quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
TROPICÁLIA

Ultimamente venho me encantando com produções Brasileiras de documentários e filmes que resgatam um pouco da memória de uma época realmente rica de nossa cultura, este país que é tão desmemoriado pelo menos agora poderá conhecer, relembrar e curtir está época e o seus representantes. O primeiro deles é Tropicália, um documentário sensacional sobre este movimento musical, artístico que literalmente personifica a antropofagia de Oswald de Andrade em uma linguagem de vanguarda numa época de repressão por parte da Ditadura Militar tanto quanto pela juventude nacionalista de esquerda, conservadora.
“O nome de um movimento só existe enquanto o movimento existe e o Tropicalismo não existe mais como movimento.” É com essa veemente frase de Caetano Veloso em uma entrevista para a televisão portuguesa em 1969, que o documentário Tropicália tem seu começo. Vamos, camaradas: arregacem as calças e subam os vestidos!
Tropicália – o filme, retrata o panorama político e, principalmente, cultural de 1967 a 1969, os anos de ouro doTropicalismo – apesar de acreditar que a última data pode ser estendida para a eternidade. Com uma rica pesquisa de foto, vídeo e áudio – vários deles inéditos até mesmo para os próprios tropicalistas – o documentário é, segundo o diretor, o filme definitivo sobre a Tropicália. Será? Prossigamos a leitura.
Por entre fotos e nomes, o diretor Marcelo Machado vai sem lenço, mas com muitos documentos. Começando em 1967, ele busca no III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, o começo de uma revolução.
No mesmo período, em 17 de julho daquele ano, há a passeata contra a guitarra elétrica – na qual, ironicamente, Gilberto Gil, que usou guitarras elétricas em sua apresentação no festival, acompanhou seus amigos Jair Rodrigues, Edu Lobo e Elis Regina. Esta era uma passeata organizada pelas gravadoras de música brasileira tradicional, com o intuito de alfinetar a rincha já existente entre a MPB e a Jovem Guarda.
Não obstante, temos a estreia de Gil, Caetano e Gal com o tropicalismo na apoteose musical da Record, quando introduziram guitarras elétricas e orquestra à música popular e agregaram a tão comentada antropofagia cultural, a fim de tornar a música algo único, universal. Mesmo com iniciais torções de nariz, foram ovacionados e obrigados ao bis.
Foi nesse mesmo período, o auge de Glauber Rocha, com o cinema novo. Ele mesmo, que compartilhou o nascimento do movimento nas confrarias baianas, disse em entrevista “Eu já estou de saco cheio desse negócio de Tropicalismo”. Também, o encontro com José Celso Martinez Correa, o Zé Celso, e seu Teatro Oficina, que participou de maneira notória para a concretização do movimento. Além, é claro, do artista plásticoHélio Oiticica com sua intervenção Tropicália, que nomeou o movimento.
Já em 1968, depois do homérico discurso de Caetano no IV Festival da MPB em que avisa ao público “Vocês não estão entendendo nada! Nada!”, Marcelo mostra o período mais sombrio da Ditadura Militar, quando o presidente Costa e Silva decretou o Ato Inconstitucional nº 5. A partir daí, tudo ficou mais difícil, até para os músicos. Muitos foram torturados, muitos foram presos e, obviamente, exilados.
E foi justamente no caminho do exílio que Gil e Caetano se apresentaram em um programa de televisão português durante um parada em Portugal antes de seguirem viagem ao destino final, Londres. Nele, o apresentador pediu a Caetano que explicasse para o público o que era o Tropicalismo. Foi quando Caetano respondeu com um longo e hesitante “Well…”.
Já instalados na capital britânica, os heróis da Tropicália – de maneira alguma me esquecendo do rei Rogério Duprat, do profeta Tom Zé e dOs Mutantes, mas entendam a parcimônia – participaram do Festival de jazz na Ilha de Wight, onde Janis Joplin e Jimi Hendrix iriam se apresentar. Em imagens até então inexistentes, Caetano cantarola uma bela canção de seu LP de 1971, Shoot me Dead, com Gil e vários amigos músicos, nada diferente dos ensaios em seu recanto no recôncavo baiano.
(Momentos antes, no camarim de Hendrix, os dois foram convidados a conhecer o rei da guitarra elétrica. Depois que Jimi foi para o palco, Veloso comentou com Gil “Rapaz, esse cara parece os mulatos lá de Santo Amaro…”)
Quando, em 1970, puderam voltar para as janelas e portas abertas do país tropical, Gil e Caetano foram recebidos de braços abertos. Festejando o retorno, Gil compôs a emblemática canção Back to Bahia (De volta para Bahia) saudando aqueles mesmos braços molhados de saudade. E foi na festa de aniversário de seu filho Pedro, que Gil a tocou para seus amigos. Mas não sem registro. Esse é outro vídeo inédito que vemos junto com os dois pela primeira vez. E vemos, além disso, as suas reações ao verem as imagens. O sorriso dos baianos não cabe no rosto, assim como a emoção nos olhos.
Rico em recursos gráficos, entrevistas e, claro, com uma impecável trilha sonora, Marcelo Machado conseguiu. Ele conseguiu nos emocionar e nos transferir, de alguma maneira, àquele momento tão efervescente e antropofágico dos anos 60. Além disso, ele deixou em cada um de nós, espectadores, um resíduo a ser assimilado e refletido. Enfim, uma bela homenagem ao Tropicalismo. Mas definitivo? Enquanto há vida, há tempo. E quer saber? Viva Cacilda Becker!
Veja aqui o trailer de Tropicália, o filme
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
SOUL KITCHEN

Ultimamente estou entrando numa fase de auto conhecimento se assim pode se dizer, quer dizer há algum tempo faço milhões de questionamentos existenciais, políticos e etc. Bom, escrevi pra falar de um filme que eu revi ontem, Soul Kichen, que não tem nada haver com a música dos The Doors, fala de culinária, na verdade uma comédia de situações, um filme co produzido na Alemanha e Turquia com direção de Fatih Akin, um filme de 2009. Penso que situações como as que vivi em tempos, daria um ótimo roteiro para um filme como este, de tão absurdas as situações que já passei como no filme. Nada nele soa ser ficção, pois os acontecimentos do filme são todos possíveis, imprevisíveis mais possíveis:

O choque da tradição europeia com a miscigenação cigana marca os filmes do diretor alemão de ascendência turca Fatih Akin, como Contra a Parede e Do outro lado. Akin muda de gêneros, vai do documentário musical ao filme-mosaico, mas mantém sempre um certo grau de impacto.
A premissa antepõe mercenários e puros de coração. De um lado, um especulador que surfa na gentrificação (a transformação de bairros tradicionais de classe baixa em valorizados espaços de boom imobiliário) de Hamburgo e está de olho no galpão velho onde funciona o pé-sujo Soul Kitchen. Do outro, o dono do restaurante, que não quer vendê-lo mas também sofre para pagar suas contas.
Obviamente, o especulador (vivido por Wotan Wilke Möhring) personifica o alemão secular, loiro, pragmático - que pensa em vender o galpão para o personagem interpretado por Udo Kier, ator associado a nazistas no cinema. Já o dono do restaurante, o imigrante grego Zinos (Adam Bousdoukos), é o típico galã errante, que gosta de comida "com alma", escuta caixinhas de músicas etc.
O que Soul Kitchen tem de mais interessante - e que está intrinsecamente ligado ao cinema anterior de Fatih Akin - é que sua defesa das coisas bonitas e pulsantes passa pela mistura. É uma nostalgia ao contrário, que só um cosmopolita poderia conceber: a vida cigana, as drogas, o rock, não são sinônimos de cultura diluída, mas de autenticidade. Não há problema, segundo essa ótica, em misturar cartazes da propaganda soviética com black music e pôsteres de cultura punk.
O hype, para Akin, é uma coisa do bem. Se a gentrificação de Hamburgo gera guindastes pelo horizonte (quando filma em prédios envidraçados, o diretor não deixa os guindastes saírem de quadro), por outro lado também gera butecos, restaurantes e outras ilhas onde o vintage é uma commodity aceita - e valiosa.
Marcelo Hessel
18 de Março de 2010
Fonte:http://omelete.uol.com.br/cinema/critica-soul-kitchen/

A premissa antepõe mercenários e puros de coração. De um lado, um especulador que surfa na gentrificação (a transformação de bairros tradicionais de classe baixa em valorizados espaços de boom imobiliário) de Hamburgo e está de olho no galpão velho onde funciona o pé-sujo Soul Kitchen. Do outro, o dono do restaurante, que não quer vendê-lo mas também sofre para pagar suas contas.
Obviamente, o especulador (vivido por Wotan Wilke Möhring) personifica o alemão secular, loiro, pragmático - que pensa em vender o galpão para o personagem interpretado por Udo Kier, ator associado a nazistas no cinema. Já o dono do restaurante, o imigrante grego Zinos (Adam Bousdoukos), é o típico galã errante, que gosta de comida "com alma", escuta caixinhas de músicas etc.
O que Soul Kitchen tem de mais interessante - e que está intrinsecamente ligado ao cinema anterior de Fatih Akin - é que sua defesa das coisas bonitas e pulsantes passa pela mistura. É uma nostalgia ao contrário, que só um cosmopolita poderia conceber: a vida cigana, as drogas, o rock, não são sinônimos de cultura diluída, mas de autenticidade. Não há problema, segundo essa ótica, em misturar cartazes da propaganda soviética com black music e pôsteres de cultura punk.
O hype, para Akin, é uma coisa do bem. Se a gentrificação de Hamburgo gera guindastes pelo horizonte (quando filma em prédios envidraçados, o diretor não deixa os guindastes saírem de quadro), por outro lado também gera butecos, restaurantes e outras ilhas onde o vintage é uma commodity aceita - e valiosa.
Marcelo Hessel
18 de Março de 2010
Fonte:http://omelete.uol.com.br/cinema/critica-soul-kitchen/
Sinopse: Zinos Kazantsakis (Adam Bousdoukos) é o proprietário do restaurante Soul Kitchen. O negócio não anda bem, pois os clientes não aprovam a comida feita pelo novo cozinheiro. Para piorar a situação, Nadine Krüger (Pheline Roggan), a namorada de Zinos, resolveu se mudar para Xangai. Logo ele resolve partir à sua procura, mas para tanto precisa deixar o comando do restaurante a cargo de seu irmão, Illias (Moritz Bleibtreu), que saiu recentemente da prisão. Não demora muito para que Zinos descubra que Nadine já tem um novo namorado e que Illias perca o restaurante no jogo.

Anotação em 2010: Soul Kitchen é um filme alegre, bemhumorado, gostoso. Fala de coisas duras – vida de imigrantes em país rico, criminalidade, a tentação do crime, as mil dificuldades de se tocar um pequeno negócio sem muito dinheiro, os agentes do Estado que estão sempre pegando no pé e na carteira dos pequenos empresários, corrupção, problema de saúde quando não se tem plano médico particular. Mas fala de tudo isso com um tom abertamente alegre, bem humorado, gostoso.
Muitos dos personagens de Soul Kitchen – a ação se passa em Hamburgo, na severa, sisuda Alemanha de hoje – parecem o que conhecemos como o protótipo do malandro carioca: sempre se safam das maiores dificuldades, com bom humor, com ginga de corpo, com jeitinho. E com grande paixão por comida, música, dança e sexo.
Parecem mais personagens de uma comédia gostosa de Mario Monicelli ou de Hugo Carvana que de um filme de Fatih Akin.
Muitos dos personagens de Soul Kitchen – a ação se passa em Hamburgo, na severa, sisuda Alemanha de hoje – parecem o que conhecemos como o protótipo do malandro carioca: sempre se safam das maiores dificuldades, com bom humor, com ginga de corpo, com jeitinho. E com grande paixão por comida, música, dança e sexo.
Parecem mais personagens de uma comédia gostosa de Mario Monicelli ou de Hugo Carvana que de um filme de Fatih Akin.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
O PROFETA - GIBRAN KHALIL GIBRAN (DICA DE LIVRO)

Aprendi com Gibran Kalil Gibran, n’O Profeta, que caminhamos como numa procissão, e aquele que tropeça e cai peca menos que aquele que antes dele viu a pedra e não a retirou do caminho ou não avisou aos outros que vinham depois dele.
"Um Livro que inspira e reconforta numa época de Perplexidade"
Um enriquecimento espiritual e uma visão de beleza raramente igualados. A sabedoria oriental, produto daquela terra onde nascem os profetas e as religiões, sempre fascinou as almas sensíveis.
Este livro contém a essência dessa sabedoria, aplicada não a problemas transcendentais mas à nossa vida cotidiana, e expressada num dos estilos mais fascinantes de toda a literatura contemporânea.
As edições anteriores desta tradução têm-se esgotado com excepcional rapidez. E raros são aqueles que, após ler o seu exemplar, não voltam à livraria comprar outros exemplares para seus amigos.
Pois a leitura deste livro é mais do quê uma leitura: é uma deliciosa renovação da almaQuando uma pessoa está fisicamente esgotada, vai respirar o ar vivificante das montanhas. Espiritualmente também, as pessoas se esgotam: o egoísmo, a concorrência feroz, o automatismo, a solidão moral, a insensibilidade que caracterizam os tempos modernos afetam nossas almas mais ainda do que a exaustão afeta nossos corpos.
E livros como O Profeta são as alturas vivificantes de que a alma precisa.
Comece a ler este livro hoje mesmo. Sua leitura não lhe tomará mais de duas horas. Mas a beleza de suas parábolas, a melodia de seu estilo, o estímulo de seus pensamentos, a profundidade dos seus conceitos o acompanharão durante meses.
O Profeta, escrito originalmente em árabe e, depois, em inglês, por um dos escritores mais extraordinários do século XX, já foi traduzido para mais de 30 idiomas. E em toda parte, das agitadas metrópoles às aldeias sonolentas, centenas de milhares de pessoas fazem dele o seu livro de cabeceira e para ele se voltam cada vez que sentem saudade das alturas e da primavera.
Aproveitem este livro, e deixe que ele os levem sobre as asas da poesia ao mundo maravilhoso da sabedoria e da beleza.
(Prefácio de Mansour Challita)
Frases de Gibran Khalil Gibran
“Poetas não são aqueles que escrevem poesia, mas todos os que tem o coração cheio deste espírito sagrado.”
“Os corações que as tristezas unem permanecem unidos para sempre. O laço da tristeza é mais forte que o laço da alegria. E o amor que as lágrimas lavam torna-se eternamente puro e belo.”
“É melhor ser a flor pisada do que o pé que pisou a flor”
"A beleza só pode ser compreendida pelo espírito e o espírito só nasce e se desenvolve em sua companhia."
"A morte não está mais perto do idoso do que do recém-nascido Nem a vida."
"Até o espírito mais alado não pode escapar da necessidade física."
"E ao fim, quando baixei novamente à planície, e da planície, após, desci aos vales meus, meus olhos viram num deslumbramento, que também nas planícies e nos vales, em tudo, estava Deus."
"Quando te separares de um amigo, não te preocupes, pois o que tu amas nele pode tornar-se mais claro com a sua ausência, assim como para o alpinista a montanha aparece mais clara vista da planície."
"Para entender o coração e a mente de uma pessoa, não olhe para o que ela já conseguiu, mas para o que ela aspira."
"Pois as distâncias não existem para a recordação; e somente o esquecimento é um abismo que nem a voz nem o olho podem atravessar."
"Considero-me estrangeiro em qualquer país, alheio,a qualquer raça. Pois a terra é minha pátria e a humanidade toda é meu povo."
"Do sofrimento emergiram os espíritos mais fortes, as personalidades mais sólidas marcadas com cicatrizes."
"É errado pensar que o amor vem do companheirismo de longo tempo ou do cortejo perseverante. O amor é filho da afinidade espiritual e a menos que esta afinidade seja criada em um instante, ela não será criada em anos, ou mesmo em gerações."
''As grandes dores são mudas''.
"Árvores são poemas que a terra escreve para o céu. Nós as derrubamos e as transformamos em papel para registrar todo nosso vazio."
"O desejo é a metade da vida; a indiferença a metade da morte!"
"Deve existir algo estranhamente sagrado no sal: está em nossas lágrimas e no mar..."
"Todo o trabalho é vazio a não ser que haja amor."
"Dizeis: darei só aos que precisam. Mas os vossos pomares não dizem assim; dão para continuar a viver, pois reter é perecer."
"A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes."
"O amigo é a resposta aos teus desejos. Mas não o procures para matar o tempo! Procura-o sempre para as horas vivas. Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio."
"A Razão e a Paixão são o leme e as velas da alma navegante. Sem ambos, ficarias à deriva ou parado no meio do mar.
Se a Razão governar sozinha, será uma força limitadora. E uma Paixão Ignorada é uma chama que arde até sua própria destruição."
O Profeta
Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão: Que haja antes um mar ondulante entre as praias de vossas almas. Encheis a taça um do outro, mas não bebais na mesma taça.Dai de vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vos estar sozinho, Assim como as cordas da lira são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia.
Dai vossos corações, mas não confieis a guarda um do outro. Pois somente a mão da vida pode conter nossos corações.
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia; Pois as colunas do templo erguem-se separadamente, E o carvalho e o cipreste não crescem a sombra um do outro.
"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito, mas há os que não levam nada."
"A simplicidade é o último degrau da sabedoria."
"O importante para uma pessoa não são os seus sucessos mas sim quanto os deseja."
"A sabedoria é a única riqueza que os tiranos não podem expropriar."
"Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores."
"O desgosto é o obscurecimento do espírito e não o seu castigo."
"Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria."
"Cada vez mais desesperadamente o homem procura dilatar o tempo que já não tem."
"A música é a linguagem dos espíritos."
Khalil Gibran
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
SUB EXISTÊNCIA - REPRESENTANTES DO PUNK ROCK NA ZONA LESTE A 25 ANOS
Sub Existência é uma banda formada em 1986, na periferia da Zona Leste de São Paulo, formada por Walter Detrito voz e guitarra, Lããdu baixo e Marcelo Kaskadura bateria. lançaram em 2012 o CD Do Kaos à Utopia que marcam os 25 anos da banda. Walter Detrito líder e fundador da banda ressalta que, como a banda é a mais antiga em atividade na região, tem como compromisso representar a cultura e a cena underground de modo geral além do envolvimento com movimentos sociais.
Ouvi o CD e de cara me deparei com a introdução, com a vinheta que a Rede Globo de televisão utiliza para dar notícias de última hora, que todos conhecem, introduzindo a eletrizante primeira faixa "Alienação Extrema", um Punk Rock vigoroso. Senti ao longo do disco influência das bandas de Punk do final dos anos 70, a segunda faixa "Fogo Cruzado", que traz um questionamento sobre a própria existência, é rápida, tem o peso certo nas guitarras e me deu vontade de ouvir meus próprios vinis dos Inocentes, Cólera e Restos de Nada, expoentes mais conhecidas dos anos 80. "Mundo de Ilusão" a terceira faixa poem a mesa a discussão política, de promessas não cumpridas e das dificuldades que isto nos impõem. "Vida de Garagem", pode ser considerada um hino para bandas Underground, a letra renega a indústria e exalta a liberdade que só a garagem pode dar à uma banda. A faixa "Ódio na direção certa" tem um ótimo riff de guitarra na introdução, é rápida e certeira, a letra defende o ódio como ferramenta para se ir para frente e enfrentar a realidade.
"Dekadênciamania" faz um questionamento sobre como as questões externas influenciam na vida cotidiana, ótima para fazer pegar fogo a plateia de um show. Seguem o disco com "Sub Condicional", a minha preferida, um ótimo refrão e uma fúria contagiante, "Adaptado" e "Leis da Liberdade", novamente nos leva a discussão das questões externas que nos influenciam. "Direito a Razão" começa com uma super linha de baixo de Lããdu na introdução, "Terceiro Mundo" com Introdução de Padre Quevedo, hilário, e a música "Explorado e Explorador" fecha o disco como faixa bônus em tributo a banda Cólera. Um ótimo trabalho que representa o Punk Rock Paulistano nos dias de hoje da maneira que tem que ser, underground, alternativo, pesado e rápido. Parabéns Rapazes espero poder ouvir novos trabalhos daqui pra frente.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
OS MUTANTES OS BEATLES BRASILEIROS (ENTREVISTA COM A BANDA)
Bom, com tantas reuniões que já vimos ao redor do mundo de bandas clássicas como Pink Floyd, Creamm, The Doors, Black Sabbath e a mais comentada hoje, Led Zeppelin por causa dos lançamentos dos registros do Show histórico em 2007, fiquei pensando que talvez isso tudo seja uma tendência, pois bem em 2007 ano da realização da reunião do Zeppelin aqui no Brasil houve um lançamento do registro em DVD e CD da banda O Terço com uma das formações clássica (belo registro) e também teve a histórica reunião dos Mutantes, banda o qual denomino os Beatles Brasileiros, primeiramente pela inovação o qual os irmãos Sergio e Arnaldo Baptista com a nossa musa Rockeira Rita Lee fizeram na música Brasileira e pela sonoridade original que a banda conquistou, num país onde guitarra elétrica era novidade e poucos eram os recursos tecnológicos que haviam para se criar algo parecido com os padrões internacionais. Estes magos, quase alquimistas do som, criaram uma música unica e que ganhou muitos adeptos dentro e fora do país, podemos citar Sean Lennon, Kurt Cobain e Mike Patton entre outros.
Contrariando a vocalista Rita Lee, o grupo que revolucionou a música brasileira se juntou à cantora Zélia Duncan e voltou aos palcos depois de mais de 30 anos. O quarteto comemorou o sucesso desta histórica reunião com o lançamento de um CD e DVD ao vivo gravado em Londres e uma turnê pelo País.
02 - Caminhante Noturno
03 - Ave Gengis Khan
04 - Tecnicolor
05 - Virginia
06 - Cantor de Mambo
07 - El Justiciero
08 - Baby
09 - I'm Sorry Baby
(Desculpe, Babe)
10 - Top Top
11 - Dia 36
12 - Fuga Nº II
13 - Le Premier Bonheur du Jour
14 - Dois Mil e Um
15 - Ave Lúcifer
16 - Balada do Louco
17 - I Feel a Little Spaced Out
(Ando Meio Desligado)
18 - A Hora e a Vez do Cabelo Nascer
(Cabeludo Patriota)
19 - A Minha Menina
20 - Bat Macumba
21 - Panis et Circenses
EXTRAS
DOCUMENTARIOS
Mutantes 2006
Videos Clips - Ensaios - Galeria de fotos.
Muitos diziam ser impossível enquanto outros – como a vocalista Rita Lee – ironizavam, mas os Mutantes estão de volta e de forma excepcional. Os integrantes da formação clássica Arnaldo Baptista (vocal, órgão e leslie vox), Sérgio Dias (vocal, guitarra e trompa) e Dinho Leme (bateria) se uniram a cantora Zélia Duncan – fã do grupo desde a adolescência – e reviveram o tropicalismo pscicodélico dos anos 60 e 70.
Em entrevista a revista Comando Rock em 2007, os simpáticos músicos falam da volta dos Mutantes, o primeiro show em Londres, a escolha do repertório, os quase 30 anos que Dinho ficou longe da música e a entrada de Zélia Duncan, ironizam as declarações contrárias de Rita Lee, homenageiam o falecido maestro Rogério Duprat, comentam os anos de afastamento entre os irmãos Sérgio e Arnaldo, avaliam o mercado musical atualmente e comemoram a turnê pelos Estados Unidos.
Comando Rock: Primeiramente gostaria que contassem como surgiu a reunião e como foram os primeiros ensaios.
Sérgio Dias: É difícil dizer como as coisas aconteceram, pois foram muitos fatores em um curto espaço de tempo. Começamos de forma improvisada eu, Arnaldo e Liminha (Arnolpho Lima Filho, baixista do conjunto entre 69 e 74 e renomado produtor, que desistiu de participar da reunião durante os ensaios). Apenas deixamos a música rolar e percebemos que a fluidez da coisa foi natural. A comunicação musical é muito importante.
Zélia Duncan: Eles fizeram em torno de 50 ensaios desde fevereiro e entrei no meio desse caminho, em abril. São 21 canções que geraram um trabalho árduo. São canções que eles também estavam tendo um novo contato. O trabalho cresceu a cada dia. É interessante ver que são músicas que continuam revolucionando.
Comando Rock: O primeiro show desta volta, que está sendo lançado em CD e DVD, foi realizado no Barbican Theatre, em Londres. Por que este foi o lugar escolhido?
Sérgio: Na verdade foi para onde nos chamaram (risos). Este show foi apenas a ponta do iceberg. Depois de lá fizemos uma turnê completa pelos Estados Unidos e estamos preparando algumas apresentações pelo País. A primeira será em São Paulo no aniversário da cidade (25 de janeiro), no Museu do Ipiranga.
Comando Rock: Os álbuns dos Mutantes sempre apresentaram momentos que soavam como uma certa “bagunça”, devido ao experimentalismo, porém nesta performance a banda parece mais encaixada e com os instrumentos em seus devidos lugares.
Sérgio: Realmente este trabalho o som está mais certo, mais coeso. Na época em que compomos e gravamos essas faixas não tínhamos o aparato e nem tempo para fazermos as coisas como queríamos, então algumas ficavam meio improvisadas. Nesta reprodução pudemos olhar para traz e ver o que ficou bom e o que poderia ser melhorado. Ganhamos também um pouco mais de maturidade e anos de vida. Sem falar dos músicos que nos acompanharam que são todos excelentes. Tudo se encaixou perfeitamente.
Comando Rock: A apresentação em Londres traz 21 canções. Como escolheram o repertório do show?
Sérgio: Escolhemos as impossíveis de tocar, pois muitas das outras já foram tocadas por outros artistas. Estamos sendo muito fiéis aos arranjos originais. Revisitar e reviver essas composições é um sonho. Ouvimos agora, 30 anos depois, o baixo e o piano de Arnaldo para “Baby” e o solo de guitarra que compus para “Top Top” são indiscritíveis. E tinha apenas 16 anos quando fiz isso...
Comando Rock: Dinho, desde que deixou os Mutantes, em 73, você praticamente deixou a cena musical. Retornando agora mais de 30 anos depois...
Dinho Leme: Realmente não pensava em tocar se não fosse com os Mutantes. Quando parei com o grupo e eles continuaram, não tinha nenhuma vontade de tocar acompanhando outros cantores. Era difícil pensar em alguém de quem pudesse ser baterista. Mas agora as coisas foram acontecendo... Estava bem enferrujado, mas com os músicos que nos estão acompanhando ficou mais fácil. Há toda uma harmonia. É gostoso, flui melhor!
Comando Rock: Zélia, de certa forma, você está substituindo a Rita, além de estar acompanhando artistas que marcaram história na música brasileira. Você teve algum receio de entrar no conjunto?
Zélia: Não cheguei a pensar muito, talvez se tivesse pensado não aceitaria (risos). Havia a diferença de voz. Não sabíamos se mudávamos o tom das canções ou se cantaria mais agudo. Mas agora já superei minhas inseguranças individuais. Não estou aqui no lugar da Rita, estou no meu lugar. Não tento imitá-la! Ela sempre terá seu lugar dentro da história dos Mutantes. Ela é uma das criadoras... Que venham os novos desafios, quero enfrentar outras inseguranças. Logicamente, sempre terá quem gosta e quem não gosta.
Sérgio: Antigamente, sempre fomos criticados com a Rita e agora seremos criticados sem a Rita. Isso irRita (risos)!
Arnaldo Baptista: Mandei a Rita embora dos Mutantes. Ela era uma banana! A Zélia é mais adubada, é mais rock and roll. A Zélia é Led Zeppelin. Estou botando muita fé nela!
Comando Rock: Porém a Rita Lee tem criticado o revival do grupo e chegou a chamá-los de um “bando de velhinhos espertos tentando descolar grana para pagar seus geriatras”.
Sérgio: Conhecendo ela como conheço, digo que isso tudo é puro folclore. Não é bem por aí... Não vamos dar pano para manga. Ela foi muito gentil com a Zélia quando elas conversaram a respeito.
Comando Rock: Esta nova parceria entre vocês e Zélia também irá gerar a composição ou gravação de faixas inéditas?
Sérgio: Com certeza! Inclusive já temos uma música saindo do forno...
Comando Rock: Em outubro passado, o maestro Rogério Duprat, que colaborou com diversos arranjos da banda nos discos clássicos, morreu. O que ele representa para os Mutantes?
Sérgio: Era ele quem fazia o link entre nosso mundo musical subjetivo e o mundo objetivo. Sua morte foi um enorme ganho para o céu. Ele fez demais por aqui. Bendito o lugar onde está agora o maestro!
Comando Rock: Há anos atrás, uma volta dos Mutantes era praticamente impossível já que Sérgio e Arnaldo – apesar de irmãos – não se falavam.
Sérgio: Muitas coisas separaram nossas vidas... Vejo fotos de quando éramos crianças e a conclusão é que a família é algo maravilhoso. Isso não tem preço, a música acaba virando subproduto! Para mim, o Arnaldo é amor... Foi uma grande idiotice ficarmos separados. Mas, por outro lado, os dez anos que morei nos Estados Unidos foram muito produtivos para mim como músico e produtor. A vida tem dessas coisas...
Comando Rock: O mercado musical também sofreu muitas mudanças durante esse período. Na opinião de vocês, como os Mutantes se encaixam nessa fase atual?
Sérgio: Somos a prova viva de que o sistema do mercado musical não tem nada a ver com música. Se fossemos pensar dentro do business da música, teríamos de ter um projeto de mídia, patrocínio, isso e aquilo. É uma coisa absurda! Mas, quando dissemos “sim” ao Barbican, em 15 dias estávamos com shows marcados na América sem ter tocado uma nota. Não tinha álbum lançado, não tínhamos tocado no Barbican, não tinha matéria, não tinha nada. Vivemos no resplandecer da era do fogo. Hoje, a humanidade faz tudo queimando. Só espero que não queime a gente (risos).
Comando Rock: A turnê americana rendeu shows lotados por sete cidades. Qual era o público encontrado nessas apresentações?
Zélia: A maioria era composta por gringos com exceção de Miami, onde havia muitos brasileiros residentes. Tivemos várias datas com ingressos esgotados. Podia-se ver as pessoas emocionadas em ver esses caras. E tinha muita gente jovem também. Inclusive garotos que pagaram cem dólares por um vinil indo pedir autógrafo chorando. A música continua nova e com um frescor. É a música sobrevivendo ao tempo e com esses cara aqui.
Fonte: Mutantes - depois de 30 anos, as mutações voltaram http://whiplash.net/materias/comando/053151-mutantes.html#ixzz2EBHL7OgP

Em 2010 uma nova formação dos Mutantes agora não contando mais com Arnaldo Baptista e nem Zélia Duncan lançaram um novo álbum de inéditas depois de 33 anos:

É esse feito que eles comemoram no show que fizeram, dentro da programação do SWU Festival, em Itu em 2010.
Publicada pela pequena gravadora Coqueiro Verde, a nova versão do disco vem com alterações consideráveis. Saem duas canções, entram outras quatro.
"A gente tinha muito material novo pra mostrar, fizemos quase dez músicas com Tom Zé, ganhamos uma do Jorge Ben, compus várias sozinho", diz Sergio Dias, guitarrista e líder da banda.
O show no SWU, no entanto, terá apenas duas canções dessa safra. Dias promete um show "para fãs", com o repertório da fase áurea da banda, entre 1968 e 1972.
Além do guitarrista, apenas o baterista Dinho Leme pertencem à formação original dos Mutantes. Entraram os jovens Henrique Peters (teclado, flauta e voz), Fabio Recco (voz, violão e percussão), Vitor Purusha (teclado, flauta, cello, guitarra e voz), Bia Mendes (voz e percussão) e Vinicius Junqueira (baixo).
A respeito do atraso no lançamento do novo álbum por aqui, Dias diz que a gravadora Sony, que faria o trabalho no país, deixou de demonstrar interesse no disco com material inédito.
"Não consigo entender o que eles queriam. Não ia admitir que a gente fosse para o palco tocar 'Balada do Louco' durante o resto da vida", diz. "Nós estamos vivos. Não somos uma banda morta."
Procurados pela Folha, executivos da gravadora Sony não responderam até o fechamento desta edição.
A seguir, eles partiram para os Estados Unidos, onde fizeram uma turnê de 22 shows.
Os Mutantes continuam a excursionar com a sua nova formação divulgando o disco
Fonte: http://www.folha.com.br/il812197
Os Mutantes continuam a excursionar com a sua nova formação divulgando o mais recente disco Haih Or Amortecedor
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
A UTOPIA MESSIÂNICA E OSWALD DE ANDRADE
A Utopia Messiânica
Um tempo atrás em uma roda de amigos com alguns militantes de esquerda, petistas e artistas, surgiu uma discussão do atual cenário da esquerda no Brasil, numa brincadeira eu disse que se não houvesse o evangelho, a Bíblia, e que se fosse descoberto os livros de Karl Marx e Engels hoje, provavelmente seriam estes nossos Messias, quer dizer Marx como um Cristo e Engels um dos apóstolos, lógico que levando a sério o que eu disse logo a igreja e também os militantes de esquerda me chamariam de herege, pois bem, analisando a coisa e se pensarmos bem, é o mais fraco contra o mais forte, as lutas de classe, que predomina o pensamento Marxista: "A história de toda a sociedade até hoje tem sido a história das lutas de classe." Alguém com uma ideia "libertária" de igualdade, não fosse os péssimos exemplos dos que conhecemos, "A luta de classes conduz necessariamente à ditadura do proletariado", poderia sim dar voz a algo que parecesse divino, pela dor e insatisfação como deveras aconteceu nas inúmeras revoluções Marxistas. Bom está semana eu descobri que está ideia minha de marxismo messiânico e tal não é uma ideia nova, lendo trechos do Pensamento vivo de Oswald de Andrade descobri que este grande pensador e poeta Paulistano já escrevia algo um pouco parecido a muito tempo atras:"As condições, que o mundo tinha atingido no apogeu da revolução industrial, encontraram seu grande analista. Foi Karl Marx. O Capital não é somente a teoria econômica que encerra ou o sonho político que propõe. É sobretudo a fixação psicológica e social das classes em luta. (...)
Baseado numa empolgante documentação, Marx e Engels traçam o novo evangelho que resulta daquele estorno ideológico, quando, no século XVI, se transfere para o êxito e a prestação de contas na terra o que a humanidade ocidental, alentada pelo Sacerdócio, suponha residir no céu.
Face à morada confortável do burguês e à sua vida faustosa, Marx coloca revolucionariamente o cortiço. Entre ambos a fábrica. É tal a força profética desse Moisés que, como o outro, cai às portas da Terra Prometida, que imediatamente se fixam bases dogmáticas para a luta do proletariado.(...)
As premissas de Marx vieram produzir a atualidade da URSS. É que o estado de Negatividade, o segundo termo de Kojeve, que devia ser superado, consolidou-se no sectarismo obreiro. O operariado evoluiu, não é mais o que Marx fixou na páginas lancinantes d'O Capital, (...) Que é hoje o proletariado? Nas suas indefinidas fronteiras junta-se uma humanidade estuante que reclama a repartição da mais-valia. Seria esconder a realidade, afirmar que, fora da URSS, por meio das leis sociais, não se realiza um fenômeno ascensional de redistribuição dos lucros. Evidentemente, certos grupos detêm ainda na mão privilégios abusivos. E contra isto se luta de todas as maneiras.
Mas o mundo mudou. O que era messianismo, fenômeno de caos na sucessão de crises de conjuntura que deu afinal a crise da estrutura do regime burguês, tornou-se sacerdócio empedernido e dogma imutável na URSS. Houve uma grosseira escamoteação do problema. Evoluída a classe trabalhadora, perdidos os seus contornos, a ditadura de classe se substitui pela ditadura de partido. O fenômeno que deu o fascismo instalou-se no coração revolucionário da URSS e produziu o colapso de sua alta mensagem."
"No prenúncio atual de um novo Matriarcado, que se processa na crise do parentesco, onde quase ninguém mais procura ser pai, esposo, filho - o marxismo militante fixou-se no setor da propriedade. O Estado que se reforçara para se extinguir, prolonga e fortalece os seus arsenais armados, no argumento, sem dúvida exato, de que luta contra o imperialismo."
"O marxismo militante engajou-se na economia do Haver (Patriarcado), escapando às injunções históricas da economia do Ser (Matriarcado).
E na alienação, no dinheiro, na filosofia do dinheiro, prossegue, dentro da atualidade russa, o surto enunciado pela economia do renascimento. O Estado assume a idolatria do dinheiro. E para ligar com férreas ataduras policiais a massa sufocada, dentro da fórmula áspera de Paulo, "quem não trabalha não come", utiliza a lógica de Aristóteles e a metódica de Sorel, dentro da cortina de ferro de seus limites geográficos e políticos."
"Quem poderia prever, quem ousaria sonhar que o messianismo em que se bipartiu a religião do Cristo (Reforma e Contra-Reforma) iria medras no terreno sáfaro das reivindicações materialistas do marxismo? Uma pequena correção no texto dos Exercícios Espirituais daria esta proclamação comunista: "Minha vontade é conquistar os povos que estão sob domínio da burguesia. Que lutem todos como eu para que depois dos sofrimentos venham as festas da vitória". No fundo, refulge a promessa messiânica."
"Pelas condições históricas do progresso técnico e social, o trabalhador deixou de ser o pilar das teses românticas de Marx. Mas a autocrítica desapareceu. Toda a crítica naufraga no sectarismo. O perfeito militante é o mesmo boneco farisaico do puritanismo - socrático ou americano - que se apresentou ao mundo para edificá-lo, pedante, cretino, faccioso. E não seria mais estranho ouvirmos, uma noite, pela boca universal da Rádio-Moscou, que foi proclamado o Dogma da Imaculada Revolução."
Bom o texto não termina aí, mais é neste ponto que eu pretendia chegar, este texto é da década de cinquenta já próximo a morte de Oswald, ao ouvir discursos esquerdistas hoje vejo que este texto é tão atual quanto se parece, fui um aficionado na minha adolescência pelos pensamentos de Marx e os ideais comunistas. No decorrer da vida até os dias atuais foi crescendo em mim as ideias comparativas do uso da ideologia e de pensadores que de alguma forma como a Igreja procuravam com suas palavras mudar ou moldar o pensamento humano, e com estes pensamentos vivos, vimos tanto a Igreja quanto os Partidos políticos angariar seguidores, porém também vi morrer a autocritica, a dialética sugerida, e hoje com todos os avanços tecnológicos e as mudanças das formas de trabalho o discurso revolucionário me parece pedante e ultrapassado, ainda há desigualdades, lutas de classe e muito, mas muito fascismo, minha ideia com estes textos é levar a discussão para as redes sociais e quem sabe encontrar uma nova forma "revolucionaria" de mudar e melhorar nossas vidas.
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