terça-feira, 22 de janeiro de 2013

SAUDOSISMO PASSAGEIRO


Saudade das prateleiras de livros velhos,
de disco tocando na vitrola,
dos papos de filosofia depois da aula,
do cheiro de fritura da cantina,
saudades da inocência que eu tinha,
da vontade de mudar o mundo,
da roda de violão em frente a padaria,
da viela de paralelepípido,
das reuniões intermináveis da Gremeação.
Saudades do gosto do vinho barato,
da carteira de cigarros,
e do isqueiro Zippo.
Saudade do beijo de menina,
das cartas de amor trocadas no patio do colégio,
das trocas de olhares no corredor.
Saudades de andar nas ruas sem medo,
de me olhar no espelho, de ver os ensaios
de teatro e das bandas de garagem.
Saudade das professoras de história,
das aulas de arte e do cheiro de tinta,
das manifestações populares na avenida,
dos protestos e até das brigas,
saudade do tempo em que eu vivia.

2013


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O AGORA E O LUGAR



E se foi assim,
sem se despedir,
na aurora do tempo,
um lamento,
e uma canção de amor.

Rostos sem expressão,

conversas vazias de mesa de bar,
tentando de toda forma achar,
alguma explicação.

Todos sabem,

por quê todos sentem,
aquela coisa no coração,
num eterno pulsar.

Uma arritmia

uma descompassada,
altera seu humor,
acaba com o seu dia.

Fotos nos fazem recordar,

fatos do dia a dia a nos distanciar,
reconheço na alegria das pessoas,
que eu tento disfarçar,

à minha própria agonia de não desfrutar,

das simplicidades alheias,
peculiaridades das pessoas, 
que apenas gostam das coisas sem pensar.

sou um equívoco passageiro,

num bonde ao luar,
indo em rota à frente,
para os que vem atrás, avisar.

Não há nada além,

o agora é o seu lugar,
também não há nada atrás,
apenas viva a onde está.

2013
   

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

UMA NOITE EM 67



Os jovens de espírito só ficam velhos em corpo, pois ser jovem é ver o mundo como um leque sem dimensões para se experimentar, quando você desiste de experimentar e se convence com o feijão com arroz de todo dia, aí sim você é velho, ser conservador é temer o novo e o novo hoje me parece tão velho em conceitos, não digo isto referente a atitudes não pensadas e imaturas mas sim em conceitos de bom e beleza, qualidade de vida, o que é belo, o que é antiquado? O belo nunca é antiquado mas nem tudo que é velho é bonito, na música sentimos um ostracismo generalizado e ao mesmo tempo um conservadorismo do que é feio, é feio não abrir o leque antes de julgar, conhecer é entender, já fizeram passeatas contra a guitarra elétrica e aplaudiram e vaiaram o que era novo o que nos é velho hoje, mas não há mais nada se movimentando, só nas beiradas, "underground" estrangeirismo sim, a música é universal porquê a linguagem é universal, os egos não fazem com quê as pessoas se unam, seja para a música, seja para a política, seja apenas para um café, ninguém quer discutir o que para muitos é obvio, mas é obvio mesmo? tudo isto para dizer que tenho este eterno saudosismo do que não vivi, épocas em quê a música era mais importante do que o autor, e era belo músicos se unirem para compor e tocarem suas músicas ao vento e com o vento se espalhar. Mais um belo documentário de uma época rica em criatividade musical: 


 
"A ditadura do ter me impede de ser, sou um ser musical por natureza mesmo não tendo a educação necessária pra isso, não tenho a técnica, uso os sentidos, não sou afinado, canto mesmo assim... não sou vocabulário apenas vogal, não sou um dicionário apenas indico o índice, escrevo mau porquê falo mau e ouço mau, mas escrevo sempre...sou inquieto e ao mesmo tempo tímido, não sou o bêbado, sou o que há por trás dele, um poeta um lírico... não sou eu que implico são os outros que fazem tudo errado... os que me dizem o que eu deva fazer são aqueles que não concordam comigo... os que me dizem vá em frente são os meus inquilinos...aqueles que me alugam como um amigo."  

UM CANTO ENQUANTO ESPERO


Esperando o cheiro de fumaça se dissipar,
o sol novamente brilhar,
o amor bater na porta sem avisar,
o chamado de Deus para um proposito maior,
esperando o tele cine acabar,
numa noite de segunda feira tediosa,
esperando a Madre Teresa de Calcutá,
cair do seu laço, esplendorosa,
esperando o Papa tropeçar em sua manta vigorosa,
um vidente a assoprar pseudos adivinhamentos do amanhã,
ele não sabe que o amanhã é agora, 
tão previsível quanto falsário,
esperando o anjo cair e novamente voar,
esperando Kardec ressuscitar de sua sombra na pedra,
e Cristo tocar guitarra em uma banda,
solando escalas divinas, pregando sua palavra,
a verdade, que assola, esperando que ela nos chegue,
mas principalmente que eu a compreenda,
esperando a criança voltar da escola com segurança,
esperando a nova Bossa Nova pois a outra já é velha,
esperando a velha dança de ciranda para quem é novo,
esperando o baile de primavera.
Esperando como quem está cansado de esperar,
esperar é ter certeza do que ira ganhar,
só espera aquele que merece,
ir atrás das coisas e não deixa-las entrar,
é tão somente esperar por nada,
esperar o perdão é para quem não sabe perdoar,
o perdão é de dentro pra fora, não vale apena esperar,
esperar o canto do galo é se atrasar, antecipe seus passos,
cante antes do galo cantar.
Esperar o novo presidente é tão obvio,
melhor é assoviar.
Esperar a riqueza é acreditar nela, melhor é ignorar,
acreditar na riqueza é como esperar  a noiva no altar,
sem saber ao certo se ela virá, deixe as coisas acontecerem,
assim você terá certeza, que a melhor coisa foi esperar.

Igor Motta
2013

RAUL - O INICIO, O FIM E O MEIO



O terceiro filme documental que eu recomendo de ótima produção, com cenas inéditas e narrando de forma cronológica e perfeita a vida contraditória do maior ícone do Rock Brasileiro. Raul Seixas e todas as suas facetas são colocadas à mesa neste filme com depoimentos emocionados de pessoas que estiveram em seu tempo ao seu lado, de perto ou de longe da figura que fora Raul e suas metamorfoses. Este que cantou à própria morte e a esperou como quem espera uma amante, tornou-se tão grande em morte quanto em vida, acumulou legiões de fãs como uma Igreja acumula fiéis, profetizou ao povo suas inquietações com ironia e sarcasmo, poesia e paixão e tornou o ritmo norte americano conhecido como Rock tão popular quanto o samba carioca, brincou com a linguagem regional da Bahia e do Sertão com as gírias do inglês de Elvis misturada com o Baião de Luiz Gonzaga. Este sim foi o rei do Rock Brasileiro, o rock tornou-se brasileiro com a sua voz, fez o que quis conforme a sua própria lei.

"Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio" reverencia fundador do rock nacional Divulgação/Divulgação


Na onda dos novos documentários que fazem a arqueologia dos primórdios da cultura pop nacional, Raul - O Início, o Fim e o Meio, de Walter Carvalho, é o filme que vem para reaproximar a lenda histórica da emoção que um dia ela causou.
É um filme que deve causar uma nova onda de "raulseixismo". Segundo dados da produção, mesmo 20 anos após sua morte, Raul Seixas ainda é um dos artistas que mais vendem discos no País, cerca de 300 mil cópias ao ano. A estreia do documentário será 23 de março.
No início do filme, um sósia de Raulzito desliza por uma autoestrada com uma motocicleta, e a essas cenas são contrapostas imagens do filme "Sem Destino"(Easy Rider), ícone da contracultura e essência do road movie. A trilha do passeio funde rock'n'roll e baião, cultura americana e periferia de Salvador.
"Ao começar, minha única intenção era conhecer Raul Seixas. Eu não faço filme para provar nada", diz o diretor Walter Carvalho. "Achava e continuo achando que um mito como Raul não tem explicação e nem deve ter. Ele está no inconsciente das pessoas."
O documentário traz imagens inéditas de diversos arquivos e cerca de 94 (50 estão no filme) entrevistas em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro e no exterior (Suíça e Estados Unidos), reunindo ex-mulheres, filhos, amigos de infância, músicos, profissionais da área musical e parceiros, como Paulo Coelho.Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/


Elenco: Depoimentos de Paulo Coelho, Nelson Motta, Tom Zé, Pedro Bial e Caetano Veloso.
Direção: Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel
Gênero: Documentário
Duração: 100 min.
Distribuidora: Paramount Pictures
Estreia: 23 de Março de 2012
Sinopse: Documentário sobre vida e obra do maior ícone do rock brasileiro, desvendando suas diversas facetas, suas parcerias com Paulo Coelho, seus casamentos e seus fãs, que ele continua a mobilizar 20 anos depois de sua morte
Confira o trailer do documentário: 

LOKI - ARNALDO BAPTISTA


O ARTISTA. O GÊNIO. O MUTANTE. 
ARNALDO BAPTISTA.


O segundo filme que eu recomendo é LOKI que narra a trajetória de Arnaldo Baptista um dos fundadores dos Mutantes, este documentário é maravilhoso, nele vemos o poder do amor e da música, está viagem que pode nos colocar num abismo e que também tem o mesmo poder de nos regatar à vida, Arnaldo e sua genialidade num país tão falso moralista e careta, com direção de Paulo Henrique Fontenelle vemos a memória artística deste país sendo valorizada por olhares externos de espectadores do mundo inteiro, é extraordinário o quanto só damos valor a algo quando a crítica vem de fora.

Sinopse: 
Cinebiografia do músico Arnaldo Baptista, ex-integrante dos Mutantes, contada através de um quadro traçado pelo próprio artista. A pintura é intercalada com imagens históricas que remetem aos principais momentos de sua trajetória artística, que fizeram dele um dos grandes nomes do rock brasileiro. Depoimentos de Tom Zé, Nelson Motta, Gilberto Gil, Sean Lennon, entre outros.

Informações do filme:

Título no Brasil: Loki - Arnaldo Baptista

Título Original: Loki - Arnaldo Baptista
País de Origem: Brasil 
Gênero: Documentário
 
Tempo de Duração: 120 minutos
 
Ano de Lançamento: 2008
 
Estréia no Brasil: 19/06/2009 
Site Oficial:

Estúdio/Distrib.: Mais Filmes 
Direção: Paulo Henrique Fontenelle
 

ELENCO:
 
Arnaldo Baptista
 
Tom Zé

Nelson Motta 
Gilberto Gil 
Sean Lennon