domingo, 27 de janeiro de 2013

RASCUNHO


Deixei partir o amor,
fui fraco eu sei,
quando percebi,
foi quando acordei.

Tentei lhe bendizer com uma flor 

que outrora roubei,
dum jardim proibido,
por onde passei.

Agora só me resta está dor,

que devo suportar,
sei o quanto já lamentei,
não quero aporrinhar.

Deste rascunho sem cor,

pode brotar,
quem sabe um samba,
pois sei que vai gostar.

Por você naveguei,

em mares desconhecidos,
também saboreei,
do mais doce manjar.

Fui descuidado eu sei,

deixei me levar,
pelos vícios que herdei,
mas nunca pelo vício de te amar.

Te amei desde a primeira vez,

desde quando pude te olhar,
e ainda ouço a música do teu riso,
quando vou me deitar.

Dei atenção a tua dor,

como se ela fosse tão minha,
talvez te sufoquei,
com minhas manias.


Não pude dar mais,
sinto muito,
mas neste tempo curto, 
dei o que podia.

Agora eu sei, 

não fui tão bom assim,
e mesmo que não pareça,
a culpa é toda minha

Igor Motta
2013








sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

SÃO PAULO

Minha cidade,
tão caótica e brilhante,
se divide entre o lixo e o luxo,
tão cheia de gente,
onde você encontra a solidão,
mesmo no meio da multidão.

25 de março,
amarrotada, 
de "felicidade" em forma de produto,
originais ou pirateados,
nela você encontra tudo.
24 de maio,
a velha galeria de cabeludos,
São Paulo é Rock and Roll e
também bucólico feito chorinho,

Av. Paulista ostenta, fazem as pessoas
terem um gostinho de 1º mundo.
Vila Mariana de bares e restaurantes,
esconde em suas noites, sua geração 
perdida.
Gosto mais da 13 de maio no Bixiga,
suas casas de Rock e de suas cantinas.

Tatuapé, um pouco de classe média 
na Zona leste, praça Silva Romero,
me da saudades de meu avô.
Zona Norte, Carandiru, agora
praça da juventude, derrubaram as 
estruturas que aprisionavam suas vergonhas,
e deram espaço para um pouco de lazer e cultura.

Em São Paulo você encontra tudo,
qualquer coisa que deseja,
caridade, malandragem e avareza,
a falta clara de educação quando pega
o trem para o subúrbio,
e a força que se mantem autoritária, agindo
no escuro.

São Paulo de todos sabores,
das histórias de amores,
do sucesso e da violência,
do povo misturado,
São Paulo é mestiço, mulato,
miscigenado.
Tem arranha céus espelhados,
e favelas de baixo do elevado.
Tem teatros e cinemas,
mais muito mais Shoppings,
grifes famosas, carros esporte,
bom mesmo é o Braz.

Ermelino Matarazzo,
meu berço franzino,
ainda menino procurando nesta imensidão
um lugar para brincar,
populoso bairro, onde as crianças caçam
lazer, nas pipas, na rua e nas praças.
praças mal feitas de concreto,
lhe faltam árvores.
Bairro de lutas, por educação,
moradia e cultura.
Sonhada Casa de Cultura que
nunca saiu do papel, um ótimo
marketing de campanha,
mas a molecada não se engana,
encontram em escombros espaço
para sua arte.

São Paulo é um gigante viciado,
sustenta todo um país,
uma cidade selvagem,
populosa como pau de cupim.
Nela eu cresci e adoeci,
odeio e a amo na mesma sintonia,
gosto do seu ar intelectual tão poluída,
de suas mil tendências.
Onde tribos famintos por espaço
se multiplicam.
Minha cidade, agora só volto a falar de você
amanhã, perdi a hora e tenho que correr,
o metrô parou e o transito também,
e lá fora aquele fedor do rio Tietê. 

Igor Motta
25/01/2013

"O que nos ilude na vida é o que há ao redor, é só prestar atenção ao que há ao redor e notará a artificialidade que há em tudo." 


  






terça-feira, 22 de janeiro de 2013

SAUDOSISMO PASSAGEIRO


Saudade das prateleiras de livros velhos,
de disco tocando na vitrola,
dos papos de filosofia depois da aula,
do cheiro de fritura da cantina,
saudades da inocência que eu tinha,
da vontade de mudar o mundo,
da roda de violão em frente a padaria,
da viela de paralelepípido,
das reuniões intermináveis da Gremeação.
Saudades do gosto do vinho barato,
da carteira de cigarros,
e do isqueiro Zippo.
Saudade do beijo de menina,
das cartas de amor trocadas no patio do colégio,
das trocas de olhares no corredor.
Saudades de andar nas ruas sem medo,
de me olhar no espelho, de ver os ensaios
de teatro e das bandas de garagem.
Saudade das professoras de história,
das aulas de arte e do cheiro de tinta,
das manifestações populares na avenida,
dos protestos e até das brigas,
saudade do tempo em que eu vivia.

2013


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O AGORA E O LUGAR



E se foi assim,
sem se despedir,
na aurora do tempo,
um lamento,
e uma canção de amor.

Rostos sem expressão,

conversas vazias de mesa de bar,
tentando de toda forma achar,
alguma explicação.

Todos sabem,

por quê todos sentem,
aquela coisa no coração,
num eterno pulsar.

Uma arritmia

uma descompassada,
altera seu humor,
acaba com o seu dia.

Fotos nos fazem recordar,

fatos do dia a dia a nos distanciar,
reconheço na alegria das pessoas,
que eu tento disfarçar,

à minha própria agonia de não desfrutar,

das simplicidades alheias,
peculiaridades das pessoas, 
que apenas gostam das coisas sem pensar.

sou um equívoco passageiro,

num bonde ao luar,
indo em rota à frente,
para os que vem atrás, avisar.

Não há nada além,

o agora é o seu lugar,
também não há nada atrás,
apenas viva a onde está.

2013
   

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

UMA NOITE EM 67



Os jovens de espírito só ficam velhos em corpo, pois ser jovem é ver o mundo como um leque sem dimensões para se experimentar, quando você desiste de experimentar e se convence com o feijão com arroz de todo dia, aí sim você é velho, ser conservador é temer o novo e o novo hoje me parece tão velho em conceitos, não digo isto referente a atitudes não pensadas e imaturas mas sim em conceitos de bom e beleza, qualidade de vida, o que é belo, o que é antiquado? O belo nunca é antiquado mas nem tudo que é velho é bonito, na música sentimos um ostracismo generalizado e ao mesmo tempo um conservadorismo do que é feio, é feio não abrir o leque antes de julgar, conhecer é entender, já fizeram passeatas contra a guitarra elétrica e aplaudiram e vaiaram o que era novo o que nos é velho hoje, mas não há mais nada se movimentando, só nas beiradas, "underground" estrangeirismo sim, a música é universal porquê a linguagem é universal, os egos não fazem com quê as pessoas se unam, seja para a música, seja para a política, seja apenas para um café, ninguém quer discutir o que para muitos é obvio, mas é obvio mesmo? tudo isto para dizer que tenho este eterno saudosismo do que não vivi, épocas em quê a música era mais importante do que o autor, e era belo músicos se unirem para compor e tocarem suas músicas ao vento e com o vento se espalhar. Mais um belo documentário de uma época rica em criatividade musical: 


 
"A ditadura do ter me impede de ser, sou um ser musical por natureza mesmo não tendo a educação necessária pra isso, não tenho a técnica, uso os sentidos, não sou afinado, canto mesmo assim... não sou vocabulário apenas vogal, não sou um dicionário apenas indico o índice, escrevo mau porquê falo mau e ouço mau, mas escrevo sempre...sou inquieto e ao mesmo tempo tímido, não sou o bêbado, sou o que há por trás dele, um poeta um lírico... não sou eu que implico são os outros que fazem tudo errado... os que me dizem o que eu deva fazer são aqueles que não concordam comigo... os que me dizem vá em frente são os meus inquilinos...aqueles que me alugam como um amigo."  

UM CANTO ENQUANTO ESPERO


Esperando o cheiro de fumaça se dissipar,
o sol novamente brilhar,
o amor bater na porta sem avisar,
o chamado de Deus para um proposito maior,
esperando o tele cine acabar,
numa noite de segunda feira tediosa,
esperando a Madre Teresa de Calcutá,
cair do seu laço, esplendorosa,
esperando o Papa tropeçar em sua manta vigorosa,
um vidente a assoprar pseudos adivinhamentos do amanhã,
ele não sabe que o amanhã é agora, 
tão previsível quanto falsário,
esperando o anjo cair e novamente voar,
esperando Kardec ressuscitar de sua sombra na pedra,
e Cristo tocar guitarra em uma banda,
solando escalas divinas, pregando sua palavra,
a verdade, que assola, esperando que ela nos chegue,
mas principalmente que eu a compreenda,
esperando a criança voltar da escola com segurança,
esperando a nova Bossa Nova pois a outra já é velha,
esperando a velha dança de ciranda para quem é novo,
esperando o baile de primavera.
Esperando como quem está cansado de esperar,
esperar é ter certeza do que ira ganhar,
só espera aquele que merece,
ir atrás das coisas e não deixa-las entrar,
é tão somente esperar por nada,
esperar o perdão é para quem não sabe perdoar,
o perdão é de dentro pra fora, não vale apena esperar,
esperar o canto do galo é se atrasar, antecipe seus passos,
cante antes do galo cantar.
Esperar o novo presidente é tão obvio,
melhor é assoviar.
Esperar a riqueza é acreditar nela, melhor é ignorar,
acreditar na riqueza é como esperar  a noiva no altar,
sem saber ao certo se ela virá, deixe as coisas acontecerem,
assim você terá certeza, que a melhor coisa foi esperar.

Igor Motta
2013