atrás. Já é tarde. É um momento muito vital.

Eu estou como que preso ao jogo da arte e da literatura; os meus heróis são artistas e escritores.

Sempre quis escrever, mas sempre achei que não seria bom, a menos que duma forma qualquer a mão pegasse na caneta e começasse a mover-se sem eu ter realmente nada a ver com isso. Como a escrita automática. Mas nunca aconteceu.

Escrevi alguns poemas, de facto. Acho que por volta do quinto ou do sexto ano escrevi um poema intitulado "The Pony Express". É o primeiro de que me lembro. Era um desses poemas tipo balada. Contudo nunca o consegui trazer à luz.

"House Latitudes" escrevi-o quando andava no Liceu. Eu tinha uma quantidade de cadernos, durante o tempo do Liceu e da faculdade, mas quando deixei os estudos, por alguma razão estúpida - ou talvez sensata - joguei tudo fora... Escrevia nesses cadernos noite após noite. Mas talvez se os não tivesse jogado fora, nunca tivesse escrito nada de original - porque eles eram sobretudo a acumulação de coisas que tinha lido ou ouvido, citações de livros. Acho que se não me tivesse desfeito deles nunca me teria tornado livre.

Ouçam, a verdadeira poesia não diz nada, apenas destaca as possibilidades. Abre todas as portas. As pessoas podem atravessar aquela que se lhes ajusta.

... e é por isso que sinto pela poesia este apelo tão forte - porque é eterna. Enquanto houver pessoas, elas podem lembrar-se de palavras ou combinações de palavras. Mas nada pode sobreviver ao holocausto a não ser a poesia e as canções. Ninguém consegue lembrar de um romance inteiro. Ninguém consegue descrever um filme, uma escultura, uma pintura, mas enquanto houver seres humanos, as canções e a poesia sobreviverão.

Se a minha poesia pretende atingir alguma coisa, é libertar as pessoas dos limites em que se encontram e que sentem. - Jim Morrison - Los Angeles, 1969-71













"As pessoas precisam de Fios
Escritores, heróis, estrelas,
dirigentes
Para dar sentido à vida.
O barco de areia de uma criança virado
para o sol.
Soldados de plástico na guerra suja
em miniatura. Fortalezas.
Navios de Guerra de Garagem.

Rituais, teatro, danças
Para reafirmar necessidades Tribais & memórias
um chamamento para o culto, unindo
 acima de tudo, um estado anterior,
um desejo da família & a
magia certa da infância".
Trecho do poema "Poder" dos escritos inéditos de Jim Morrison
extraído do livro: Abismos (assírio&alvim)

"Eu estava menos teatral, menos artificial do que quando comecei. Mas agora, tocamos para uma audiência cada vez maior. É necessário se projetar mais, exagerar, até chegar ao ponto do ridículo. Eu penso que sou um pequeno ponto no fim de uma enorme arena, você tem que compensar a falta de intimidade com movimentos expandidos." - Jim Morrison, 1969


No fim de 1970, Morrison resolveu engordar e deixar crescer a barba, para vestir uma imagem antiglamourosa à moda dos poetas beat. Rejeitava, assim, a cultura de massa que o havia alçado ao estrelato.

Decidiu também sair da banda e se devotar ao exercício literário. Paris lhe pareceu uma cidade inspiradora. Seu primeiro livro, a coletânea de textos The Lords, foi publicado em 1969 pela obscura Western Litographers de Nova York. A tiragem, limitada, era de cem exemplares. O livro, pequeno, juntava notas escritas nos tempos de faculdade para uma possível tese de estética.

 A banda tomava o tempo do poeta. No ano seguinte, já planejando seu adeus aos Doors, ele aumentou consideravelmente a obra. Teve publicados The Lords & New Crieation (pela prestigiosa Simon and Schuster), uma versão revista do livrinho de 69 e An American Prayer, poema longo, pela Western Litographers, cujos 200 exemplares, distribuiu para os amigos. Ainda em 1969 encontrou tempo para editar textos: uma "Ode a L.A. Pensando Em Brian Jones, Morto", distribuída em folheto durante a excursão dos Stones pelos EUA, e um artigo para a revista Eye.

Jim Morrison foi poeta de boa envergadura, um escritor pessimista e amante do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do poeta inglês William Blake, do francês Rimbaud e do beatnik norte-americano Lawrence Ferlinghetti.

Os textos de Morrison não chamam atenção pelos temas. Afinal "on the road", fuga, abandono, rejeição ao dinheiro e gozo erótico eram assuntos da beat generation, anterior aos hippies. Interessante no poeta é o espanto negativista que manifesta diante da chegada da civilização tecnológica. Morrison se amedronta com os novos paraísos artificiais proporcionados pela realidade virtual. O termo ainda não existia, mas ele o intuiu na Eye: "O olho é uma boca faminta/ que se alimenta do mundo/ Arquiteto de mundos de imagem/ que competem com o real". O olho, aqui, não é o humano, mas o olho panóptico dos meios de comunicação (como a internet hoje por exemplo). "As impressões estão me olhando", escreve.

Apocaliptico, o "Rei Lagarto" percebeu que o Éden tecnológico tenta inutilmente ocultar a tragédia do homem mortal: "Fomos pendurados de ponta-cabeça/ à beira da chatice/ Estamos buscando a morte/ na ponta de uma vela/ Estamos procurando alguma coisa/ Que já nos encontrou."

O Rei Lagarto quis alcançar a eternidade por meio da poesia. Sua obra ainda espera pelo reconhecimento. Os estudiosos da literatura americana a desprezam. Consideram-na fruto tardio da beat generation e não a incluem na série literária. Jim foi dos últimos roqueiros a terem encarado a arte como essencial ao homem. Saiu de cena, fechando a cortina de um século que se encerrava prematuramente. (trechos do texto de Luís Antonio Giron retiradas de um especial da revista Showbizz).

















Trechos da Entrevista a Lizze James (1967)

O que entende por "liberdade"?


Existem diversos tipos de liberdade, como também milhares de abordagens sobre o assunto... A espécie mais importante de liberdade é aquela que lhe assegura o direito de ser o que realmente é. Seu desempenho na realidade sempre se efetua através de um papel a ser representado. Você descarta sua capacidade de sentir e, na verdade, coloca uma máscara.

Não se pode efetuar uma revolução em larga escala se não houver primeiramente uma ao nível pessoal, individual.  A revolução tem de eclodir primeiramente dentro...Você pode não abalar uma pessoa tirando sua liberdade política, mas coibindo sua liberdade de sentir, decerto a destruirá.

Sobre a violência: na verdade, a causa do mal não é a violência ou a paixão louca por ela, mas as forças repressivas.

Isto é verdade, mas em certos casos a pessoa apaixonada pela violência engendra uma cumplicidade secreta com seus opressores. As pessoas buscam tiranos. Colaboram com eles e os sustentam. Cooperam cumprindo as regras e restrições, encantam-se com a violência através de suas breves rebeliões.

Trechos da entrevista à Danny Sugerman (1968)

Como é ser símbolo sexual?


Por algum motivo, não estou verdadeiramente convencido disso. Certas regras arquetípicas existem na sociedade humana. Esta sociedade procura deglutir e penso que esse é precisamente o tipo de assunto oportuno para isto. De qualquer maneira, os únicos lugares onde tal coisa é tomada a sério são algumas revistas e os jornais.

E a propósito de você ser aclamado como "rei do rock orgástico?" 

Considero esta uma grande homenagem. A música é muito erótica. Uma de suas funções consiste em purgação catártica das emoções. Chamar nossa música de orgástica é o mesmo que dizer que somos capazes de levar as pessoas a um tipo de orgasmo emocional, através das letras e do som.

O concerto "detona" quando os músicos e o público fundem-se, experimentando uma intensa forma de união. É aterrador e gratificante saber que as cadeias que separam as pessoas umas das outras são desmanteladas no espaço de uma hora. 

Trechos da entrevista à Salli Stevenson (1970)

Você é um herói?


Penso-me como uma pessoa inteligente, sensível, com a alma de palhaço que me impele a mandar tudo pelos ares nos momentos cruciais.

Se você pudesse hoje escolher, o que acharia mais importante: ser o Jim Morrison dos Doors ou tentar a carreira de cineasta?

Não posso negar que nestes três ou quatro anos passei ótimos momentos e conheci mais gente interessante que nos últimos vinte anos de existência. Mas não me arrependo. Mas se começasse tudo de novo, procuraria vivenciar a quietude do pequeno e incólume artista, caminhando por sua bucólica vereda.

Trechos da entrevista à Bob Choruch, do Los Angeles Free Press (1971)

Me interessou muito algo que você diz no livro The Lords: "O apelo do cinema reside no medo da morte"; poderia explicar isso?


Não falo em arte em geral, mas refiro-me principalmente aos filmes. As pessoas têm de confirmar suas próprias existências. Muitas coisas tornam-se mais reais se são fotografadas e criam uma aura de vida na tela. Mas estes pequenos aforismos que estão em The Lords, se pudesse dizê-los de outra maneira, eu diria. Seriam mutilados. Não os tomei muito a sério. Escrevi a maior parte deles quando estudava cinema na UCLA. Era na verdade uma tese de estética. Não estava preparado naquela época para fazer filmes, porém estava para escrever sobre o assunto.

Muitas passagens (principalmente aquelas que dizem respeito ao xamanismo) tornaram-se proféticas alguns anos mais tarde. Não tinha a menor ideia sobre o que estava dizendo quando os criei. 

No final de The Lords, você define os Lords como pessoas que controlam as artes.

É estranho, mas de certa forma foi isso que eu pensei. Não necessariamente detêm o controle das artes. Esse livro está repleto do sentimento de falta de poder e de auxílio que têm as pessoas frente a realidade. Não têm o poder de controle sobre os eventos ou suas próprias vidas. Alguém sempre os está controlando. A realidade mais próxima a que têm acesso é um aparelho de TV. Quando criei a noção de Lords pensei na oposição total a isto. Para mim, os Lords representam algo completamente diferente. Não posso explicar. Os Lords são uma raça romântica de pessoas que encontraram um meio de direcionar seu comportamento e suas próprias vidas. São totalmente diferentes das demais pessoas.

"As Novas Criaturas". Existem muitas criaturas com as quais você se identifica. Lagartos, cobras e répteis. Faz parte de sua reputação. O Rei Lagarto. Como isso começou?

Tive um livro sobre cobras e répteis que se inicia com a seguinte sentença: "Répteis são descendentes interessantes de magníficos ancestrais." Outra coisa que me fascina neles é seu completo anacronismo em termos de história natural. Se todos os répteis desaparecessem amanhã, isto não abalaria em nada o equilíbrio ecológico. São uma espécie completamente arbitrária. Penso que eles poderão resistir a outra guerra mundial ou a um envenenamento total do planeta. Os répteis encontrarão um caminho para isso. 

Isso se adéqua perfeitamente às suas idéias?  

Não podemos esquecer que os répteis são associados ao inconsciente e às forças do mal. O poema "Celebração do Lagarto" é uma longa evocação às forças da treva. Mas não tome isto a sério. São apenas palavras e as pessoas não as interpretam deste modo. Se você faz o papel de vilão num western, não significa necessariamente que este é o seu caráter. É apenas um aspecto humano que quer representar. Não estou afirmando nada seriamente, apenas tento ser um pouco irônico. 

Mas adoro os répteis. Cresci no Sul e habituei-me a caçar lagartos e sapos com chifres. Mas jamais consegui me aproximar das cobras. Nem consigo pegá-las com a mão. Existe algo muito profundo na mente humana que se relaciona com elas. Representam tudo o que mais tememos. Suas peles são esplêndidas e talvez por isso nos atraiam tanto.    




















A CELEBRAÇÃO DO LAGARTO

Leões na rua & deambulando
Cães com o cio, enfurecidos, espumando
Uma besta encurralada no coração da cidade

O corpo da sua mãe
Apodrecendo no chão veronil
Ele abandonou a cidade

Foi para o Sul
E atravessou a fronteira
Deixou o caos & a desordem
Para trás
Por cima do ombro

Uma manhã ele acordou num hotel verde
Com uma estranha criatura gemendo ao seu lado.
Suada lamacenta da sua pele brilhante.

Estão todos?
Estão todos?
Estão todos?
A cerimónia está prestes a começar.

ACORDEM

ACORDEM!
Vocês não se lembram onde foi
Terá este sonho parado?
A serpente era ouro pálido acetinada & encolhida
Tínhamos medo de tocá-la.
Os lençóis eram quentes e mortas prisões.
E ela estava a meu lado, velha,
Ele é, não; jovem.
O seu escuro cabelo ruivo.
A suave pele branca.
Agora, corre para o espelho da casa-de-banho,
Olha!
Ela vem para cá.
Não consigo viver em cada lento século do seu movimento.
Deixo a minha bochecha escorregar
O ladrilho fresco e suave
Sente o bom e frio sangue borbulhante.
Os silvos suaves, serpentes de chuva...

UM PEQUENO JOGO

Antes eu tinha um pequeno jogo
Gostava de rastejar no meu cérebro
Penso que sabes qual o jogo que me refiro
Refiro-me a um jogo chamado Enlouquecer

Agora devias tentar este pequeno jogo
Apenas fecha os olhos e esquece o teu nome
esquece o mundo, esquece as pessoas
E nós ergueremos um campanário diferente.

Este pequeno jogo é divertido de fazer.
Apenas fecha os olhos, impossível perder
E eu estou aqui, eu vou também
Liberta controlo, estamos a atravessar

OS HABITANTES DA COLINA

Bem no fundo do cérebro
Passando bem o limiar da dor
Onde nunca há nenhuma chuva

E a chuva cai suavemente sobre a cidade
E sobre as cabeças de todos nós

E no labirinto de correntes por baixo
Sossegada e celeste presença de
Nervosos habitantes do monte nos suaves montes de volta
Répteis com fartura
Fósseis, cavernas, frescas elevações de ar

Cada casa repete um molde
Janela rolou
Um carro de besta trancado contra a manhã
Todos dormem agora
Cobertores silenciosos, espelhos livres
Pó cega debaixo das camas de casais legítimos
Enrolados em lençóis
E filhas, enevoada com sémen
Olhos nos seus mamilos

Esperem! Ouve um massacre aqui

Não pares para falar ou olhar em volta
As tuas luvas e o leque estão no chão
Vamos sair da cidade
Vamos de fuga
E tu és aquela que eu quero me vir!!

NÃO TOCAR NA TERRA

Não tocar na terra, não ver o sol
Nada mais a fazer a não ser fugir, fugir, fugir
Vamos fugir, vamos fugir

Casa no topo do monte, a lua jaz quieta
Sombras nas árvores testemunhando a brisa selvagens
Anda, querida, foge comigo
Vamos fugir

Foge comigo, foge comigo, foge comigo
Vamos fugir

A mansão é amena no topo do monte
Ricos são os quartos e os confortos lá
Vermelhos são os braços de luxuosas cadeiras
E não vais saber nada até entrares lá dentro

Corpo morto do Presidente no carro do condutor
O motor funciona a cola e alcatrão
Anda connosco, não vamos muito longe
Para Este conhecer o Czar

Foge comigo, foge comigo, foge comigo
Vamos fugir

Alguns foras-de-lei vivem junto ao lago
A filha do ministro está apaixonada pela serpente
Que vive num poço junto à estrada
Acorda, rapariga, Estamos quase em casa

Sol, sol, sol
Queima, queima, queima
Lua, lua, lua
Apanhar-te-ei em breve... em breve... em breve!

Eu sou o Rei Lagarto
Posso fazer qualquer coisa

OS NOMES DOS REINOS

Nós chegamos dos rios e auto-estradas
Nós chegamos de florestas e cascatas
Nós chegamos de Carson e Springfield
Nós chegamos de Phoenix encantada

E posso dizer-te os nomes dos Reinos
Posso dizer-te as coisas que sabes
Ouvindo por um punhado de silêncio
Trepando vales até à sombra

O PALÁCIO DO EXÍLIO

Durante sete anos habitei no livre Palácio do Exílio
Jogando estranhos jogos com as raparigas da ilha
Agora estou de volta à terra dos justos
E dos fortes e dos sábios

Irmãos e irmãs da pálida floresta
Crianças da noite
Quem de entre vós fugirá com a caça?

Agora a noite chega com a sua legião púrpura
Metam-se nas vossas tendas e nos vossos sonhos
Amanhã entramos na cidade do meu nascimento
Quero estar preparado



















Para os fãs mais jovens de hoje, Jim ainda é objeto de culto, mas eles estão começando a conhecer também sua poesia. Os fãs dos anos 60 e 70 o viam como uma figura carismática, um cantor cujas performances eram teatrais, um teatro ritualístico que descortinava um ideal de liberdade. Após sua morte, foram lembradas frases e pensamentos que ele expressara a respeito da seriedade da poesia. Ele havia ensinado a uma geração de fãs que poemas e canções sobrevivem à morte de uma civilização. Essa crença está de acordo com as mais importantes doutrinas acerca do poder da poesia na França dos séculos XIX e XX.

É bastante seguro afirmar que os muitos estudos já publicados até o ano comemorativo sobre Jim cantor-poeta se farão seguir nos anos vindouros por estudos acerca do Jim poeta. As letras das músicas e os poemas publicados pelo próprio Jim em Lords and New Creatures formam uma parte de sua obra que é bem conhecida hoje. Os "poemas perdidos", hoje publicados por Frank e Kathy Lisciandro em dois volumes, Wilderness e The American Night, estão sendo lidos por jovens fãs, assim como por acadêmicos e literatos. Jim fazia clara distinção entre "letra", escritas para ser musicadas, e "poemas", que não eram concebidos para a realidade da música. 

Como estudante e professor de poesia há muitos anos, eu tenho - às vezes inconscientemente e às vezes muito conscientemente - tentado expressar minhas convicções pessoais acerca de poesia, acerca do que é isso, o que ela procura realizar, e acerca do poeta em si, o artista dedicado à arte de fazer versos.

Alguns tipos de poesia - provavelmente suas formas mais elevadas - existem por si mesmas sem necessidade de notas históricas ou biográficas. São estruturas sólidas que transcendem a história e a biografia. E existem outros tipos de verso intimamente relacionados à personalidade do poeta (seus êxtases, suas tragédias, suas obsessões) e aos problemas de sua época - problemas políticos, guerras e vitórias, a fome e outras calamidades. O significado e até mesmo o valor desses poemas pode se perder ou ser mal interpretado se fatos relevantes não forem esclarecidos. Ao ler poesia, aprendemos a ler ora à luz da atemporalidade, ora à luz da justiça ou injustiça social tal como vivida por uma geração. (Wallace Fowlie, trecho retirado do livro Rimbaud e Jim Morrison - os poetas rebeldes)

"Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito."
William Blake

Fontes: Abismos (escritos inéditos) Jim Morrison, editora: assírio&alvim, Jim Morrison por ele mesmo, editora: Martin Claret, revista rollingstone nº 88 janeiro 2014 edição de colecionador, recortes da revista showbizz ano 12/nº 6 junho/96 edição 131, Rimbaud e Jim Morrison - os poetas rebeldes de Wallace Fowlie, editora Campus.







segunda-feira, 6 de junho de 2016

O ROCK INDEPENDENTE BRASILEIRO (PARTE 16)









Circo Motel 











O Circo Motel é dessas bandas que sofrem com definições musicais. A audição descuidada pode rotulá-los como sendo representante do insosso gênero chamado "pop rock". Mas basta dar atenção às músicas de seu primeiro disco, "Sobre Coiotes e Pássaros", lançado no ano passado, para perceber que eles vão além da música pop grudenta ou do rock domesticado.

Entre os acordes e as letras é possível perceber referências de música latina, dance music, psicodelia, blues, samba, soul e MPB - não é à toa que listam os Mutantes, os Rolling Stones, Jorge Ben e Tim Maia como seus faróis musicais.

E são mais um nome em ascensão da atual cena paulistana, que abriga tanto rockers de jaqueta de couro a emepebistas de brechó, experimentalistas cabeçudos e ratos de sebos de disco. E é nesta encruzilhada, quando a Augusta encontra o Bixiga, que o Circo Motel acende umas velas para dar sorte, iluminar o caminho, se aquecer e criar um clima. (Texto: Facebook Oficial).
Fonte: armazemdorocknacional.blogspot.com.b

Discografia

Sobre Coiotes e Pássaros (2011)














auê (2016)

























Foegos















Banda de Rock procedente do interior do Rio Grande do Sul. Com influências variadas em um campo de vasto gosto musical, traz uma musicalidade compacta, técnica e cheia de atitude - buscando reviver a cena musical de tempos passados com uma pegada renovada e composições expressivas e belas ao mesmo tempo.

A Foegos foi formada pelo baterista Dudo Colla, no início do ano de 2012. Juntamente com os músicos Juliano, Lucas, Marwin e Iago Peregrini, deu início aos trabalhos de composição e arranjo das musicas 'Simples Amigo' e 'Provar Teu Veneno'. Já na metade do mesmo ano, dá-se a saída do guitarrista Iago, mas em um curto espaço de tempo, o cargo já foi assumido pelo guitarrista Anderson. Todavia, ao fim do ano de 2013, Lucas e Marwin se afastam da banda devido a motivos pessoais. Após alguns obstáculos e dificuldade para encontrar músicos que preenchessem os cargos em aberto - além de algumas apresentações com os músicos convidados Jefferson Nunes e Guilherme Conte - Eric Rossignol e Luciano Tonet assumem as baquetas e o contrabaixo, respectivamente. Com essa mudança, Eduardo Colla salta de trás da bateria para ser frontman da banda, como vocalista principal e guitarra base. E pra completar, o guitarrista Anderson acompanha os microfones como um co-vocalista. Em 2016 a Foegos contou com a entrada do tecladista Juliano Motta. Desde então a banda segue com essa formação: Anderson e Eduardo nas guitarras e vocais, Eric na bateria, Juliano Motta no teclado e Luciano no contrabaixo.

Com todos os 4 componentes trabalhando não só nos seus instrumentos de origem mas também escrevendo as letras e os arranjos de todas as músicas da banda, a Foegos tem como principal objetivo incendiar os palcos - no bom sentido - integrando atitude e muita energia em suas performances. (Texto: Facebook Oficial).
Fonte: armazemdorocknacional.blogspot.com.b

Discografia

Foegos (2015)














Cena Anterior (2016) [EP]

























Magabarat 















À luz de nomes como AZYMUTH, Hermeto Pascoal, Emerson, Lake & Palmer, caminhando figurativamente do Oriente à New Orleans, da Jamaica à velha Inglaterra, das veredas do sertão brasileiro até pousar na Serra Gaúcha e sua confluência cultural, perpassando pelo universo astrofísico, surge a MAGABARAT com extenso referencial nas músicas mais bem elaboradas criadas mundo afora.  
  
Estilos como funk, soul, jazz, chamamé, salsa, baião, reggae, milonga e tango dão graça ao som progressivo quase psicodélico, cheio de samples eletrônicos e etnicidade da MAGABARAT, que, de acordo com os músicos, a amálgama de referências pode tanto ser uma característica marcante quanto o seu desprendimento. "A referência pode caracterizar o som de uma banda, mas pode, também, descaracterizar ele, como aconteceu no nosso caso. Somos tão abertos à música do mundo que somos uma junção de tudo isso, e gostamos muito!", afirma Guilherme Santin, com aval de Girotto e Bracagioli. 
  
O álbum físico, homônimo, lançado pelo selo musical caxiense Retrola Discos, foi fomentado pelo Financiarte - política pública de incentivo à cultura da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul -, e é formado com oito composições próprias. Gravado no inverno de 2015, no estúdio Noise Produtora de Áudio, o trabalho contou com as participações especiais dos músicos Rafael De Boni (acordeon), Luciano Balen (derbak)  e Marcos De Ros (guitarra). 
  
A produção musical ficou a cargo de Luciano Balen; A produção executiva é da De Guerrilha Produções Artísticas e para mixagem e masterização, o nome responsável é Marcelo Generosi. 
Fonte: http://armazemdorocknacional.blogspot.com.br/

Discografia

Magabarat (2015)  







Stereovitrola












Stereovitrola, banda de Macapá que experimenta o rock desde 2003. 
  
Aquele “noise” gratuito de quem gosta de tudo no volume máximo, e a brincadeira psicodélica de um rock sulista - por vezes moderninho feito um britânico -, faz as músicas do primeiro CD “No espaço líquido”, de 2009, serem de fácil estímulo aos grunges de plantão. Famosa banda da cena indie amapaense, os garotos apresentam maturidade crescente. 
  
Com seu Rock sessentista que mescla criatividade e atitude, Stereovitrola vai conquistando ainda mais seu público fiel, trafegando pelas ondas sonoras para fazer os fãs e o público em geral parar por um segundo para perceber tudo o que está acontecendo a sua volta. 
  
Stereovitrola retoca o Rock com seus "riffs dissonantes", e os solos mais viajados, mais inesperados de guitarras e usando de muitas "distorções rítmicas", explosões de sonoridades 'distorcidas'. 
  
Fazendo uma releitura e fusão do Rock Sessentista e de Oitenta, com explosões de efeitos ambientais filtrados por um sampler e efeitos de guitarras. Stereovitrola também marcada pela distorção, guitarras barulhentas e poderosas e criando um contraste entre melodias delicadas e o vigor e peso das distorções e efeitos. 
  
Além do primeiro Cd, que já mencionamos, a banda possui o EP intitulado de “Cada Molécula é um Ser, de 2006. E ainda tem mais, a Stereovitrola já está na pré-produção do novo CD. 
  
Não é á toa que a banda é muito bem vista, pelos apreciadores de rock, por ser uma das melhores bandas independentes de Macapá. (Texto: Som Independente) 
Fonte: http://armazemdorocknacional.blogspot.com.br/

Discografia

Cada Molécula é Um Ser (2006) [EP]














No Espaço Líquido (2009)

























Dudé e A Máfia















Dudé e A Máfia é o projeto capitaneado pelo músico Dudé, vocalista com mais de vinte anos experiência no cenário musical paulistano participando de várias bandas e projetos envolvendo estilos tais como Classic Rock, Blues, MPB, etc. 

Possuindo algumas aparições na mídia, entre elas a participação no programa Raul Gil em 2005, atuante no teatro musical por quatro anos, Dudé também trabalha como produtor e professor de Canto Popular em seu próprio home studio. 












Em 2013, se deu inicio à sua carreira-solo baseando-se no Blues e Classic Rock em um formato mais moderno, tanto nas composições autorais como nas releituras dos grandes clássicos. 

O batismo de fogo dessa nova empreitada se deu no lançamento da exposição Passos Alados, da fotógrafa Daniela Gama e da modelo Daiane Lopes, onde a Dudé e A Máfia teve grande honra de ser a primeira banda a tocar dentro do Memorial Da Inclusão, pertencente à Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência do estado de São Paulo, prédio que faz parte do grande complexo da América Latina, em julho de 2013. 

Em agosto do mesmo ano surgiu o convite para tocar no tradicional festival Blues Pela Vida, em sua quinta edição, evento esse que reúne anualmente nomes do Blues paulistano para um grande show beneficente. 



















Em dezembro de 2013, a banda participa da Virada Inclusiva e da inauguração da Árvore de Natal da Sé. Ambos shows em praças no Centro de São Paulo. 

Em Abril de 2014, a banda grava seu primeiro clipe através da produtora Oficina da Arte e entra em estúdio para iniciar a pré-produção do seu primeiro CD. 

Contando sempre com músicos experientes da cena Blues de São Paulo, a Dudé e A Máfia está pronta para dar mais um passo à frente na sua breve, mas consistente história.
Fonte: www.navitrola.com.br

Ouça Dudé e a Máfia aqui: https://www.navitrola.com.br/dudeeamafia









Sala Espacial













A lenda da ave mitológica Fênix diz que quando ela perde a vida, entra em autocombustão e, tempos depois, ressurge das próprias cinzas. E o que isso tem haver com Sala Espacial? Muitas coisas! 
  
Tudo começou no dia 12 de fevereiro de 2014 quando a 'Casa Moxei', propriedade que servia como moradia, estúdio, casa de shows, e espaço multicultural na capital paulistana pegou fogo em razão de um curto-circuito. Ninguém se machucou gravemente, no entanto, instrumentos, computadores, mobília, gravações em andamento, estoques de CDs e livros, incluindo também coleções pessoais de discos dos residentes e relíquias se perderam no meio das cinzas. 
  
O acontecimento não desanimou os músicos que ali moravam a seguir em frente, e a transformar toda aquela tragédia em um momento de aprendizado, reconstrução, recriação e renovação. Foi um processo muito natural e místico onde, em meio a fumaça e fuligem, forças foram somadas e nasceu: Sala Espacial. 
  
Livres de limitações de gênero, idade, classe social, raça ou religião, o grupo se destaca pela riqueza cultural e pela habilidade em misturar diferentes ritmos e influências musicais, fugindo do convencional ao utilizar fontes e instrumentos pouco conhecidos, e por vezes criados pelos próprios integrantes. 
  
Ao vivo, a experiência é sinestésica. Além da música repleta de sons, vozes e instrumentos que arrepiam o corpo, o show conta com intervenções artísticas e performances de danças, pirofagia, teatro, circo, magia, cheiros, cores e sabores; para cada show surpresas e inovações. Um verdadeiro ritual que vai dos ancestrais aos alienígenas, do mundano ao inefável; terra, fogo, água, ar, éter, corpo, mente e espírito reunidos através da harmonia e força do amor e da arte. 
  
Para cada situação Sala Espacial se adequa e constrói uma apresentação única e exclusiva, funcionando como um coletivo artístico eternamente em construção, evolução, reciclagem e aprimoramento. 
  
Essa característica de camaleão já lhes proporcionou shows em diferentes terrenos: casas de show de rock, mpb, forró, reggae, chill out de raves, rituais em chácaras, campings e festivais com os mais variados públicos e direcionamentos musicais. 
  
Fugindo dos padrões atuais, 18 é o número de faixas do álbum de lançamento de Sala Espacial, intitulado “Casa Moxei” em homenagem a residência onde o grupo se formou, morou, compôs, produziu, gravou e mixou as músicas em um estúdio construído pelos próprios 
  
integrantes no quintal; Com o disco atingiram o auge do Do It Yourself – faça você mesmo – uma vez que puderam experimentar ao máximo, trabalhando do começo ao fim nas canções. Algumas faixas contam com mais de 10 minutos ou 120 canais, que além de instrumentos, trazem sons da natureza como cantos de pássaros, latidos de cachorros, chocalho de cascavel, entre muitos (muitos!) Outros detalhes; O toque final foi dado fora da casa (que eles saíram depois de 30 meses assim que acabaram de gravar) no Estúdio Costella onde foi feita a masterização do álbum por Alexandre Capilé e Chuck Hipolitho. 
  
Enfim, podemos escrever por dias sobre Sala Espacial, mas é impossível descrever. Como eles mesmos cantam: “tem que viver pra saber(...)” 
Fonte: http://armazemdorocknacional.blogspot.com.br/

Discografia

Casa Moxei (2015)
















André Prando














André Prando é um músico/compositor nascido no Espírito Santo que tem ganhado espaço no cenário da música independente com um trabalho bem pisado no rock que explorando diferentes vertentes musicais, expressando sua identidade através de letras com forte cunho poético que estimulam a racionalidade e sensibilidade. Prando transpõe o campo musical buscando referências no cotidiano, literatura e na poética do que chama da “beleza do feio”. Com voz e identidade marcante, chama atenção por sua performance visceral no palco. 
  
Estranho Sutil, seu novo álbum, preenche o vão sugerido em seu primeiro disco, mostrando a que veio com uma estética híbrida. Lançado em abril de 2015, o disco de 10 faixas, gravado no estúdio Torre Inc (Vitória/ES), com produção musical de Rodolfo Simor, traz músicas de uma leva mais antiga do compositor e músicas inéditas. A nova sonoridade explora uma linha psicodélica que sugere a percepção de temáticas do cotidiano e introspecções existenciais, fazendo poesia do oculto e do real, colocando-os como um só. Estranho Sutil reforça o discurso da “beleza do feio” e o “estranho”. O disco conta com 8 composições de Prando, uma composição de Augusto Debbané - Vestido cor maçã - e uma música inédita de Sérgio Sampaio da década de 70 - Última Esperança. 
  
O site Musicombo chama Estranho Sutil de "um disco com lampejos de Raulzito e músicas que não se faz nos dias de hoje"; já o portal Radio Ibiza diz que "o álbum não é de fácil entendimento do público, mas quem consegue alcançar sua beleza, pode ficar maravilhado"; e o já notório site Brasileírissimos acrescenta: "Sabe aquele disco que você escuta por uma semana seguida sem parar? Pronto. Foi isso que fiz ao me deparar com a obra. A sonoridade do álbum vai por uma linha psicodélica, introspectiva e que nos faz refletir sobre várias temáticas do cotidiano". 
  
Junto ao lançamento do disco, foi produzido um clipe da canção “Última esperança”, INÉDITA de Sérgio Sampaio. A música foi baseada na história do catastrófico incêndio do Edifício Joelma (SP) em 74. O clipe, produzido pelo Expurgação (ES), chama atenção pelos efeitos especiais misturando ironias, horror e surrealismo. 
  
Em 2011 Prando venceu o V Festival Prato da Casa (ES), realizado pela Rádio Universitária ES, com a música “Inverso ano luz”. Canção que em 2012 rendeu ao músico a classificação no projeto “Catálogo da Música do Espírito Santo” organizado pelo SebraeES. Ainda em 2012, além das apresentações frequentes na Grande Vitória, destacou-se no III Festival Tarde no Bairro de Santa Teresa/ES e em 2013, com voto popular, foi selecionado para o Festival MULtipliQUI, Muqui/ES, 2014. 
  
Em 2013, André firmou parceria com outros músicos e articuladores, participando do disco Singular Plural II com uma composição em parceria com Aroldo Sampaio; também se fez presente nos CDS Coletâneas Tarde no Bairro 2012 e 2013, organizadas pelo coletivo artístico Assédio Coletivo; e ainda participou do tributo brasileiro ao renomado músico John Frusciante, Songs to Cover When We're Lonely - A Brazilian fans tribute to John Frusciante, lançado pelo site Universo Frusciante. 
  
Em 2014, com o lançamento do Vão, iniciou-se um circuito de shows que apresentou ao público o novo momento do compositor. Com sua equipe/banda formada pelos músicos: Wanderson Lopez, Bruno Massa, Henrique Paoli. Prando fez shows marcantes no Intercâmbio Cultural Giramundo - Pedra da Cebola, EREA – Itaúnas, Tenda Cutural UFES – 60 anos, Red Bull Break Time Sessions, I Festival Multipliqui, Festival Tarde no Bairro - Parque Moscoso, Viradão Cultural de Vitória - abrindo o show de Zeca Baleiro, entre outros. Além dos shows, o EP rendeu uma vasta lista de resenhas, críticas e entrevistas no ES e em mídia nacional. Encerrando o ano de 2014, seu show na ocupação cultural Fábrica Lab Infinitas teve destaque em citação ao lado de SILVA e Rodrigo Amarante. 
  
2015 foi o ano de lançamento do disco Estranho Sutil, produzido por Rodolfo Simor (guitarrista conhecido por acompanhar o músico SILVA e banda Solana), que passou a compor também parte da banda de Prando. O show de lançamento do disco no Teatro da Ufes (Vitória/ES) impressionou com a lotação dos 650 lugares deixando muita gente ainda de fora do teatro, deixando uma promessa de ótimos frutos com a nova fase. O novo show, mais enérgico a cada apresentação, circulou nas principais casas de show da cidade natal de Prando, algumas cidades do interior do ES e impressionou em sua primeira performance em SP, pela Mostra Cultural do conceituado site Brasileirísismos. O disco Estranho Sutil está em fase de circulação e é cada vez mais bem recebido pela crítica e calorosamente pelo público crescente que se identifica com sua música. (Texto: Site Oficial). 
Fonte: http://armazemdorocknacional.blogspot.com.br/2016/04/andre-prando.html#more

Discografia

Vão (2014) [EP]














Estranho Sutil (2015)




























domingo, 5 de junho de 2016

EU QUERIA MESMO É POESIA

Passei a noite curtindo um Ménage à trois 
entre Kerouac, Ayn Rand e Khalil Gibran
tão díspares em pensamentos
acordei num cortiço de Azevedo

Ouvindo aquele álbum "Stonewall" 
de Renato Russo até de tardinha 
já no fim do dia eu estava mais heavy metal 
e a maldita inspiração não vinha

Fui obrigado a escrever mesmo assim
coisa de consciência dúbia
talvez excesso de autocrítica 
essa indecisão que é toda minha

Não sei se daqui: apenas um rascunho
ou um desabafo malcriado 
um puro exercício de escrita?
eu queria mesmo é poesia!

Igor Motta
2016










quinta-feira, 2 de junho de 2016

1001 DISCOS PARA OUVIR ANTES DE MORRER (DICA DE LIVRO)





















Vou falar de um livro que eu conheci já algum tempo, uns cinco anos atrás em um encontro em um clube do vinil, onde uma galera se reunia para comer, beber e ouvir vinil. As famosas bolachas que voltaram a fazer sucesso hoje em dia, em uma onda retrô para alguns, para outros uma galera nova querendo ser cult e no meu caso, como eu nunca abandonei o formato (só não compro mais como antigamente, hoje o preço do vinil é bem salgado) mas que ainda sou um grande admirador e ouvinte de discos de vinil. 


Este livro é um verdadeiro calhamaço, são mais de 900 páginas de música, você demora um pouco para ler tudo, é óbvio que apesar de indicar 1001 discos, não agradará a todo mundo, ele segue uma cronologia interessante dos anos cinquenta aos 2000, um grande conteúdo. A capa é sensacional com Sid Vicious, baixista da banda punk Sex Pistols, que fez muito barulho nos anos 70, apontando uma guitarra como se fosse uma espingarda. Para quem é fã de rock and roll como eu, vai gostar do livro por conter os grandes e mais famosos discos de todos os tempos deste seguimento, senti falta de mais nomes do blues e muitos sentiram de nomes do jazz. Para quem é fã de música em geral também vai gostar do livro, tem muitos discos de música pop em geral e para nós brasileiros alguns nomes emblemáticos aparecem na lista como Caetano Veloso, Clube da Esquina, Mutantes e etc. Senti falta de alguns outros nomes, mas a lista engloba muito mais a música estrangeira. O livro é muito bem ilustrado, com muitas fotos de todos grandes artistas e das capas de discos. Quanto a informação, cada álbum possui uma resenha breve, não é muito detalhada porém, contém informações básicas para entender a importância de cada disco.  

Prefácio:

Os grandes discos lançados nos últimos 50 anos estão aqui: de What's Going On, de Marvin Gaye, ao extraordinário álbum conceitual de David Bowie, The Rise And Fall Of Ziggy Stardust, passando por inúmeros outros. 
















1001 discos para ouvir antes de morrer explora a fundo a história da música universal e apresenta ícones tão diversos quanto Beach Boys e Nirvana. Além de álbuns e artistas já consagrados, você irá encontrar referências mais exóticas, como o Einstürzende Neubauten e o Aphex Twin.



















Escrito por 90 jornalistas e críticos de renome internacional, este livro faz uma justa homenagem a todos aqueles que influenciaram o meio musical. Além de acompanhar o desenvolvimento da indústria fonográfica - dos discos de 75 rpm aos modernos CDs -, você vai descobrir como os álbuns foram aceitos pela crítica e que impacto causaram no público.

Com saborosas histórias de bastidores, este livro revela também quais eram as influências de muitas bandas de sucesso. Você sabia, por exemplo, que o Velvet Underground foi uma grande fonte de inspiração para David Bowie, Joy Division, R.E.M. e The Strokes?



















Que álbum teve seu lançamento atrasado como demonstração de respeito à morte do presidente John F. Kennedy? Em que Paul Simon se baseou para escrever "Mother And Child Reunion"? O que é a estranha participação de Paul McCartney em Ringts Around the World, do Super Furry Animals? Leia e descubra.

Das canções dark e obscuras aos grandes sucessos populares, 1001 discos para ouvir antes de morrer abrange a história da música em todos os seus instigantes detalhes.
Fonte: Livro 1001 Discos para ouvir antes de morrer, edição dirigida por Robert Dimery, Prefácio de Michael Lydon -  Editora Sextante.