Som Nosso de Cada Dia foi um grupo musical brasileiro de rock progressivo formado por Manito (teclados, saxofone e flauta), Pedro Baldanza, o "Pedrão" (guitarra e baixo) e Pedrinho Batera (bateria e vocais) na cidade de São Paulo em 1972. A banda também gravou temas influenciados pela black music e o funk de James Brown.
Após a saída de Manito em 1975, entraram na banda o guitarrista Egídio Conde e o tecladista Dino Vicente, que permaneceriam até a dissolução do grupo em 1978.
Em 1993, para comemorar os 20 anos da gravação de Snegs e seu relançamento em CD, o grupo volta com a formação original, que duraria até 1995, quando falece Pedrinho Batera. Em 2008, o Som Nosso retorna mais uma vez para apresentações na Virada Cultural em São Paulo. O novo regresso vai até 2010, quando Manito passa a ter problemas de saúde devido a um câncer de laringe que o leva à morte no ano seguinte.
Em 2012, a Rede Globo usou a canção funk "Pra Swingar" do álbum "Sábado Domingo", na abertura da mini-série Suburbia.
O mais bacana na curiosa e aventureira trajetória do Som Nosso de Cada Dia é o quanto seus integrantes desdenharam dos rótulos musicais que lhes foram impostos através dos anos. Rotulada no Brasil e no exterior como uma banda de rock progressivo, o Som Nosso sempre foi muito mais do que isso. Claro que, quando surgiram, o gênero estava em alta e eles beberam em influências de nomes como ELP, Pink Floyd, Genesis e outros, mas a essência vinha de algo muito mais latino e brasileiro, seja do rock rural, ou da influência negra do soul, funk e até do samba. Era música com pedigree próprio, autêntica, sincera e livre.
Fonte: Revista POEIRA ZINE - pZ nº 61
Discografia
Snegs (1974)
Som Nosso (Sábado/Domingo) (1977)
Discos ao vivo
Live '94 (1995) A Procura da Essência – Ao Vivo 1975-1976 (2005) Ao Vivo no Aquarius (2011)
MANITO (1944 - 2011)
Manito, nome artístico de Antônio Rosas Sanches (Vigo, 3 de abril de 1944 — São Paulo, 9 de setembro de 2011) foi um tecladista e saxofonista brasileiro. Foi integrante da formação original da banda Os Incríveis, conjunto de sucesso da Jovem Guarda.
Nascido na cidade de Vigo, na Espanha, Manito chegou ao Brasil com nove anos de idade. Aos 4 anos de idade já era músico experiente, e participou do movimento da Jovem Guarda na década de 1960. Em 1963, foi um dos fundadores da banda “The Clevers”. Em 1965, devido a desentendimentos com o empresário da banda, o nome do grupo mudou para ‘’Os Incríveis”.
Em 1970, fundou o grupo de música instrumental "Saxomania" junto com o músico João Cuca. Formou também o grupo de rock progressivo “Som Nosso de Cada Dia”.
No ano de 1973, foi convidado por Sérgio Dias Baptista para assumir o posto de tecladista de Os Mutantes, no lugar de Arnaldo Baptista. Após algumas semanas, porém, e da forma mais amigável possível, resolveu abandonar a banda e voltar ao Som Nosso de Cada Dia. Em 1974, Som Nosso de Cada Dia lançou o clássico álbum “Snegs”. Em 1975, Manito resolveu sair novamente do grupo e ficou fora do cenário musical por algum tempo. Em 1980, reapareceu com o grupo de funk-blues-rock “Funk-Mora”, sumindo logo depois. Em 1994, lançou com o Som Nosso de Cada Dia o ábum “Live 94″. Em 1995, The Clevers se reuniram para participar do projeto “30 Anos De Jovem Guarda”. Em 1998, participou do álbum “Chronophagia” da banda “Patrulha do Espaço”, outra lenda do rock brasileiro. Em 2005, participou do álbum Acústico MTV - Ultraje a Rigor.
Em 2010, a Biblioteca Temática em Música Cassiano Ricardo prestou uma homenagem ao músico, através do tributo "O incrível Manito: tributo a um grande roqueiro brasileiro". Manito faleceu no dia 9 de setembro de 2011 em virtude de um câncer na laringe, aos 68 anos de idade. Ele lutava contra este câncer desde 2006.
Ontem consegui assistir na Netflix um filme que eu estava curioso em ver já algum tempo, confesso que a dita Beat Generation já não me chama tanta a atenção o quanto chamava na minha adolescência, porém ainda sou fã de Jack Kerouac e principalmente do seu "On The Road". Na minha visão os Beatniks foram os pais da contra cultura americana, influenciaram todos os movimentos que vieram depois, principalmente nos anos 60. O filme retrata a origem do movimento, marcado por drogas, literatura marginal, Jazz, amor e sangue. É na verdade a história da união dos maiores representantes e protagonistas deste movimento, Lucien Carr, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs. O filme não é ruim, mas muitos aspectos nele me incomodaram, olha que ver um Harry Potter alucinado, descobrindo sua sexualidade, não foi lá tão incomodo, digo isso que visualmente o Allen Ginsberg interpretado por Daniel Radcliffe nos remete diretamente para os filmes de Harry Potter, ele é um bom ator porém ainda não nos convenceu que ele pode ser mais do quê, um garoto nerd excêntrico e tímido. O que me incomoda nos filmes sobre junkies famosos, é um tipo de afetação exagerada, que a industria do cinema tenta nos empurrar, faltando profundidade e sobrando artificialidades, quem leu "Tristessa" de Kerouac sabe bem do que estou tentando dizer, um retrato fiel da Décadence Avec Élégance, com tudo que isso implica em seus personagens.
Mas o filme não é de todo ruim, a reconstituição de época, sua fotografia, alguns lampejos de ótimas interpretações, a trilha sonora e uma história intrigante e real, sem falar do próprio tema, já valem o tempo a frente da tela, infelizmente como o 'On The Road' de Walter Sales, ainda não vi nenhum filme que retratasse melhor os Beatniks no cinema. Abaixo uma resenha interessante sobre o filme e sua história de "revolução literária" que começou com um crime, que retirei do site UOL: Quem passar em frente a uma sala de cinema e se deparar com o título "Versos de um Crime", pode se enganar e pensar que se trata de um thriller policial. Na verdade, é um drama que retrata a gênese da geração beatnik, movimento literário e de contracultura regado a jazz, álcool, drogas e total falta de regras, surgido nos EUA do início da década de 1940 e que teve como fundadores e principais expoentes o poeta Allen Ginsberg e os romancistas William Burroughs e Jack Kerouac.
Além de trazer esses três ícones beats interpretados por Jack Huston (Kerouac), Bem Foster (Burroughs) e o ex-Harry Potter Daniel Radcliffe (Ginsberg), a película conta a história de como eles se conheceram, por meio do jovem estudante Lucien Carr (vivido por Dane DeHaan). Também mostra uma versão do tal crime do título brasileiro: o assassinato do professor David Kammerer (Michael C. Hall), cometido em 1944 por Carr, que envolveu os criadores da geração beat e quase acabou com ela antes mesmo que suas obras literárias fossem publicadas.
No longa, tudo é narrado do ponto de vista de Ginsberg, então um jovem estudante da Universidade de Colúmbia, em Nova York. Filho do poeta Louis Ginsberg (vivido por David Cross) e de Naomi Ginsberg (Jennifer Jason Leigh), o Ginsberg de Radcliffe é um garoto tímido, atormentado pela culpa de ter deixado a mãe esquizofrênica para ir estudar em Nova York. Também é um garoto que está descobrindo a sua sexualidade e acaba se apaixonando pela figura anárquica de Carr, o colega de universidade que lhe apresenta Kerouac, Burroughs e as noitadas regadas a bebedeira e drogas.
De autoria do diretor estreante John Krokidas e do escritor Austin Bunn, o roteiro não foi extraído de nenhum livro. Apesar de girar em torno de pessoas que subverteram as regras da literatura e da poesia e até hoje são consideradas "escritores malditos", o filme é bem convencional ao retratar uma história de paixão e decepção amorosa de Ginsberg em relação a Carr e, assim como "Na Estrada" (2012), de Walter Salles, está longe de ser um longa que agrade aos fãs da revolucionária literatura beat. O assassinato no parque Riverside Em "Versos de um Crime", Lucien Carr acaba sendo mostrado como um quase vilão. Um jovem manipulador, sedutor, cercado por amigos talentosos e que se aproveita do talento deles. Um desses amigos é o professor de inglês Kammerer, um homem mais velho que conheceu Carr ainda adolescente _por meio de seu amigo Burroughs_ e que ficou obcecado por ele, a ponto de segui-lo por todo lugar e de sentir um ciúme doentio de todos que se aproximassem dele. Fora do filme, o fato é que Carr conheceu o professor Kammerer aos 14 anos, ao fazer parte de um grupo de estudantes em Saint Louis. Impressionado com a inteligência do garoto, Kammerer o apresentou a um amigo de infância: Burroughs.
A partir daí, Carr realmente se tornou uma obsessão para Kammerer, que não parava de segui-lo por onde quer que fosse. Durante cinco anos, o jovem mudou algumas vezes de escola e de cidade, mas o professor sempre surgia no lugar pouco tempo depois. Inclusive, muitos atribuem a ele a culpa por Carr ter tentado se matar, enfiando a cabeça em um forno com gás ligado, na época em que estudava na Universidade de Chicago. Em 13 de agosto de 1944, Carr e Kerouac tentaram embarcar para Paris em um navio da Marinha Mercante. A ideia era viverem uma aventura na capital francesa, na qual Carr fingiria ser surdo-mudo e Kerouac se passaria por francês, já que, dos dois, só ele sabia o idioma. Como o plano não deu certo, ambos foram ao bar West End, que era frequentado pelos beats, para encher a cara. Kammerer acabou aparecendo no bar à procura de Carr, e os dois saíram para dar uma volta. Quando passavam pelo parque Riverside, segundo a versão apresentada na época por Carr, Kammerer tentou atacá-lo sexualmente, e o rapaz se defendeu dando-lhe vários golpes com um canivete de escoteiro. Em seguida, amarrou as mãos da vítima com seu próprio cinto, encheu seus bolsos de pedras e a atirou no rio Hudson. Após o crime, Carr procurou Kerouac, que o teria ajudado a enterrar pertences da vítima, entre eles seus óculos. Depois foi até Burroughs, mostrando-lhe o maço de cigarros de Kammerer, todo ensanguentado. A reação dr Burroughs, segundo foi apurado na época, foi jogar o maço no vaso sanitário e dar descarga, aconselhando em seguida o amigo a consultar um advogado. Carr se entregou às autoridades pouco depois o crime. Julgado e condenado a 20 anos de prisão, acabou passando apenas dois em um instituto correcional. Em parte isso se deve à cobertura da imprensa, que "comprou" a história do rapaz como um "crime pela honra", cometido por um jovem que estava apenas se defendendo de um homem mais velho, homossexual. Burroughs e Kerouac também foram detidos, como testemunhas materiais do crime. O primeiro teve a fiança paga por seu pai, já Kerouack concordou em se casar com a namorada Edie Parker (interpretada no filme por Elizabeth Olsen), para que o pai dela pagasse sua fiança. O casamento foi anulado em 1948. Obras-primas beatniks Após o assassinato no parque Riverside, o "Círculo Libertino", como Ginsberg chamava o grupo beatnik na época, se separou por um tempo, mas eles nunca deixaram de ser amigos até o fim de suas vidas. A imagem de mau caráter de Carr apresentada em "Versos de um Crime" também parece não proceder, já que, depois da prisão, ele continuou amigo de todos. Depois do assassinato, Burroughs resolveu ser tornar um criminoso, traficando drogas e batendo carteiras. As experiências que viveu nesse período o inspiraram a escrever os seus livros mais conhecidos "Junky", publicado em 1953, e "Almoço Nu", em 1957. Em 1951, ele matou a mulher, Joan Wollmer, com um tiro de espingarda na cabeça em uma suposta "brincadeira de Guilherme Tell". O caso acabou considerado homicídio culposo (sem intenção de matar), e Burroughs livrou-se de uma condenação. Ele morreu em 1997, aos 83 anos. Kerouac, após anular seu casamento com Edie Parker em 1948, iniciou a viagem pelos Estados Unidos ao lado de Neil Cassady, outro ícone beat, que daria origem a seu romance "On the Road", publicado em 195. O livro ganhou edições no Brasil com os títulos "Pé na Estrada" e "Na Estrada". Kerouac chegou a escrever várias outras obras, entre eles "The Town and the City", inspirado no assassinato de David Kammerer, mas nenhuma delas teve o mesmo sucesso de "On the Road", que inspirou diversos jovens a viajar de carona pelos Estados Unidos. Ele morreu em 1969, aos 47 anos, em consequência de úlcera e problemas no fígado, resultantes de anos de bebedeira pesada. Ginsberg, por sua vez, tornou-se famoso com seu poema "Uivo", com críticas ao estilo de vida norte-americano, publicado em 1956. Após uma vida dedicada à poesia, ao ativismo e ao budismo, ele morreu aos 70 anos em 1997, vítima de câncer no fígado. Após o assassinato de Kammerer, em 1944, Ginsberg chegou a começar um livro sobre o episódio, chamado "The Bloodsong" ("a canção sangrenta", em livre tradução), mas não chegou a publicar o livro a pedido de um professor da universidade de Colúmbia, pois a obra poderia manchar a reputação da instituição. Ele dedicou a primeira edição de "Uivo" a Lucien Carr, mas removeu o nome do colega das dedicatórias nas edições seguintes, a pedido do próprio Carr.
Jack Kerouac (esq.) e Lucien Carr
Outro livro sobre o crime é "E os Hipopótamos Foram Cozidos em Seus Tanques", escrito em parceria por Kerouac e Burroughs, logo após o assassinato de Kammerer. O livro, porém, só foi publicado em 2008, pois os autores haviam prometido a Carr soltá-lo só depois que ele morresse, o que ocorreu em 2005. Apesar de Carr ter sido um personagem fundamental no nascimento do movimento beatnik, ele nunca publicou um livro. Após sair da prisão em 1946, começou a trabalhar na agência de notícias United Press International, tornando-se jornalista. Continuou amigo de seus colegas beats, inclusive ajudando Kerouac a escrever e publicar "On the Road". Após 47 anos como funcionário da United Press, ele se aposentou em 1993. Casou-se duas vezes e teve três filhos. Morreu em 2005, aos 79 anos, em decorrência de câncer nos ossos. (Texto de Marco de Castro Do UOL, em São Paulo 13/06/2014)
Fonte: http://cinema.uol.com.br/
Vou falar de mais um filme musical, acho que já deram para notar que gosto muito de documentários e/ou filmes biográficos que tratam especificamente do tema: música. Desta vez vou falar de mais um filme que eu vi através do serviço de streaming da Netflix, filme este produzido pela própria Netflix de 2014 lançado ano passado no Brasil. Trata-se da história desta lenda viva da guitarra, Bob Weir, co-fundador da banda Greateful Dead junto com Jerri Garcia. O filme foi dirigido por Mike Fleiss e traça a trajetória deste mestre nas variações de acordes e da guitarra harmônica, um cara que foi além das simples bases de guitarra, construindo uma maneira toda sua e bem peculiar de tocar, fazendo uma bela cama para os solos de Jerri Garcia, influenciado muito pelos acordes de jazz, de gente com o cacife do pianista Bill Evans, por exemplo.
O filme tem a duração de um pouco mais de uma hora e meia, é bem dinâmico e embalado pela música da banda até o fim. Você literalmente embarca na viajem de seu protagonista com seu irmão de estrada Jerri Garcia. A parceria dos dois realmente pareceu como a de um irmão mais velho com o seu caçula, desde as primeiras experiências lisérgicas de ambos até a morte prematura de Garcia aos 53 anos em 1995.
O filme é praticamente narrado em primeira pessoa pelo próprio Bob Weir, com muito material de arquivo, emocionantes depoimentos de parentes, de ex-integrantes da banda e de músicos convidados. O Grateful Dead teve uma trajetória bem progressiva musicalmente, sempre lembrados como representantes do dito movimento Flower Power dos anos 60, fundindo em suas composições elementos do Folk Rock, Country, Rock psicodélico, Space Rock, além das performances que se transformavam numa longa sessão de improvisações; esta característica os fez serem caracterizados como uma jam band. Chegaram no auge de sua popularidade nos anos 80 aos 90, onde fãs mais fanáticos criaram uma espécie de culto em relação a figura de Jerri Garcia. "Tanta singularidade deu origem a fãs que chegavam a seguir a banda de show em show durante anos. Os admiradores mais fanáticos do Grateful Dead ficaram conhecidos como "deadheads". A louvação é tanta e tão duradoura que leilões realizados em 2007, com objetos pessoais de um dos principais expoentes da banda, Jerry Garcia, morto em 1995, chegaram a arrecadar mais de um milhão de dólares. Banheira, pia e até mesmo o vaso sanitário do guitarrista e vocalista do Grateful Dead foram arrematados por fãs, interessados em guardar algum souvenir de uma das lendas do rock".
(Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.) Como bem escreveu Gabriel Affatato do site updateordie sobre suas impressões do filme: "Em The Other One: The Long, Strange Trip of Bob Weir, vemos que Garcia normalmente é visto como o ícone máximo do Dead (até com muita naturalidade, afinal, era um artista pra lá de icônico). Porém é interessante ver o quanto Bob é fundamental para a trajetória da banda, justamente, sendo “secundário”, uma vez como o guitarrista base e conseguindo ser inovador tendo por função apenas o acompanhamento dos geniais solos de Garcia que só se saiam virtuosos por conta da maestria com que ele engendrava os acordes. Para além de artista completo, Bob sintetiza muitos elementos da vida hippie, sendo um grande ícone de contracultura. O documentário aprofunda no amplo universo do músico e de como o mesmo via a vida.
Já aos 16 largara a escola para ingressar na vida musical. Filho adotivo, revoltado com um mundo que não lhe compreendia, mergulhou de vez na busca implacável pelo prazer a partir daquilo que mais fazia sentido na sua vida: a música. Sendo virtuoso e proativo, logo ingressara em diferentes bandas e, junto com Jerry Garcia, fundou o Grateful Dead, talvez a banda mais hippie da história americana. Justamente por estar no epicentro de tudo que rolava no romântico São Francisco da virada da década de 60 para 70 a banda se sintonizou profundamente nos valores e nos elementos do universo libertário e psicodélico. Nenhum integrante da banda abdicava de fazer parte do imaginário em questão.
Por volta dos 18 anos Bob ingressou em uma caravana regada a orgias e LSD. Uma emocionante aventura guiada por um ônibus velho, repleto de hippies e dirigido por nada mais nada menos do que Neal Cassady! O imortal protagonista Dean Moriaty de On The Road. Inclusive a conexão entre os dois é explorada de forma cativante pelo filme. Bob colocou Neal como um de seus principais mentores inclusive dizendo que o mesmo havia lhe incentivado a começar a compor. Uma das suas primeiras obras, “The Other One” (uma das sugestivas razões para o título do documentário), segundo o músico, fora gravada na noite em que Neal morrera.
A sua rebeldia natural era um elemento que transitava por sua ideologia e desembocava diretamente em sua música. Bob era um instrumentista original, que pulava de gênero em gênero, renegando rótulos e formulando progressões de características psicodélicas e ao mesmo tempo espontâneas, possuindo um espírito jazzista. Antes de tudo, um grande defensor das improvisações, tendo ajudado a música dessa virada de gerações a mergulhar afundo na busca por experimentações e variações sonoras, sendo assim um artista de vanguarda ousado. Em uma mesma música ele foi capaz de dar cerca de 10 variações para o mesmo acorde de Mi, ondulando sonoridades e dando um toque difuso à estrutura que jamais seria a mesma sem a capacidade que ele tinha em criar arranjos e acompanhamentos expressivos.
Para além do mítico Jerry, estava em Bob os elementos essenciais da rebeldia musical e artística do Grateful Dead que por décadas arrastou uma legião de fiéis fãs que valorizavam o indiscutível fato de que cada show da banda era uma joia única e rara, justamente por conta da liberdade de total falta de organização dos integrantes em relação ao repertório e ao estilo a ser tocado. Todos esses aspectos muito bem ilustrados em um documentário que analisa a vida pessoal do músico também interpretado como uma personalidade de espírito livre. Desde sua infância imperativa, quando derrubou um martelo na cabeça de um amigo de pré-escola, ao seu amadurecimento após a morte de Garcia, procurando contato com seu pai biológico, Bob representa a essência do simples viver a partir dos desejos mais primitivos, evocando os elementos humanos mais primordiais e, em meio a simples busca pela alegria, sintetizando os pilares mais estruturais da contracultura".
Fonte: http://www.updateordie.com/
Sinopse A história do guitarrista Bob Weir começa com sua paixão pela música, a amizade com Jerry Garcia e acompanha os sucessos do icônico Grateful Dead.
Recordando o Vale das Maçãs (RVM) é uma banda brasileira de rock progressivo, formada em Santos em 1974. Fundada na cidade de Santos - SP em 1974 por Fernando Pacheco (Guitarra), Fernando Motta (Violão), Domingos Mariotti (flauta). Teve várias formações ao longo de seus 41 anos (1974 - 2015). Nos anos 70 e início de 80 teve seus trabalhos divulgados pela grande mídia. Através de emissoras de televisão e rádio difusão, que na época Abriam espaços para o progressivo, além do RVM o que, nesse período, foi contratado exclusivo da GTA (Gravações Tupi Associadas) o que facilitava o acesso aos programas de rádio e TV e a mostra consequentemente conseguia levar um bom público em seus shows, atuando em vários estados. A partir de 1987 o RVM começa a distribuir sua produção fonográfica na Europa e Japão, com isso em 1994 é premiado na França e em 1996 na Noruega, o que resulta num convite oficial da Embaixada do Brasil na França, para um concerto em Paris em 1997. Desta forma o RVM foi a primeira banda brasileira de Rock Progressivo oficialmente se apresentar na Europa. Hoje o RVM é uma das mais antigas bandas brasileiras de Rock Progressivo em atividade. As várias formações do RVM que contribuíram para uma continuidade dos trabalhos durante todos esses anos foram: 1974 = o trio fundador + Jair Freitas da Silva Sauro (voz e violão) e João Paulo II (baixo). João Luiz Ferreira Alves Teixeira, o "Boi" (orgão Hammond X-77 - 70), 1975/76/77/78 = Fernando Pacheco (Guitarra), Fernando Motta (Violão), Sergio Lombardi (baixo), Sula Miranda (vocal), Paulinho - Pavitra (vocal), Elisa (vocal), Cristina Lobão (vocal), Gui (baixo ), Moa (flauta), Milton (bateria), Luiz Aranha(violino) e Lee (teclados). 1979 = Hildebrando Brasil (teclados) substitui Lee. 1980/81/82 = Lourenço Gotti (bateria) substitui Milton Bernardes.
A banda passa a ter sua sede no Estado de Minas Gerais, a partir de 1986 com o lançamento do LP solo de Fernando Pacheco "Himalaia", e definindo seu estilo musical como Rock Progressivo Instrumental, porque até 1982, o RVM, era uma banda vocal/instrumental com estilos variados de pop rock, discoteca, romântico, rock rural e country. a partir de 1988 tem a seguinte nova formação = Fernando Pacheco (Violão e Guitarra), Chiquinho Gomes (baixo), Milton Bernardes (Bateria) e Lee (Teclados). Nos anos de 1990/91/92/93 = Gui (baixo) volta para a banda no lugar de Chuiquinho Gomes. Nova formação nos anos de 1994/95/96/97 = Nélio Porto (teclados), Jorge Sanchez (baixo), Fernando Pacheco (Violão e Guitarra), Milton Bernardes (Bateira), esta formação é a que representa o Brasil em Paris no ano de 1997 na Fête de la Musique a convite da Embaixada Brasileira na França. Nova formação em 1998/99 = Guilherme Cordeiro (baixo) e Gustavo Biscaro (bateria), Fernando Pacheco (Guitarra), Nélio Porto (Teclados) A partir de 2014, o Recordando o Vale das Maçãs tem uma nova formação, a qual se mantém até o presente ano de 2015 = Fernando Pacheco (Violão e Guitarra), Tom Zé Bortoloto (Bateria e Percussão), Giuliano Tiburzio (Baixo) e Lael Campos (Teclados), Com esta formação de 2004 a 2015, o RVM comemorou os 40 anos em 2014, com o lançamento do CD 40 anos, com 3 concertos comemorativos, sendo em maio na cidade de Pouso Alegre, MG, em julho no SESC Santos /SP e em novembro no SESC Belenzinho, São Paulo (SP). É importante destacar que o único integrante, fundador, do Recordando o Vale das Maçãs, que este presente em todas as formações da banda é o Guitarrista Fernando Pacheco, o qual é o titular da marca registrada "Recordando o Vale das Maçãs".
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O ano de 1977 viu nascer no Brasil um dos grupos mais fantásticos do rock progressivo nacional. Através do álbum As Crianças da Nova Floresta, o Recordando o Vale das Maçãs estabeleceu-se como um dos principais nomes da música na virada da década de 70 e para os 80, com canções que remetiam para as origens do rock progressivo, mas sem exagerar em técnica ou virtuosismo, apenas empregando letras sensacionais em arranjos belíssimos e muito bem trabalhados.
O Recordando o Vale das Maçãs foi formado em 1973, em Santos (SP) através dos amigos Fernando Pacheco (violões e voz), Fernando Motta (violões e percussão) e Domingos Mariotti (flauta, voz), com a ideia de tentar mostrar o som da natureza através da música. Motta e Pacheco já haviam tocado juntos nos grupos Os Lobos e End Up Six.
Com o passar dos anos novos músicos uniram-se ao grupo, sendo que Domingos saiu em 1977. Pacheco, Motta, Luis Aranha (violino), Moacir Amaral (flautas), Eliseu de Oliveira (teclados), Ronaldo Mesquita (baixo) e Milton Bernardes (bateria) gravaram As Crianças da Nova Floresta, gravado em 1977, mas lançado em 1978, e que é considerado por muitos (eu incluso) o melhor disco de rock progressivo brasileiro já lançado (na frente de qualquer um deO Terço, Mutantes, O Som Nosso de Cada Dia e Módulo 1000).
De uma forma geral, o disco apresenta letras similares às do Yes, contando histórias de alegria, superação, força de vontade e também alguns momentos de misticismo, sempre passando um lado “natureza” em todas as faixas, destacando o excelente trabalho entre flauta, violões e percussão. As canções do Lado A de As Crianças da Nova Floresta, tratam sobre esperança (“Rancho, Filhos e Mulher”, mitologia (“Besteira”), loucura (“Olhar de Um Louco”) e vida (“Raio de Sol”).
Mas é justamente quando você coloca a agulha no lado 2 que você sente o diferencial do Recordando o Vale das Maçãs para as demais bandas do rock progressivo nacional daquela época. Tudo bem, “1974” é um clássico do Terço, “O A E O Z” é uma canção que caberia muito bem em qualquer disco do Yes, mas “As Crianças da Nova Floresta” está muito acima de todas as citadas.
O começo suave, com a flauta e os violinos sendo introduzidos ao mesmo tempo do violão e do baixo (que merece destaque em todo o álbum), dão sequência ao estribilho de teclados que leva ao início a letra (“quando eu penso nas voltas, que a vida, nos leva a dar …”). O ritmo lento, com a flauta fazendo intervenções junto com a voz, é simplesmente encantador. A bateria segura de Milton marca a canção quase com uma precisão cirúrgica, enquanto a letra vai descorrendo sobre como se livrar dos problemas, vendo que outras pessoas tem problemas piores que você, que você precisa mudar algumas situações/opiniões para ser mais feliz. Enfim, um quase “Close to the Edge” brasileiro.
As harmonias vocais juntamente dos teclados vão aumentando o ritmo da canção, até chegarmos no momento onde você “encara os problemas de frente”, com um belo solo de baixo seguido por uma sequência de solos de teclado e baixo. A flauta soa mais forte, acompanhada pelo violão de 12 cordas de Pacheco, onde as verdades que precisam ser vistas são mostradas. “Olhe tudo do jeito que você quiser ver, mas antes olhe pra dentro de você, o caminho começa por aí” é o ponto mais forte da canção, que segue no mesmo ritmo, com o baixo tomando conta da canção juntamente com a letra e os acompanhamentos dos violões. Por fim, “unam-se as mãos e venham conhecer essas crianças, por que essas crianças são vocês” encerra a letra, mostrando que todos somos crianças, que temos que evoluir e não criar problemas, mas sim aprender a solucioná-los. Uma bela letra para uma bela canção, que termina com uma voz feminina angelical, que não dá pra saber se é de uma mulher ou de uma menina, mas que fecha com chave de ouro essa canção. Esses vocais foram feitos pela cantora Cristina Lobão, que saiu do grupo ainda em 1977.
O grupo acabou sendo contratado exclusivo da TV TUPI, chegando inclusive a ter um clip que passava 6 vezes por dia na TV, durante 3 meses. Paralelo a isso, o Recordando o Vale das Maçãs participou regularmente de um dos maiores programas de audiência na época, “Almoço com as Estrelas”, apresentado por Lolita Rodrigues e Airton Rodrigues.
Em 1982, o grupo lançou o compacto “Sorriso de Verão/Flores na Estrada”, que segue a mesma linha do LP lançado quatro anos antes, agora com o baterista Lourenço Gotti, mas infelizmente a banda não atingiu o sucesso que merecia. A TV TUPI já havia fechado, e o Recordando o Vale das Maçãs passou a gravar especiais para TV Cultura, e participando de programas na Bandeirantes e Globo, com “Sorriso de Verão” levando-os ao primeiro lugar nas rádios (FM) de Santos, onde permaneceram durante 6 meses. Depois disso, o grupo separou-se. Em 1987, Fernando Pacheco lançou o excelente Himalaia, que conta com a participação de alguns músicos do RVM no lado A.
Nos anos 90, voltaram a fazer shows pelo Brasil, culminando no lançamento de As Crianças da Nova Floresta II (1994), o qual resgata canções de As Crianças da Nova Floresta e também de Himala, porém em versões instrumentais. O grupo foi descoberto na Europa e no Japão, já que As Crianças da Nova Floresta havia sido lançado por lá, em 1994, os leitores da revista francesa Big Bang elegeram As Crianças da Nova Floresta II como o melhor álbum de progressivo daquele ano, recebendo então o convite, através da embaixada francesa, de participar do Fête de la Musique em Paris, em 1997. Em 2006, foi lançado Spirals of Time, que apesar de não conter o nome do grupo, foi gravado pelos mesmos integrantes que mantém o nome Recordando o Vale das Maçãs na ativa.
Atualmente a banda faz shows em Minas Gerais,ao mesmo tempo que Domingos e Motta acabaram de lançar o excelente Reunião, mantendo o charme e a pureza dos anos 70, cultivadas através da sem igual suíte “As Crianças da Nova Floresta”. (Texto de Mairon Machado)
Fonte: https://consultoriadorock.com
Discografia
1977 - As Crianças da Nova Floresta
Outros álbuns similares
1982 - "Sorriso de Verão/Flores na Estrada" (Compacto)
1986 - Himalaia - Fernando Pacheco com Recordando o Vale das Maçãs
1993 - As Crianças da Nova Floresta II
1999 - Himalaia II
2001 - 1977-1982 (remasterização do LP “As Crianças da Nova Floresta” mais as composições do compacto “Sorriso de Verão”)
2006 - Spirals Of Time (lançado sob o nome G.A.L.F., porém com a formação do RVM de 2004/2006)
Vou indicar aqui quatro lançamentos de quatro bandas as quais acompanho já algum tempo, eu já vi três delas ao vivo, já indiquei as quatro nesta série sobre rock independente, e após ouvir os quatro trabalhos, ficou notória a evolução, que essa galera do underground vem alcançando no cenário nacional. A primeira é a banda paulistana 'O Terno 'com 'Melhor do Que Parece ', a segunda os goianos do 'Hellbenders' com o seu 'Peyote', a terceira os também goianos (como é forte essa cena de Goiais!), a 'Carne Doce' com 'Princesa' e a quarta o duo mineiro de Uberlândia do 'Muñoz' lançando 'Smokestack'. As quatro bandas são totalmente distintas uma das outras em substância sonora porém, muito talentosas e obstinadas, uma resgatando sonoridades dos 60 e 70, de Mutantes à Clube da Esquina, a segunda um stoner rock pesado, com pitadas de grunge e hardcore, a terceira o doce e amargo da 'Carne Doce', com a sua 'Princesa', um pós punk com sotaque marcante e único, graças a voz e a forma peculiar de cantar de Salma Jô, e a quarta oMuñoz, com um Stoner classudo, com muita influência do hard rocksetentista. Ouvi os quatro álbuns e gostei muito. Antes de escrever li ótimas críticas de sites especializados e por isso resolvi replicar suas resenhas, em vez de escrever as minhas, já que estão em plena sintonia com o que eu achei destes grandes lançamentos de 2016. O Terno - Melhor do Que Parece (2016)
O peso das guitarras, a clara evolução na construção dos versos e a busca declarada por novas sonoridades. Com o lançamento do segundo álbum de estúdio, em agosto de 2014, os integrantes d’O Terno deram um verdadeiro salto criativo em relação ao elogiado debut 66 (2012). Nada que se compare ao amadurecimento expresso nas canções de Melhor do Que Parece (2016, Independente), terceiro registro de inéditas da banda paulistana e um delicado conjunto de versos, referências extraídas de diferentes épocas e possibilidades que crescem do primeiro ao último instante do disco. Descomplicada e leve, como um típico produto radiofônico dos anos 1960/1970, a poesia de Tim Bernardes chega até o ouvinte desprovida de possíveis bloqueios. São músicas que detalham uma variedade de sentimentos essencialmente complexos (Depois que a dor passa), discorrem de forma cômica sobre os principais tormentos na vida de um jovem adulto (Nó), e ainda visitam diferentes cenários de forma nostálgica, marca da sensível Minas Gerais, oitava faixa do disco e uma das mais belas homenagens já escritas para o estado que carrega o nome da canção. Em Culpa, música de abertura do disco, um perfeito resumo da poesia bem-humorada que abastece a obra. Enquanto guitarras melódicas e vozes em coro apontam para o final da década de 1960, esbarrando de forma respeitosa em clássicos como Pet Sounds (1966), nos versos, Bernardes discute as diferentes manifestações da culpa que bagunçam a mente das pessoas— “Culpa de fazer sucesso / Culpa de ser um fracasso / Culpa sua / Culpa de cristão”. Um mero ponto de partida para o rico catálogo de temas que a banda detalha de forma segura com o passar do trabalho.
Além do fino toque de humor, o romantismo acaba se revelando outra importante peça para a construção do álbum. “Vem, volta / Que eu estou te esperando desde que eu nasci … E o amor que eu guardava, eu guardei pra você / E a pessoa que eu sonhava eu vi aparecer”, canta Bernardes em Volta, uma apaixonada reflexão sobre os encontros e desencontros de qualquer casal, conceito também incorporado na tragicômica O Orgulho e o Perdão (“Me desculpe, meu amor / Mas não posso te perdoar”) e Não Espero Mais (“Inventei caminhos, me perdi / Me encontrei quando te conheci”). O mesmo cuidado explícito na construção dos versos acaba refletindo em toda a base instrumental do registro. Arranjos orquestrais em Nó e Depois que a dor passa, o som empoeirado de Não Espero Mais – música que poderia ser encontrada em qualquer disco do Unknown Mortal Orchestra –, o peso das guitarras em Vamos Assumir e até o samba sujo de O Orgulho e o Perdão. Um colorido acervo de ritmos, como se o mesmo conceito explorado no trabalho anterior fosse ampliado de forma madura, efeito da profunda interação entre os integrantes da banda – completa com Guilherme D’Almeida (baixo) e Gabriel Basile (bateria). Última canção do disco, Melhor do Que Parece garante o fechamento ideal para o trabalho. Em uma estrutura crescente, guitarras distorcidas se perdem em meio a versos consumido pelo tédio, depressão e descrença. Pouco mais de seis minutos em que o canto angustiado de Tim Bernardes se choca com um imenso paredão de ruídos, arranjos de corda, batidas e instrumentos de sopro, fazendo do ato final do registro uma turbulenta colisão de ideias, síntese inventiva de todo o álbum.
Fonte: http://miojoindie.com.br/resenha-melhor-do-que-parece-o-terno/
Hellbenders - Peyote (2016)
Faz uma cara que publicamos algo sobre o Hellbenders. A última foi tipo dois anos atrás, quando lançamos o clipe de “No Thinking”. Àquela ocasião, a banda stoner já tinha passado pelo Rancho de La Luna, no deserto da Califórnia, onde gravaram o segundo álbum. De lá pra cá a curiosidade só cresceu, e, com ela a expectativa. Findo o suspense, aqui está o produto da experiência, que ganha o mundo com o apropriado nome de Peyote. Enquanto o primeiro álbum do quarteto goiano era uma compilação de tudo o que eles já haviam composto até então, este segundo trampo vem com músicas que transitam menos pelas diferentes praias do rock. O álbum, ao contrário, é marcado por riffs, andamentos e melodias que invocam uma potente unicidade. “A gente tem a sensação de que nesse segundo disco escrevemos num período de urgência e com influências não necessariamente diretas de artistas ou bandas que escutamos nesse tempo. Influências que transcendem a música”, diz o guitarrista e vocalista Braz Torres. O Rancho de La Luna, vocês sabem, é o estúdio do David Catching, que fez parte do Queens of the Stone Age e do Eagles of Death Metal como guitarrista e que já gravou bandas como Kyuss, Foo Fighters e o próprio QOTSA. Parece clichê dizer isso, mas tendo o som do Hellbenders tudo a ver com a vibe de um roadie movie pelo deserto, o isolamento e imersão total dos músicos naquele ambiente só veio inspirá-los a registrarem a sua melhor performance. Nas palavras do Braz, “é como se você sentisse a presença de tanta gente que já fugiu da cidade pra fazer música naquele lugar, é bem inspirador. Com certeza se o disco fosse gravado no Brasil soaria diferente.”
Peyote foi quase todo composto em três meses no estúdio do grupo, em Goiânia. O estúdio já estava agendado e os caras só tinham alguns rascunhos, daí a questão da urgência que o Braz menciona. “A primeira coisa que fizemos questão de fazer foi gravar ao vivo”, conta ele. “Gravamos todas as ‘faixas-base’ de bateria, baixo e guitarra em cerca de cinco dias. Depois fizemos gravações adicionais de guitarras, alguns synths, efeitos, percussões e as vozes. O estúdio tem muito equipamento velho e muita coisa de butique, acho que isso foi o que definiu o som que tiramos lá. Nada muito moderno, nada muito hi tech.” Algumas curiosidades interessantes do processo de gravação no Rancho: quando a banda chegou na Califórnia, o Mathias (engenheiro de som) disse que era uma tradição do Rancho que as bandas gravassem pelo menos uma faixa que tivesse sido feita do zero lá. Então nasceu “New Jam”. O nome que acabou ficando assim depois de tanto tempo sem um nome oficial. Outro lance: os vocais finais do disco foram quase todos as versões das vozes guias, que servem de referência para a gravação dos instrumentos. “Quando fomos refazer as vozes acabamos percebendo que os ‘scratch vocals’, como eles chamavam, estavam do caralho. Refizemos poucas coisas”, conta Braz. E eles também conheceram um punhado de gente bacana e tiveram seu momento de realização total quando viram o Chris Goss (que já produziu discos do Kyuss, QOTSA, Stone Temple Pilots) bater cabeça curtindo o riff de “Bloodshed Around”. Segundo o guitarrista, “Tentamos usar o máximo do arsenal de guitarras e pedais do Dave Catching, mas era impossível conseguir testar tudo. É bem massa vê-lo tocando no Eagles of Death Metal com as guitarras que a gente usou no disco.” (Texto de Eduardo Ribeiro)
Fonte: http://noisey.vice.com/pt_br/blog/hellbenders-album-peyote
Carne Doce - Princesa (2016)
Princesa representa uma ruptura em relação ao disco de estreia do Carne Doce. Diferentemente do debute – que foi concebido na terra natal dos músicos, Goiânia – o mais recente trabalho do quinteto foi registrado em terras paulistanas. Longe de casa, os goianos deixaram o estúdio caseiro e se enclausuraram entre as paredes centenárias da Subestação Riachuelo (atual Red Bull Station) para confeccionar o segundo álbum da carreira. Gravado no intervalo de um mês, o disco se distancia da aridez sonora do trabalho autointitulado de 2014. Esse desligamento em relação ao primogênito está inevitavelmente subordinado à transferência da capital do cerrado para a pauliceia desvairada. No entanto, atribuir a metamorfose musical unicamente à questão geográfica seria limitá-la. É evidente o aperfeiçoamento do senso de pontualidade entre os integrantes. Essa maior desenvoltura – o saber a nota certa na hora certa – é resultado da convivência sobre e fora dos palcos. Trocando em miúdos, os membros do Carne Doce aprenderam nesses dois anos a conversar melhor como banda. O que não significa, meramente, que hoje em dia eles toquem melhor do que na estreia. Parafraseando Nietzsche: o violino tocado pelo mais virtuoso dos violinistas pode ser confundido com um arranhado qualquer quando a sala é grande demais. É preciso se fazer ouvir. E foi isso o que Salma Jô, Macloys Aquino, João Victor Santana, Ricardo Machado e Aderson Maia fizeram nesse lapso temporal que separa Carne Doce de Princesa. Como as rupturas deixam marcas perenes, o Carne Doce traz para o segundo disco a ironia ambivalente do primeiro. No entanto, o mais recente trabalho do grupo não surge como um apêndice do anterior, ou então como uma continuação inconsistente que busca viver das reminiscências de uma estreia notável. Pelo contrário. Princesa aparece como uma entidade independente de seu antecessor. O segundo disco do Carne Doce oscila entre extremos. Na faixa homônima, a intérprete subverte, em uma psicodelia sacolejada e dançante, a lógica do pop romântico – na voz masculina o trecho “princesa, meu jeito vulgar vai te conquistar” soaria como um pastiche de filosofias de botequim. Em “Amiga”, uma balada melancólica marcada pelos teclados pausados, que soam como guitarras, Salma retrata a mulher que flerta com a solidão, mas que se sente sufocada pelas convenções sociais que exigem dela desenvoltura e extroversão o tempo todo.
Já em “Eu Te Odeio”, o contralto sussurrado da goiana se confunde com o dedilhado cadenciado de Aquino em uma inusitada canção de amor. Na sequência, com “Carne Lab”, o quinteto deixa sangrar sua veia mais experimental e lisérgica. Majoritariamente instrumental e com onze minutos de duração, a sétima faixa de Princesa é a mais longa da carreira e escancara a influência que grupos conterrâneos, como o Boogarins, tiveram na sonoridade da banda nos últimos anos. Por fim, o disco chega ao clímax com a tríade “O Pai”, “Artemísia” e “Falo”, sendo esta última o ápice do triângulo musical. As três canções se complementam ao dialogarem pungentemente com a questão da desigualdade de gênero. A dominação masculina aparece abertamente em “O Pai” na figura do patriarca, cujo tamanho é a medida de todas as coisas. Nesta canção, o eu lírico reconhece resignadamente na imagem do pater familias um indivíduo opressor e extremamente incisivo. “Artemísia” – referência ao gênero botânico conhecido pelas propriedades abortivas – retoma o assunto nas entrelinhas, mencionando implicitamente os homens que ditam as regras sobre o corpo feminino ao criminalizarem o aborto e colocarem a maternidade como uma obrigação inquestionável. A dominação de gênero volta a ser tratada explicitamente em “Falo”, momento mais crítico de todo o disco. Na canção, Salma se dá “o luxo de ser verborrágica” e faz um jogo de palavras com o verbo “falar” e o “falo” (símbolo que representa o órgão sexual masculino) que a todo custo tenta silenciá-la enquanto canta. O silenciamento pode ser observado na metáfora para o roubo de protagonismo (ao colocar o eu lírico como backing vocal da performance) ou então quando recorre ao "argumento" de que ela estaria se exaltando por estar “naqueles dias”. Contudo, em um fluxo de consciência crescente, a goiana contorna a situação e se coloca como sujeito de si mesma. “Meu bem, eu sempre fui selvática”, canta para em seguida encerrar vociferando o imperativo: “É bom que você se cuide/ Que não vai ter quem te acuda/ Quando eu quiser te capar!” Se Carne Doce (2014) apresenta certo senso de universalidade, Princesa revela-se mais confessional ao colocar o sentimento do mundo sob os olhos do feminino. Com seu contralto reverberante e letras que crescem nos ouvidos como pequenas parábolas à la Orides Fontela, Salma conta uma história. Ou histórias. Recortes arbitrários, soltos, mas que ao serem amalgamados ficam prenhes de significado. Como em um álbum fotográfico. É um disco desordenado, como são, de certo modo, as vidas. Vidas que escapam da pena da goiana e ganham consistência nos arranjos do quinteto. Princesa é as vidas das muitas mulheres que habitam Salma.(Texto de Gabriel Nunes)
Fonte: http://rollingstone.uol.com.br/
Muñoz - Smokestack (2016)
Smokestack é o segundo full álbum do Duo de Heavy/Blues/Rock/Stoner de Uberlândia/MG, radicada em Florianópolis. O álbum é composto de sete faixas que exploram fortemente os elementos do Blues e do Stoner Rock, além de versões das músicas “Somethimes I’m happy”, do Black Sabbath, e “Maybe, I’m a leo”, do Deep Purple.
O antecessor de Smokestack, Nebula, lançado em 2014 foi um dos melhores registros nacionais do gênero no seu ano de lançamento, e Smokestack pretende trilhar o mesmo caminho, dando ainda mais notoriedade para a dupla formada por Mauro Fontoura e Samuel Fontoura. Em várias apresentações pelo Sul do Brasil, os Muñoz já acompanharam várias bandas como Kadavar (Alemanha), Radio Moscow (EUA), Mars Red Sky (França), Truckfighters (Suécia) e Jeremy Irons & Ratgang Malibus (Suécia).
Fonte: http://octoberdoom.com/munoz-lanca-smokestack/